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insensatez

Por onde andam as cartas de amor?

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Por onde andam as cartas de amor?

Não troco a subtileza de uma carta de amor pelo despacho de uma mensagem.

As cartas de amor são necessárias. São indispensáveis. Nada substitui a crueza de um papel manchado pela caneta aguçada de alguém. Nada substitui a concentração de alguém a tentar uma caligrafia limpa, tratada, pouco inclinada. Nada substitui o cuidado na decisão do "vou começar aqui, vou começar ali", enquanto se amacia a folha imaculada.

Hoje em dia, diria eu, ainda se tornaram mais necessárias.

Numa altura em que prezamos o facilitismo, numa época em que estimamos a rapidez, o pouco pensamento, as decisões ágeis e execuções diretas, reforço a ideia de que, as cartas de amor, ainda se tornaram mais essenciais.

Suponho que não sou a única, mas prefiro mil vezes a calmia e ponderação de uma caneta a desenhar um trejeito de amor do que a velocidade e ganância de uma mensagem enviada a seco.

Por isso, pergunto: por onde andam as cartas de amor?

Por onde andam as pessoas com quem nos cruzámos há uns anos?

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Por onde andam as pessoas com quem nos cruzamos há uns anos?

Tenho genuína curiosidade em saber por onde andam o António e a Luísa. E a Laurinha, que era a filha.

A Laurinha partilhava comigo o ano de nascença, era loira e anafada e vestia, muitas vezes, calças cor de pinhão.

Brincávamos juntas, com aquela mola gigante que rolava de uma mão para a outra. Não sei se se chamava mola. E não sei, tão pouco, se era gigante. Mas, a mim, parecia-me.

Por onde andam as pessoas com quem nos cruzámos há uns anos?

Agora que rescrevo “há uns anos”, que faço contas à vida na lembrança, recordo-me que já passaram bastantes anos. Há vinte e dois anos, para ser mais explícita.

Há vinte e dois anos que não vejo a Laurinha, a menina loira, anafada, com calças cor de pinhão, com quem dividia a mola gigante que fazíamos rolar nas nossas mãos.

Sei que estou a envelhecer quando o “há uns anos” se transforma num “há muitos anos”, quando as tardes passadas com a Laurinha me parecem ontem mas que, contas feitas, já foram há uma vida.

Por onde andam as pessoas com quem nos cruzamos há uns anos?

Não se perguntam, por vezes?

 

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Ir a tempo.

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Dilatamos objectivos, protelamos aspirações. A altura não é a certa, temos mais que fazer, o bicho continua cá mas a confusão diária dos nossos dias, a futilidade dos nossos afazeres quotidianos, turva-nos a vista, ofusca-nos os verdadeiros quereres.

Muitas vezes ou, diria mesmo, demasiadas vezes, adiamos, adiamos, adiamos e, demasiadas vezes também, não vamos a tempo de concretizar o que, de facto, queremos. Tenho sempre a imagem de uma passadeira a acelerar, do corpo a galopar em cima dela, transpirado e esgotado e que, infelizmente, não consegue sair do sítio.

Não vou (não quero) dizer que adiamos sonhos – isso seria cair, com demasiada facilidade, em lugares comuns – mas não deixa de ser verdade.

Há umas semanas passei os olhos no título de uma notícia que dizia que uma senhora de 91 anos tinha conseguido terminar um doutoramento, que o tinha começado a escrever aos 58 anos, demorando, deste modo, mais do que 30 anos a concluí-lo.

Embora continue a considerar que não se devem retardar decisões fico sempre feliz com casos de concretização tardia de desejos. Passa-me a mensagem, na subtiliza da realização lenta dos sonhos dos outros, de que ainda vou a tempo.

E a sensação de “ir a tempo” é muito boa.

 

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Sobre a escrita (outra vez).

Gosto de escrever sobre a escrita.

Gosto de escrever sobre o acto de escrever.

Ao fazê-lo consigo orientar(-me), encarrilar as ideias e decifrar a importância que ela tem para mim.

Gosto de escrever sobre a escrita. Tal como gosto de escrever sobre escritores ou sobre livros que leio.

Tenho bastantes textos sobre as razões que me levam a escrever.

Gosto de escrever sobre a escrita.

Permite-me ler as minhas motivações.

Gosto de escrever sobre a escrita.

Mas também gosto de ler as motivações dos outros. Os motivos dos escritores mas não só: os motivos das pessoas que, tal como eu, investem tempo a deambular nas letras.

No fim, concluem sempre, que a escrita, pelo próprio escape que é, permite concretizar pensamentos e estipular raciocínios.

As razões que levam as pessoas a escrever?

Há para todos os gostos. Como as opiniões.

Gosto de escrever sobre a escrita.

Gosto de escrever sobre escrever.

 

Para quem escrever: o que é que vos leva a escrever?

 

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Sobre a escrita (novamente)

Gosto de escrever sobre a escrita. Gosto de escrever sobre o acto de escrever.

Ao fazê-lo consigo orientar(-me), encarrilar as ideias e decifrar a importância que ela tem para mim.

Gosto de escrever sobre a escrita. Tal como gosto de escrever sobre escritores ou sobre livros que leio.

Gosto de escrever sobre a escrita. Permite-me ler as minhas motivações.

Tenho bastantes textos sobre as razões que me levam a escrever. Mas também gosto de ler as motivações dos outros. Os motivos dos escritores mas não só. Também de pessoas que, tal como eu, investem tempo a passear nas letras.

No fim, concluem sempre, que a escrita, pelo próprio escape que é, permite concretizar pensamentos e estipular raciocínios.

A razão que leva as pessoas a escrever?

Há para todos os gostos. Como as opiniões.

Gosto de escrever sobre a escrita.

Gosto de escrever sobre escrever.

 

O que te leva a escrever?

 

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Vamos enviar mais postais?

 

 

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Passei pelo correio, no final de um dia de trabalho, e trazia, agrafados a mim, a minha carteira, a minha garrafa de água, o meu portátil, as chaves de casa e o telemóvel. Manobrei a vontade de seguir direta ao elevador e virei-me para o correio. A prever contas, publicidade e cartas das finanças a vontade de abrir aquela caixa nunca é muita.

Onde estão os postais? Pensei, nos meandros do meu equilibrismo para que nada me caísse das mãos.
Com a chave a não entrar à primeira, nem à segunda, o cansaço acumulado, as coisas a pesarem-me, a porta do correio lá cedeu.
E lá estava ele: o postal. Por cima de um imenso mar de publicidade, lá estava ele.
Com um selo pisado do lugar de origem, as pontas dobradas, a letra tremida de um lado, a imagem do local de outro. Lá estava ele.
A mensagem repleta de saudade, que li num sopro, ignorando tudo o que atrás referir. O cansaço deu, então, lugar à nostalgia, o peso de tudo o que transportava foi substituído pelo tremor da falta e, no final, a boa sensação de receber um postal rematou o embrulho. Subi então, finalmente, para casa onde, uma e outra vez, o reli.

Vamos enviar mais postais? :)

 

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Boa sexta-feira.

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