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(in)sensatez

19
Jan18

Afinal, o que se passa nas outras casas?

CD

Janelas Angfra do Heroisimo.jpg

 (janelas de Angra do Heroísmo)

 

Há pessoas que se sentem fascinadas por roupa, outras por pesca. Eu, de entre todos os meus fascínios escondidos, sempre me senti fascinada por portas e janelas. Talvez porque elas representam o acesso a um mundo privado, aquele que ninguém conhece, mas que todos temos curiosidade em conhecer.

Afinal, o que se passa nas outras casas?

 

Janelas Evora.jpg

 (janelas de Évora)

 

Cruzei-me com este fotógrafo completamente por acaso e, com esta sua iniciativa, ainda mais por acaso.

Chama-se André Vicente Gonçalves e fotografa… janelas. Umas atrás das outras. Em Portugal e no Mundo.

 

A Sapo Viagens também escreveu sobre este projecto. Podem ler aqui.

Vale mesmo a pena conhecer. Vejam o seu site aqui e o seu instagram aqui.

18
Jan18

Escrever não é apenas escrever.

CD

escrita.jpg

 

O sucesso é muito relativo. É tão relativo que, num grupo de 10 pessoas, se lhes fosse perguntado o que é que, para cada uma delas, o sucesso representaria, de certeza que dali sairiam 10 definições de sucesso, totalmente diferentes, totalmente válidas.

 

Para quem escreve, arrisco-me a dizer que, possivelmente, o sucesso é ser lido. Ser lido por muitas pessoas. Julgo que todos os que escrevem não o fazem apenas para guardar, em si, os recortes das memórias nas palavras debitadas. Não! Quem escreve e publica, num blog ou um livro, tem, como ambição, chegar a mais e mais pessoas.

 

Mas, aqui é que é o ponto, escrever dá trabalho. Porque escrever não é apenas escrever. Escreve é ver, (mas é mais do que isso) escrever é observar e depois apontar e imaginar e sentir, é, muitas vezes, sentir o que se está a imaginar, é transformar a imagem e as emoções em palavras, em frases, é lê-las e odiar tudo o que se escreveu e é, também, querer desistir, querer desistir muitas vezes mesmo, é rescrever tudo, é salvar, e desligar e é, no dia seguinte, reler e não gostar e voltar a escrever e perceber que ainda não está perfeito.

 

Por isso, pela complexidade que a escrita em si encerra, há muitas desistências pelo caminho porque escrever suga-nos até ao tutano.

 

As pessoas iludem-se e desistem porque, no geral, as pessoas são seduzidas por uma ideia de sucesso que veem acontecer a quem se sacrifica diariamente em nome da escrita. Só lhes chega a ponta do iceberg, o produto final, aquele que é consumido, na maior parte das vezes, em 5 minutos, quando se está na sanita ou a fazer aquele scroll no facebook e esbarramos num texto cujo título até é aliciante.

 

Este sucesso, ou este reconhecimento, este texto escrito por nós, tem incontáveis horas de trabalho, muitas delas tiradas à família, aos fins-de-semana de praia ou de filmes, às noite bem dormidas e ao sono descansado.

 

Quem escreve e trabalha e vive tudo isto de forma séria, sabe bem do que é que eu estou a falar. E quem escreve apenas, não tendo outro trabalho, também sabe, porque escrever apenas nunca é escrever apenas: é um trabalho a vinte e quatro horas.

 

Procurem a vossa singularidade e trabalhem. Trabalhem muito. Para o sucesso poder fazer todo o barulho que ambicionam.

 

Os outros estarão cá para vos ler.

17
Jan18

Opinião: The Killing Fields (vamos falar de clássicos?)

CD

 

The_KillingFields_1984_14.jpg

 

Há uns tempos, no instagram, após ter visto dois filmes de guerra, filmes clássicos, questionei se fazia sentido escrever sobre eles. São tão, tão, tão antigos que, pela surpresa da opinião, julguei já não fazer sentido.

