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(in)sensatez

21
Nov17

Páginas Partilhadas - Uma carta.

CD

Deixo-vos aqui mais uma participação minha no projeto da Filipa chamado Páginas Partilhadas.

 

O tema lançado, desta vez, foi "uma carta"

 

O meu texto saiu hoje. 

 

"Sobre a carta que já deveria ter sido escrita há tanto a dizer.

 

Na verdade, por aqui ela se detém, inscrita na nossa pele, a escorrer pelas nossas veias, apertada no nosso ser.

Sobre a carta que já deveria ter sido escrita, cumpre-me dizer que ela é desenhada, com regularidade, na nossa cabeça.

Sabemos a sua estrutura com rigor, o que queremos transmitir com certezas, as palavras necessárias para suavizar a mensagem e as expressões exatas para dar força quando assim o entendemos.

Porém, por aqui ela se queda."

 

Podem ler o texto completo aqui.

 

Gostei do resultado final deste texto.

Espero que gostem também!

 

21
Nov17

Uma forma GIRA de passear por Lisboa.

CD

bicicletas gira.JPG

 

O fins-de-semana foi bom e cheio. Tão bom e tão cheio que fiquei mesmo com a sensação de ter descansado apesar de não o ter, propriamente, feito.

 

Tivemos direito a espetáculos, a passeios, a jantares, a desporto e a filmes. E, claro, a escrita.

 

Bom, mas o texto de hoje é sobre as bicicletas Gira que, no meio do nosso fim-de-semana, ainda conseguimos experimentar.

 

Para quem não sabe, Lisboa está apostar forte e feio na bicicleta como meio de transporte e, até para mim, que tenho uma relação umbilical com o meu carro, faz sentido.

 

Queremos ou não um ambiente menos poluído e com menos stress? Sim, claro!

 

Então, o que é a Gira?

É um serviço que permite a partilha de bicicletas. Basta pegar numa bicicleta numa das estações já disponíveis e, no destino, deixá-la noutra qualquer estação.

Na app, disponibilizada para o efeito, conseguimos ver quantas bicletas (e lugares vagos) há nas estações.

 

Começaram a abrir estações na zona da Expo e agora foi a vez da zona de Alvalade.

 

Bom, mas não vamos ignorar as 7 colinas, pois não? Não, claro que não vamos. Há bicicletas tradicionais mas também há elétricas (eu experimentei uma elétrica) o que torna tudo muito mais fácil!

 

Estações gira.png

 

Dá imenso jeito para as voltinhas de fim-de-semana e, se calhar, num horizonte temporal relativamente curto, para ir trabalhar. Talvez, talvez.

Experimentem! É mesmo giro, prático e amigo do ambiente.

 

Mais informações aqui.

 

20
Nov17

Steve McCurry - no Porto.

CD

The World of Steve Mccurry_755x470.jpg

 

Ia começar este texto dizendo que, quem segue fotografia com alguma atenção, sabe quem é Steve McCurry.

Mas depois, bom, depois lembrei-me que é impossível, alguém não ter visto, em algum momento da sua vida, a fotografia acima, que, em 1984, fez capa na revista National Geographic. A eterna menina afegã de olhos muito verdes que, na altura, tinha 10 anos.

Essa fotografia, lá está, foi tirada por Steve McCurry num campo de refugiados.

 

Pescadores en Weligama, Sri Lanka. Foto © Steve M

 

Eu sou fã do seu trabalho. As expressões, as cores, a composição: está tudo lá.

 

mw-1240.jpg

 

Steve_mccurry.jpg

 

Por isso, claro, fiquei muito feliz quando descobri que Steve McCurry tem uma exposição no Porto.

E, não sendo precisas muitas desculpas para visitar esta cidade, com este empurrão final, já estamos a combinar um fim-de-semana prolongado no Porto.

 

mw-1240 (1).jpg

 

Boa sugestão, não?

 

(informação horária e preços retirada do site https://www.noticiasmagazine.pt)

The World of Steve McCurry 
Alfândega do Porto
Até 31 de dezembro 
De segunda a sexta-feira das 10h00 às 18h00
Sábados, domingos e feriados das 10h00 às 19h00
Adultos: 11 euros
Crianças dos 4 aos 12 anos: 7 euros

Seniores e estudante: 9 euros

 

19
Nov17

A nossa história #1 Cromo número 32.

