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(in)sensatez

15
Jan18

As quotas são uma forma de discriminação.

CD

apresentadoras.jpg

 

Há já mesmo muito tempo que queria lançar aqui o tema das “quotas”. O comentário, da Rita Ferro Rodrigues, direccionado à escolha feita pela RTP das quatro apresentadoras que vão apresentar a Eurovisão, foi o motivo que precisava para lançar o tema.

 

Aqui está o comentário, da Rita Ferro Rodrigues, lançado no twitter:

"Vejamos: 2017 foram só homens a apresentar a final da Eurovisão, 2018 só mulheres. Nada a apontar. Grave é o facto de ambos os painéis serem compostos apenas por pessoas brancas. Por tudo o que isto significa ao nível das oportunidades e da representatividade. Falamos sobre isso?”

 

Gostava de fazer aqui um parênteses antes de entrar no tema das “quotas”:

 

Apesar de não conhecer pessoalmente a Rita Ferro Rodrigues, aquilo que passa nas redes e na televisão, não me agrada particularmente e, consequentemente, por ela não nutro uma grande simpatia. Obviamente, que isto é uma opinião minha, que em nada impactaria num eventual reconhecimento relativo a algo que ela, na minha perspectiva, fizesse bem. A Rita tem, em mãos, uma causa nobre pois, para quem não conhece, é a fundadora de uma plataforma feminista, de seu nome CAPAZES, cujo propósito é, em teoria, correr atrás da igualdade dos direitos e oportunidades entre os géneros. Vou mais longe: uma causa nobre, necessária e urgente! Ainda há muito trabalho a fazer neste caminho. Nisto, julgo eu, estamos todos de acordo. Sucede que, a Rita, ocasionalmente, lança uma polémica, através de comentários cujo objectivo, a meu ver, é misturar o essencial ao acessório. Foi ela que, por exemplo, lançou a bomba dos livros da Porto Editora: uma guerra sem sentido como, aliás, ficou provado mais tarde.

 

O problema quando se mistura muita informação, essencial e acessória, é que, às tantas, as pessoas deixam de ver o essencial, perdem-se na luta que inicialmente travaram, esquecem-se dos pontos importantes, baralham-se na confusão e começam a enrolar-se no acessório, transformando tudo numa salganhada que não tem descrição. Já ninguém sabe sobre o que está a falar nem qual a luta prioritária.

 

Ela tem, claro, todo o direito em expressar-se e de passar cá para fora todas as suas inquietudes. Na minha perspectiva, julgo apenas que podia estar mais focada na sua luta feminista. Penso que ganhávamos todos mais com isso.

 

Ora, o tema que a Rita lançou, apesar da salada russa, toca no tema "quotas" e isso é de valor.

 

Basicamente, interpreto eu, ela referiu que as apresentadoras são boas e tal mas que, bom, devíamos ser mais inclusivos no que toca aos tons da pele.

 

É aqui que discordamos.

 

Não acho que alguém tenha que ser excluído por ser negro mas também não me parece bem que alguém seja recrutado apenas por ser negro.

 

Todas aquelas apresentadoras, na minha opinião, são boas apresentadoras (desconheço apenas a Daniela Ruah enquanto apresentadora, mas até compreendo a sua escolha atendendo ao facto de ela ser uma figura com reconhecimento internacional e fluente em inglês). Diria que, estas quatro apresentadoras, são o crème de la crème da apresentação portuguesa.

 

Eu não quero viver num país em que a escolha seja feita com base em critérios que não seja unicamente o do profissionalismo. Não quero viver num país em que a escolha é feita para cobrir quotas: 25% brancos, 25% negros, 25% chineses, 25% indianos, onde, dos 100%, 30% são homens heterossexuais, 30% mulheres heterossexuais e 30% pessoas homossexuais e 10% bissexuais.

 

Mas o que é isto? É esta a sociedade que pretendemos construir? Onde, às tantas, estamos a contratar com base em critérios como a cor da pele ou a orientação sexual só porque não queremos ser multados?

 

Sou contra as quotas porque são uma forma de discriminação.

 

Acho que é importante debater-se este tema e, desta forma, não considero o comentário da Rita irritante ou de quem não tem mais nada que fazer. Só o acho descontextualizado atendendo ao facto que ela tem um propósito grande para abraçar.

 

A minha sugestão é que ela não misture as histórias e que se foque no feminismo de forma séria e direccionada, caso contrário, inevitavelmente, acaba por misturar o acessório com o essencial e está tudo estragado.

 

Qual a vossa opinião?

10
Jan18

A noite em que Hollywood se vestiu de luto.

CD

globos de ouro 2018.jpg

 (Gabriel Olsen/ Getty Images)

 

Esta edição dos Globos de Ouro ficou marcada pelos protestos como forma de condenação ao assédio e abuso sexual.

 

Num ano em que as mulheres resolveram falar, onde, através do movimento #metoo, deram a cara e apontaram dedos, era espectável que algo fosse feito para chamar à atenção deste tema. Uma cerimónia como os Globos de Ouro, com esta visibilidade, contexto e pessoas, parece-me o sítio perfeito.

 

Ainda bem que não deixaram cair o tema. Este assunto não pode morrer.

 

Há, porém, um ponto que queria sublinhar. Li, por esta internet fora, alguns comentários maus às (julgo que apenas) três mulheres que não se vestiram de preto nessa noite.

 

Não consigo entender, por mais anos que viva, esta sede insaciável de arranjar bodes expiatórios. Estes ataques são reflexo cru deste mundo que estamos a criar, cada vez mais intolerante à diferença, apesar de todo o trabalho feito em prol da igualdade.

