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(in)sensatez

17
Ago17

Portugal Incrível.

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Na semana que passou, dei uma grande volta num dos nortes mais a norte de Portugal. Andei profundamente pelo Minho mas também andei pelas Beiras. E foi muito bom.

 

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Sinto que ainda há uma enorme tendência para não valorizarmos Portugal, como se o que vivemos lá por fora é que fosse bom. Somos, na verdade, muito injustos com o nosso país: ele tem tanto, mas tanto, para oferecer.

 

Para além disso, sou uma acérrima defensora que é impossível entender o que acontece além destas fronteiras sem conhecer razoavelmente bem o que neste cantinho se passa.

 

Nestes dias, andei por Monção, por Valença, por Melgaço, mas também por Santa Comba Dão, por Viseu e por Drave, por imensas vilas e por ainda mais aldeias, por barragens e por montes, por montanhas e vales.

 

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Provei, pela primeira vez na vida, figos, aquela fruta que dizia que não gostava mas que, na realidade, nunca tinha experimentado.

 

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Para além dos figos, esta fruta revelação, apanhamos tudo das árvores, esse privilégio díficil de ter em Lisboa.

 

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Mas, e porque não só de fruta se alimenta um homem, também investi fortemente nos cabritos assados no forno, nas carnes nas brasas e nas bolas de Berlim (não perguntem).

 

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Descobri também que as ovelhas minhotas são muito parecidas a qualquer outro tipo de ovelhas.

 

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Devo contar-vos (porque é, de facto, importante) que a menina da cidade deu grande baile, a todos os presentes, a jogar ao pião. Quem se lembra?

 

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Já estamos de regresso deste nosso norte incrível (fica a faltar o texto que prometi sobre Drave).

Para a semana, vamos para outro sítio deste Portugal Maravilhoso.

Podem (e devem) seguir tudo no meu instagram aqui. Espero-vos por lá.

 

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❤︎

16
Ago17

O terrível momento “Unsubscribe from this list”.

CD

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Todos nós já passamos por este momento.

 

Do nada, pertencemos a uma lista e, devido a essa situação, começamos a receber uma determinada newsletter, na nossa caixa de e-mail, de forma completamente maluca: promoções, campanhas, eventos e conversa fiada, no geral.

 

Não sabemos muito bem como aconteceu – afinal, nunca tivemos qualquer contacto com essa empresa (ou, se tivemos, foi um contacto remoto, ocasional, numa noite de copos, que queremos esquecer) – e, de repente, somos bombardeados com informação, a nossa caixa de e-mail começa a ficar entupida, com todos os seus e-mails misturados (uma mixórdia completa de e-mails com interesse com outros que, de interesse, têm muito pouco), uma salada russa difícil de fugir, pegajosa e fora de prazo – e, logo eu, que nem gosto assim muito de maionese.

 

Há sempre um momento em que dizemos: vou sair desta lista. Sim, malta, há essa opção, chama-se o "unsubscribe from this list" e consiste, basicamente, em carregar num link com o mesmo nome, no fundo dessa newsletter, e depois é só selecionar uma das opções onde explicamos a razão que nos fazem querer abandonar esta newsletter: já não queremos receber esta informação, estes e-mails não são apropriados, são spam, entre outras, muitas outras, opções.

 

Mas, bom, há qualquer coisa que nos faz querer adiar este momento. Nós nunca quisemos, de facto, pertencer a este grupo, não gostamos de estar sempre a ser bombardeados com essa informação, tudo isto é verdade, mas agora que pertencemos ao clã, não queremos sair dele. Parece que o nosso subconsciente sabe que, no momento em que o fizermos, algo de muito bombástico vai ser noticiado por este canal e que pode mudar a nossa vida para sempre.

 

É triste e, especialmente, difícil fazer este corte mesmo quando se trata de algo que já não gostamos.

 

Para quem se sente agarrado a estas newsletters, eu tenho um truque: ocasionalmente, percorro todos os meus e-mails, seleciono todos os e-mails de newsletters e analiso, de forma fria e crítica, se de facto me interessa aquela informação. Caso conclua que não, respiro fundo, tomo um calmante (brincadeira, ‘tá?), volto a respirar fundo, e carrego, sem olhar para trás, sem lamentar, no "unsubscribe from this list". É duro, mas é possível. Juro.

 

Caso contrário, ano após ano, sou afogada no meio de e-mails sem qualquer interesse, de marcas com as quais não me identifico,  mas relativamente às quais me mantenho agarrada devido a um receio injustificado de aparecer uma notícia ou uma promoção de um produto, que nunca me interessou, mas que, sem o qual, já não vou conseguir, de certeza, viver sem.

10
Ago17

Lufada de ar fresco.

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Muitas das conversas que tenho, ao longo do dia, são um pouco complexas.