 

Até fiz um daqueles questionários modernos, para avaliar a aceitação de um post sobre os ditos. Mas as pessoas disseram que sim, que valia imensooo a pena, que queriam imensoooo saber a minha opinião e, por isso, queriam imensooo que eu falasse sobre ambos (bom, se calhar, não foram assim tão calorosas mas isso não interessa nada).

 

Coloquei também os dois filmes à consideração sobre qual queriam que escrevesse. Como houve empate técnico, decidi escrever, lá está, sobre ambos.

 

Começo pelo The Killing Fields (Terra Sangrenta, título em português), porque foi também o primeiro que vi.

 

O The Killing Fields retrata a história relativamente recente (anos 70) do Cambodja que, infelizmente, passa ao lado de muitos ocidentais.

 

Aconteceu quando o regime do Khmer Vermelho, governo comunista, cujo líder era Pol Pot, assassinou, aproximadamente, 2 milhões de pessoas (um quarto da população do país), em quatro anos.

 

As pessoas eram enviadas para campos de trabalhos forçados, os chamados “The Killing Fields”, onde acabavam por morrer à fome, torturadas ou executadas. No meio desta reforma agrária, este regime totalitário e sangrento, perseguia minorias étnicas e intelectuais, assassinando qualquer pessoa que soubesse línguas ou que tivesse algum tipo de instrução.

 

O filme conta a história de dois jornalistas: um americano (Sydney Schanberg), correspondente do “New York Times”, e outro cambojano (Dith Pran) e, entre os dois, nasce uma bonita amizade.

 

Porém, Sydney, após a entrada dos Khmer Vermelhos, não consegue salvar Dirth que é, então, enviado para os “Killing Fields”.

 

Entretanto, Sydney regressa aos Estados Unidos da América, onde é galardoado com importantes prémios jornalísticos mas a ausência de notícias de Dirth não o deixa seguir em frente.

 

O resto não conto, apenas digo que é baseado numa história verídica e que nos dá uma noção muito real do que foi aquele que é considerado um dos maiores genocídios da humanidade.

 

O filme ganhou diversos óscares incluindo o de melhor actor secundário.

 

Vale muito a pena ver.

16
Jan18

Pacto de não agressão.

CD

Nunca tive, propriamente, muita razão de queixa no que toca às pessoas que me seguem. Fora um ou dois comentários mais chatos, que rapidamente foram remetidos para o lixo, as pessoas, de uma forma geral, sempre foram sérias e educadas no debate dos temas que lanço no blog. E não, não precisam de concordar comigo. Até podem discordar. Na verdade, até gosto que discordem, pois, só assim, é que todos nós evoluímos, uma vez que, ao discordarem, remetem-nos para ângulos que não reparámos antes. A prova de que uma discussão pode ser saudável é a quantidade de comentários (muitos deles a concordar, é certo) que estou a receber no meu texto sobre as “Quotas”. É mesmo possível que, perante um texto polémico, as pessoas conversem, exprimam pontos de vista e mostrem as suas motivações, sem nunca agredir. 

 

Vamos todos tentar mais vezes isso?

15
Jan18

As quotas são uma forma de discriminação.

CD

apresentadoras.jpg

 

Há já mesmo muito tempo que queria lançar aqui o tema das “quotas”. O comentário, da Rita Ferro Rodrigues, direccionado à escolha feita pela RTP das quatro apresentadoras que vão apresentar a Eurovisão, foi o motivo que precisava para lançar o tema.

 

Aqui está o comentário, da Rita Ferro Rodrigues, lançado no twitter:

"Vejamos: 2017 foram só homens a apresentar a final da Eurovisão, 2018 só mulheres. Nada a apontar. Grave é o facto de ambos os painéis serem compostos apenas por pessoas brancas. Por tudo o que isto significa ao nível das oportunidades e da representatividade. Falamos sobre isso?”