 

Não está em causa se faz sentido elas irem de preto ou amarelo. Para mim, faria sentido irem de preto. PARA MIM. Isso não me dá o direito de insultar quem vai de outra cor. As pessoas são livres de abraçarem as causas que querem e utilizarem as formas de protesto que melhor entendem.

 

Gostei desta forma de manifesto contra o assédio e abuso sexual. É indiscutível a força que a mancha de cor negra teve. Apaixonada por preto, claro que também gostei de alguns vestidos mas isso é irrelevante para o tema.

 

O que não é irrelevante é que as pessoas percebam, de uma vez por todas, que podem condenar o assédio e abuso sexual mas não serem a favor desta forma de protesto. Ou pode, simplesmente, acontecer não lhes apetecer ir de preto.

 

E legítimo e é de respeitar. 

 

Mais tolerância, por favor.

09
Jan18

Os tempos modernos e a liberdade de expressão.

CD

O tema da Liberdade de Expressão não é novo, por estas bandas.

Hoje trago-vos um artigo do João Miguel Tavares sobre a intervenção que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) fez devido a um artigo de opinião de José António Saraiva, onde o mesmo escreve sobre a cirurgia de mudança de sexo.

 

Podem ler aqui.

 

Qual a vossa opinião?

08
Jan18

Quanto tempo vai durar a recordação de nós?

CD

 

DSCF6472.JPG

 

Não estou a falar da nossa recordação ou da nossa capacidade de memória. Refiro-me à recordação que têm de nós.

 

Penso tantas vezes nisto.

 

Quantos de nós se lembram dos seus trisavós? Quem os conheceu realmente? Ainda repetem as suas histórias, as histórias que ouviram de boca em boca, ou já caíram completamente no esquecimento?

 

Imagino, dos bisavós para trás, que não conheci nenhum, todos a preto e branco e sem se rirem.

 

Não sei os seus nomes, eles foram esquecidos, as suas histórias não saltitaram, não foram, de algum modo, registadas e, consequentemente, foram todos apagados da nossa memória.

 

“Nós vivemos enquanto falarem de nós.” – Acredito muito nesta frase cujo autor desconheço mas que é possível que seja o meu pai.

 

Daqui a 100 anos ninguém se lembrará das nossas feições, dos nossos tiques, da nossa voz. As nossas histórias deixarão de ter importância e o mais certo é terem sido esquecidas.

 

Isto é só para concretizar o quão insignificantes todos somos.

06
Jan18

Qual a régua da vida?

CD

Por norma, as pessoas comparam: casas, empregos, roupas, oportunidades e, também, dores.

A comparação surge, muitas vezes, como forma de nos posicionarmos face aos outros? Serve para colocarmos uma régua que permita fazer uma hierarquia de quem tem a melhor casa, o melhor emprego, a melhor roupa, as melhores oportunidades e as melhores dores? Não sabemos.

(...)

Chorar por pouco pode parecer ingrato face à vida que se tem mas há tanta legitimidade em fazê-lo como chorar por muito.

(...)

 

O texto completo está na revista Blogazine, na edição de Janeiro de 2018.  

05
Jan18

Apostas.

CD

Foi em Novembro que comecei a afinar com o 7 no final da data.

Aceitam-se apostas de quantos dias precisarei para colocar, sem hesitação, o 8 no sítio correcto?

 

(dia 8 de cada mês não conta)

05
Jan18

Palavras para 2018.

CD

Li no blog da Cláudia, há uns tempos, que ela escolhia, antes do ano começar, uma palavra que a ajudava a concretizar o ano seguinte.

 

Achei a ideia interessante.

 

Por norma, temos por hábito olhar para trás. Soubemos ontem que “INCÊNDIOS” foi a Palavra do Ano, eleita para 2017, para Portugal, na iniciativa da Porto Editora.

 

Não sendo menos importante dizer como foi o ano que passou, também é relevante definir como queremos que seja o ano que se vai iniciar.

 

Rodar a nossa vida à volta da palavra inicialmente escolhida é um belo exercício pois representa uma grande responsabilidade naquilo que queremos que a nossa vida se torne.

 

Digo-vos já que requer muito pensamento!

 

Então, andei uns dias à volta da palavra que eu queria para 2018. Depois de muito debater com o Ricardo, cheguei a uma: RELATIVIZAR.

 

Palavra para 2018 2.jpg

 

Não relativizo nada. Ou, por outra, sou a pior estirpe de quem, em teoria, relativiza: eu finjo que relativizo. Digo que não me importo mas depois fica aqui tudo a remoer. O que eu quero mesmo é conseguir relativizar cá de dentro, com convicção.

 

Depois pensei e pensei e pensei e concluí que relativizar era óptimo para me dar paz mas que não queria basear um ano inteiro a corrigir um “defeito de fabrico”. 365 dias inteirinhos a relativizar? Só a relativizar? Para mim, não fazia sentido.

 

Queria uma palavra que me levasse mais longe (bom, eu confesso: na verdade, não consegui escolher apenas uma só palavra – o meu poder de síntese não é assim tão grande – foi a dura conclusão a que eu cheguei).

 

E, então, à palavra “RELATIVIZAR” juntei a palavra “ESCRITA”.

 

Palavra para 2018 1.jpg

 

Quero que 2018 cheia um ano cheio de “ESCRITA”. Quero escrever ainda mais e mais, para construir e construir e construir.

 

E, com estas duas palavras, parece-me que tenho as condições reunidas para tornar, o ano 2018, num grande ano.

 

E vocês, que acharam desta ideia? Já escolheram as vossas palavras?

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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