 

A verdade é que passo grande parte dos meus dias a decidir. Tomar decisões pode parecer uma ideia genericamente gira mas, na prática, desgasta bastante. Tenho a certeza que a necessidade tão grande que tenho em dormir advém do cansaço que adquiro ao longo do dia.

 

De vez enquando, acontece parar e dar por mim a ter conversas banais, onde não tenho que estar com muita atenção, onde ninguém exige uma decisão ou, tão-pouco, uma opinião. São conversas onde não ouço um “o que é que achas?”, muito menos um “qual julgas ser a melhor opção?”.

 

Há relativamente pouco tempo, consegui baixar as defesas e assistir a uma conversa que, de tão leve, me fez sentir francamente feliz.

 

Os diálogos eram simples e desenrolaram-se entre as pessoas que estavam comigo: eu era, neste caso, apenas espectadora e era-o de forma bonita, interessada mas absolutamente relaxada, sem qualquer pressão para intervir.

 

A conversa criou-se em torno das parecenças entre as mães, que falavam à minha frente, e os filhos destas, que brincavam ao nosso lado: o que é que tinham do pai, o que é que tinham da mãe e o que é que não tinham dos dois.

E riam-se e concordavam e olhavam-se e olhavam para os filhos e voltavam a rir.

 

E eu, bom, eu dei por mim a agradecer por ninguém me perguntar se eu achava se os olhos eram parecidos com os do pai (não eram) ou se o feitio era o da mãe (também não era) e absorvi esta conversa, leve, fresca e fofa, sem qualquer consequência grave caso alguma opinião não fosse a correta, e vi-a, à conversa, como uma lufada de ar fresco, como aquela brisa fresca e fina matinal, e deixei-me ficar, a ver e a analisar, mas sem nunca dizer as parecenças e diferenças entre os que à minha frente estavam.

07
Ago17

Residencial Oliveira.

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A Residencial Oliveira, que se endireitava envelhecida nas ruas da Madragoa, chama-se agora River Hostel. Os azulejos da sua fachada continuam azuis, continuam antigos, continuam iguais: uns estão completos, outros, a maioria, estão partidos. Por cima da porta, ofusca um néon amarelo com o novo nome da Residencial Oliveira.

 

O Café Central, que se desenhava desprendido no declive de Alfama, chama-se agora Lisbon Lounge and Bar. Este manteve a mesma máquina de café, o mesmo balcão com gordura, as mesmas garrafas empilhadas e, até, as mesmas cadeiras de ferro que o Café Central tinha quando esse nome usava.

 

Os táxis descarregam turistas, entornam-os nas Residenciais Oliveiras, nos Cafés Centrais que já o foram, nesta nova cidade que se embelezou com nome modernos, sempre estrangeiros, sempre em inglês, sempre com Lounge, com Hostel, com Rooftop, a acompanhar.

 

Esta cidade, que mantém a tradição, que mantém, apesar de tudo, a sua origem, denomina-se agora com nomes pomposos.

 

Até aguentamos bem a substituição do português por nomes estrangeiros e, enquanto este equilíbrio se mantiver, nomes novos mas iguais a nós mesmos, enquanto for só e apenas isso, até podemos dizer que não nos importamos com esta nova realidade e que Lisbon, apesar de tudo, continua a ser a antiga e bonita Lisboa.

04
Ago17

Góticas.

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Sim, são velhotas, as góticas que se passeiam pelas ruas da Graça.

 

Andam sempre juntas, numa bonita e equilibrada parelha.

 

Fugiram ao preto do luto e adquiriram o preto do gótico: maquilham-se de preto, fazem as unhas de preto, usam tachas e colares com caveiras, os seus cabelos muito brancos, muito ao alto, apanhados com grossos adereços pretos e prateados, contrastam com o preto das roupas e acessórios que usam.

 

São extravagantes na forma de vestir apesar de só usarem esta cor acabada.

 

Acho-lhes piada. Gosto sempre bastante de quem não sucumbe ao destino, ao preto da idade, agrada-me sempre a ideia de dar a volta à inevitabilidade da vida.

 

Como se, apesar de fatal, apesar de óbvio, não fosse nem fatal, nem óbvio, e pegassem em tudo e, do tudo fizessem, com o twist necessário, a vida brilhar de outra forma.

03
Ago17

Minimalismo.

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Devíamos pegar no minimalismo da decoração e encastra-lo na nossa vida.

 

Devíamos pegar nas casas brancas, na pouca informação que agregam as suas paredes e trazer essa leveza para os nossos pensamentos.

 

Somos seres recheados de camadas, apinhados de recortes, completos na nossa essência emaranhada.

 

Era bom, era tão bom, encerrarmos a complexidade em nós e fazer descer, pela simplicidade que também nos faz, o melhor daquilo que somos.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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