CD

CD Covilhã.JPG

 

A Maria Luísa chamou Maria Luísa à filha por Maria Luísa ser o nome da sua mãe.

 

A Maria Luísa neta não gostava do seu nome por não gostar da Maria Luísa avó.

 

A Maria Luísa avó vestia uma blusa leve, todas as manhãs, quer fossem manhãs de verão, quer fossem manhãs de inverno, quer estivesse calor, quer estivesse frio. As suas mãos eram frias, tais como os seus braços e os seus pés.

 

O pequeno-almoço da Maria Luísa neta era, quase todas as manhãs, tratado pela Maria Luísa filha, com esmero e dedicação.

 

Nas manhãs em que a Maria Luísa avó preparava o pequeno-almoço à Maria Luísa neta, o esmero e dedicação corporizavam-se em rodelas de indiferença, o leite era servido frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo.

 

Sem recheio, quer o leite, quer a carcaça, assim se ficava a Maria Luísa neta que comia sempre o pequeno-almoço, quer o mesmo tivesse sido feito pela Maria Luísa avó ou pela Maria Luísa filha, com bastante prazer. O que gostava, a Maria Luísa neta, era de comer.

 

A Maria Luísa neta vestia sempre uma camisola cardada creme e as mesmas calças azuis, com pelo por dentro e, sempre também, ficava com o corpo igual ao da Maria Luísa filha que, sendo sua filha, era igual ao da Maria Luísa avó.

 

Um dia, a Maria Luísa neta pede à Maria Luísa filha, que era sua mãe, o cromo número 32 que era, de resto, o cromo que lhe faltava para terminar a caderneta dos ursinhos parvos carinhosos.

 

O número 32 é um número redondo: o três enrola-se bem enrolado e o dois, apesar de acabar bicudo, começa também envolvido sobre si mesmo. Mas é, acima de tudo, este 32, um número quente e Maria Luísa neta sabia-o bem.

 

A Maria Luísa filha, que era sua mãe, disse-lhe que não podia comprar, indiscriminadamente, carteirinhas de cromos, na esperança que lhe saísse o cromo 32, e inventava, dizendo que leu que o cromo 32 não é, na realidade, um cromo e que a caderneta ficava completa exactamente como estava e que até mais dinheiro valia, daqui a uns anos, as cadernetas cujo cromo 32 lhes faltava.

 

Armou-se um berreiro, na casa da Maria Luísa avó, onde viviam, para além da Maria Luísa avó, a Maria Luísa filha e a Maria Luísa neta, com choradeira a voar e livros também.

 

Os dias passaram-se, a vontade de ter o cromo 32 continuava hirta e a Maria Luísa filha continuava a fazer ouvidos de mocos e a insistir na tese que era mesmo assim, que as cadernetas agora dão-se por terminadas sem o cromo 32.

 

Um certo dia, depois de as mãos frias da Maria Luísa avó terem preparado, o leite frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo, para o pequeno-almoço da Maria Luísa neta, saiu de casa, a Maria Luísa avó, como sempre o fazia.

 

Voltou, porém, nesse dia, mais tarde do que o usual: o frio já tinha descido ao nível das casas, o jantar já tinha sido comido pela Maria Luísa filha e pela Maria Luísa neta e ambas já estavam de robe vestido e com dois pares de meias por cima do pijama. Ambas já estavam quase a fechar os olhos, deitadas no pequeno sofá de frente para a televisão, demasiado pequeno para ambas. E ambas, também, acordaram com o baque de uma chave cravada na porta.

 

Era a Maria Luísa avó que, com as suas mãos frias, com os seus braços frios e com os seus pés frios, trazia, entalado entre os dedos polegar e indicador, o cromo 32. O cromo estava hirto como o frio e também hirto como a vontade de Maria Luísa filha o ter.

 

Um saco cheio, estendia-se pelas costas da Maria Luísa avó, onde constavam inúmeras carteirinhas abertas, todas cuidadosamente rasgadas na sua aresta superior e, também, inúmeros cromos com o número 6, 19, 27 ou outro. Nenhum deles era o 32, o número quente e arredondando, para além do cromo que a Maria Luísa avó pendurava nos dedos.

 

A televisão recitava a repetição de um qualquer programa.

 

No dia seguinte, com esmero e dedicação, a Maria Luísa avó preparou, à Maria Luísa neta, um leite frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo.

