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insensatez

Fenómenos.

Chegou finalmente o momento de falar sobre determinados fenómenos que se passam na minha vida.

 

São alguns, não muitos, que me perturbam porque se sucedem sempre da mesma forma. Eu reparo neles e, até para mim, são estranhos. E tristes. E estranhos. E tristes.

 

Ora, aqui estão eles:

 

- Nunca consigo comer apenas um pastel de nata. Normalmente, são dois, há dias em que escalam para três, mas também já aconteceu serem quatro;

 

- Só compro roupa interior em números ímpares: uma cueca, três cuecas, cinco cuecas. Comprar duas cuecas nunca aconteceu. Nem quatro. Nem seis. Muito menos oito;

 

- Nunca toco com as mãos em puxadores de casas de banho públicas. São acrobacias e dúvidas complexas, giras para quem está de fora, cada vez que quero ir a uma casa de banho pública: enrolar o casaco nos dedos e rodar a maçaneta quando o puxador o permite ou puxar muito rapidamente a porta com o dedo mindinho e prendê-la com o pé quando ela se abre e depois, com os cotovelos, afastá-la para conseguir, finalmente, sair? É complexo, eu sei.

 

Há mais, mas vou guardá-los para segundas núpcias.

Quatro tipos de fotografias que se repetem nas redes sociais, ano após ano, assim que o calor aperta.

Se são como eu e gostam de analisar padrões de comportamento, vão gostar de saber que decidi reunir os 4 tipos de fotografias que se repetem nas redes sociais, ano após ano, assim que o calor aperta e, para as quais, vamos assumir, já não há paciência:

 

  • Fotografias de pés, com unhas impecavelmente pintadas, na água do mar – Sou bastante sensível a este ponto: não nutro especial simpatia por pés;

 

  • Fotografias de termómetros com temperaturas elevadas – Nunca percebi este conceito de partilhar a temperatura: nós somos humanos, sentimos, as temperaturas sobem, temos calor. É relativamente normal. Se as temperaturas atingissem os 60 graus, ai sim, seria digno de registo, fora isso, bom, é só normal;

 

 

  • Fotografias de Bolas de Berlim – Eu já vi várias Bolas de Berlim na vida e garanto-vos, fora uma ou outra invenção, elas são rigorosamente iguais. Sempre. Não mudam. Partilhem só quando estivermos a falar de uma Bola de Berlim cor-de-rosa com creme azul, ok?;

 

 

  • Fotografias de pessoas suadas nos ginásios – Não gosto assim muito de pessoas suadas e, como tal, preferia não vê-las espalhadas, com carácter aleatório, no meu feed das redes sociais: uma fotografia de uma paisagem, uma fotografia de um gatinho, uma fotografia de um corpo suado, uma fotografia de uma salada de atum, uma fotografia de um rosto vermelho a pingar: não, não e não.

 

E vocês, têm mais para a troca?

Vacinas e a negligência... do nosso país.

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Estava um bocado distante da polémica das vacinas porque não tenho filhos, porque desconhecia a gravidade de alguns factos mas, especialmente, porque tanto eu como toda a minha família somos vacinados e sempre me recordo de entregar boletins de vacinas nos estabelecimentos de ensino por onde andei. Sempre achei isto um não-tema: afinal, achava eu, se as vacinas são obrigatórias, qual a questão?

 

Ora, com a polémica a aquecer, com a malta a ficar histérica com o surto de sarampo num país (o nosso) onde, em 2015, a Organização Mundial de Saúde referiu esta doença estar eliminada, tornou-se impossível não me debruçar sobre este tema.

 

Fiquei, então, a conhecer alguns factos assustadores: a vacina do sarampo – tal como todas as outras – não é obrigatória. Repito: não é obrigatória!

 

O pior, para mim, é que vivemos num pais em que estas questões são colocadas nas mãos do bom senso das pessoas: nas mãos dos pais bem informados mas também dos pais fanáticos e fundamentalistas.

 

Apercebi-me que as vacinas são conselhos, são recomendações que nos fazem.

 

Isto é chocante especialmente porque o grau de sucesso das vacinas aumenta quanto maior for o número de pessoas vacinadas numa comunidade.