 

E, todos os dias daí para a frente, a Maria Luísa neta preferiu a frieza de um leite, sem chocolate e o abandono de uma carcaça sem conteúdo do que o esmero de um pequeno-almoço dedicado.

 

Todos os dias.

_____________________________________________________________________________________________________

 

A nossa história” são histórias que se mantinham presas, desde há uns tempos para cá, numa gaveta. Chegou a altura de verem a luz do dia. Todos os domingos sai uma nova história que, claro, não sendo sobre vocês, pode mesmo ser a vossa. Espero que gostem!

19
Nov17

A nossa história.

CD

Perguntei-vos, algures na semana passada, se tinham curiosidade nas histórias (ou contos, se preferirem) que escrevo.

 

Disseram que sim e eu agradeço.

 

Resolvi, então, todos os domingos publicar uma história.

 

Partindo da ideia que, não sendo sobre vocês, pode ser a vossa história, mas, claro, também a minha, esta rúbrica vai-se chamar, claro, “A nossa história”.

 

Porque em qualquer texto, frase ou palavra é sempre possível ver um bocadinho do que somos.


E, sim, escrevo para mim e para quem me lê
porque, no final do dia, são a mesmíssima coisa.

 

A primeira sai já hoje.

 

Até já!

17
Nov17

Plateia.

CD

Cd Maquina analogico 2.JPG

 (Fotografia analógica tirada pela minha prima Margarida.

Podem seguir o trabalho dela, no seu instagram @shadowplay35)

 

Nós temos uma plateia (a partir de quantas pessoas podemos começar a chamar plateia? três?) que nos lê que é igual a nós.

 

Parecendo que não, se entraves houvesse no que há escrita diz respeito, isto facilita muito a vida a quem escreve.

 

Esta plateia sente como nós e vive como nós. O ar que expele é igual ao nosso e as suas necessidades, claro, são as mesmas que as nossas.

 

Sempre que uma história é escrita, ela nasce daquilo que nós somos. Aquilo que queremos transmitir é sobre nós (ainda que não o seja diretamente) e é também, algures no meio dos parágrafos, sobre a plateia a que nos dirigimos.

 

Quando me perguntam se escrevo para mim ou para quem me lê, fico sempre confusa.

 

Eu escrevo para os dois lados porque, no final do dia, são a mesmíssima coisa.

 

É só isto.

16
Nov17

Fita métrica.

CD

fita métrica.JPG

 

Ultimamente, tenho escrito sempre rodeada do meu livro cor-de-rosa preferido mas também, não sei porquê, de uma fita métrica.

 

Sobre a fita métrica que veio parar à mesa de onde vos escrevo, a sua história inicial não sei, mas sei que foi usada numa formação cujo objetivo era definir e quantificar o tempo.

 

Sobre a definição de tempo, já vos falei, tenho bastante dificuldade em compreendê-la e é até um tema que me inquieta e que revisito com regularidade. Escrevo muito sobre isso (aqui e aqui).

 

A fita métrica, não pretende, julgo eu, ser um exercício macabro mas, apenas e só, realista.

 

Consiste em cortar a fita na esperança média de vida dos portugueses (julgo que é 83 anos) e voltar a cortar na nossa idade (aqui será, claro, os 33 anos).

 

Depois, bom, depois é analisar, com a fita que nos fica nas mãos, o pedaço que nos falta viver e o que queremos construir com ele.

 

Pensem nisto e não fujam já: seguramente que ainda falta muito para a vossa fita terminar.

 

15
Nov17

Histórias.

CD

Cd Maquina analogico.JPG

(Fotografia analógica - ainda não revelada - tirada pela minha prima. Podem seguir o trabalho dela, no seu instagram @shadowplay35)

 

Terão vocês algum interesse nos contos que escrevo e que nunca vos mostrei?

 

Na verdade, tenho muitos escritos. Outros tantos que, não estando escritos, estão quase a sê-lo. Podia publicar um por semana, que acham?

 

Retirado de um livro de Lucia Berlin:

“Exagero muito e misturo a realidade com a ficção, mas, na realidade, nunca minto.”

 

Sempre disse que a realidade dá bem conta do recado no que toca à ficção. Percebem agora?

 

Terão vocês algum interesse nos contos que escrevo?

 

Pergunto porque tenho mesmo muitas histórias para contar.

 

Uma delas, não sendo sobre vocês, pode ser a vossa.

Querem ler?

Mais sobre mim

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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