 

Façam regras, fiscalizem e penalizem quem não as cumpre.

 

Estamos a falar de saúde pública. Não é uma brincadeira.

 

(recomendo a leitura desde texto que explica (e desconstrói) os principais argumentos utilizados para não vacinar as crianças - vale a pena. – a verdade é que alguns destes argumentos até são muito “apelativos” daí que deixar ao critério das pessoas, se calhar, é uma má opção!)

Sobre a Alimentação Vegetariana nas cantinas (e sobre outros temas relacionados).

 

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Ao que parece chegou o momento em que, por lei, vai passar a ser obrigatório oferecer uma opção vegetariana, por dia, nas cantinas e refeitórios públicos.

 

Não sendo vegetariana, reconheço a importância deste tipo de alimentação desde que bem planeada, como refere a nossa Direção-Geral da Saúde. Uma alimentação vegetariana não é comer uma sopa ao jantar. Uma alimentação vegetariana não é comer apenas cenouras cruas ou brócolos cozidos.

 

Diria que, neste momento, mais de 50% das minhas refeições são vegetarianas. O que é bom, tendo me conta que, até há uns tempos atrás, um prato sem um bife não seria considerado uma refeição e que, num prato apenas com grão, eu perguntava sempre onde parava o bacalhau.

 

Aprendi a medir as propriedades dos alimentos e comecei a entender como eles podem influenciar o nosso bem-estar. Tem sido uma aprendizagem constante, sempre em busca de novas e fidedignas fontes (não, sites como o brasilbuzz.br (inventado, claro está) não contam como fontes de informação fidedignas).

 

Não sendo uma especialista, estou consciente que há muitas vitaminas que apenas se encontram na proteína animal, nomeadamente a vitamina B 12. É importante, por isso, saber-se o que se está a fazer. É importante estar-se acompanhado de especialistas e reunir o máximo de informação possível.

 

Diria que, a par de uma alimentação vegetariana, é necessário haver também uma maior consciência de onde os produtos surgem (grão seco, de lata ou de frasco?, alfaces biológicas ou dos supermercados "normais"?, o limão utilizado para o nosso carioca é de origem certificada? – já pararam para pensar que a casca de limão fervida (que serve de base para o chá que vocês vão beber depois), caso esteja cheia de químicos, pode ser altamente prejudicial para a vossa saúde?)

 

A lei muda – demora mas muda – e ainda bem. O próximo passo é a tasca do bairro, o restaurante de todos os dias, a pastelaria de sempre também terem cuidado com o que oferecem: apresentarem alternativas aos bolos com açúcares refinados (já que não os querem abolir de todo), não me olharem de lado quando peço azeite em vez de manteiga para por na torrada e quando pergunto qual a opção vegetariana não me falarem em legumes cozidos ao vapor.

 

Custa mas chegamos lá.

Viver no meu mundo não são só coisas boas.

Permite apagar-me quando estou em conversas desagradáveis mas depois não me recordo do teor das mesmas.

Ajuda-me também, se querem saber, a pensar e a endireitar os meus objetivos, mas faz-me adormecer da realidade que me contorna.

Levita-me nos textos que quero construir mas não me ajuda a fixar as pessoas com que estou.

Viver no meu mundo e, especialmente, viver para o meu mundo é bom mas relembra-me que há mundo, que não o meu, a girar e que, algumas vezes, várias vezes, me passa ao lado.

Sobre amor.

Em tempos já devo ter escrito sobre isto algures aqui no blog, mas é sempre bom reforçar que sinto (verdadeiro) amor por determinados objectos.

 

Perdoem-me todos aqueles que “praticam o desapego”, todos aqueles que não têm (nem querem ter) nada em nome deles, todos aqueles que perdem pedaços do que compraram, do que lhes deram, do que herdaram sem qualquer sentimento de culpa.

 

Eu tenho o mesmo pente há anos, tenho carinho desmedido por objetos oferecidos e gosto de receber presentes pensados.

 

Os objectos também são amor. Materialismos estão de fora no que aos meus objectos diz respeito.