 

Gostava de fazer aqui um parênteses antes de entrar no tema das “quotas”:

 

Apesar de não conhecer pessoalmente a Rita Ferro Rodrigues, aquilo que passa nas redes e na televisão, não me agrada particularmente e, consequentemente, por ela não nutro uma grande simpatia. Obviamente, que isto é uma opinião minha, que em nada impactaria num eventual reconhecimento relativo a algo que ela, na minha perspectiva, fizesse bem. A Rita tem, em mãos, uma causa nobre pois, para quem não conhece, é a fundadora de uma plataforma feminista, de seu nome CAPAZES, cujo propósito é, em teoria, correr atrás da igualdade dos direitos e oportunidades entre os géneros. Vou mais longe: uma causa nobre, necessária e urgente! Ainda há muito trabalho a fazer neste caminho. Nisto, julgo eu, estamos todos de acordo. Sucede que, a Rita, ocasionalmente, lança uma polémica, através de comentários cujo objectivo, a meu ver, é misturar o essencial ao acessório. Foi ela que, por exemplo, lançou a bomba dos livros da Porto Editora: uma guerra sem sentido como, aliás, ficou provado mais tarde.

 

O problema quando se mistura muita informação, essencial e acessória, é que, às tantas, as pessoas deixam de ver o essencial, perdem-se na luta que inicialmente travaram, esquecem-se dos pontos importantes, baralham-se na confusão e começam a enrolar-se no acessório, transformando tudo numa salganhada que não tem descrição. Já ninguém sabe sobre o que está a falar nem qual a luta prioritária.

 

Ela tem, claro, todo o direito em expressar-se e de passar cá para fora todas as suas inquietudes. Na minha perspectiva, julgo apenas que podia estar mais focada na sua luta feminista. Penso que ganhávamos todos mais com isso.

 

Ora, o tema que a Rita lançou, apesar da salada russa, toca no tema "quotas" e isso é de valor.

 

Basicamente, interpreto eu, ela referiu que as apresentadoras são boas e tal mas que, bom, devíamos ser mais inclusivos no que toca aos tons da pele.

 

É aqui que discordamos.

 

Não acho que alguém tenha que ser excluído por ser negro mas também não me parece bem que alguém seja recrutado apenas por ser negro.

 

Todas aquelas apresentadoras, na minha opinião, são boas apresentadoras (desconheço apenas a Daniela Ruah enquanto apresentadora, mas até compreendo a sua escolha atendendo ao facto de ela ser uma figura com reconhecimento internacional e fluente em inglês). Diria que, estas quatro apresentadoras, são o crème de la crème da apresentação portuguesa.

 

Eu não quero viver num país em que a escolha seja feita com base em critérios que não seja unicamente o do profissionalismo. Não quero viver num país em que a escolha é feita para cobrir quotas: 25% brancos, 25% negros, 25% chineses, 25% indianos, onde, dos 100%, 30% são homens heterossexuais, 30% mulheres heterossexuais e 30% pessoas homossexuais e 10% bissexuais.

 

Mas o que é isto? É esta a sociedade que pretendemos construir? Onde, às tantas, estamos a contratar com base em critérios como a cor da pele ou a orientação sexual só porque não queremos ser multados?

 

Sou contra as quotas porque são uma forma de discriminação.

 

Acho que é importante debater-se este tema e, desta forma, não considero o comentário da Rita irritante ou de quem não tem mais nada que fazer. Só o acho descontextualizado atendendo ao facto que ela tem um propósito grande para abraçar.

 

A minha sugestão é que ela não misture as histórias e que se foque no feminismo de forma séria e direccionada, caso contrário, inevitavelmente, acaba por misturar o acessório com o essencial e está tudo estragado.

 

Qual a vossa opinião?

10
Jan18

A noite em que Hollywood se vestiu de luto.

CD

globos de ouro 2018.jpg

 (Gabriel Olsen/ Getty Images)

 

Esta edição dos Globos de Ouro ficou marcada pelos protestos como forma de condenação ao assédio e abuso sexual.

 

Num ano em que as mulheres resolveram falar, onde, através do movimento #metoo, deram a cara e apontaram dedos, era espectável que algo fosse feito para chamar à atenção deste tema. Uma cerimónia como os Globos de Ouro, com esta visibilidade, contexto e pessoas, parece-me o sítio perfeito.

 

Ainda bem que não deixaram cair o tema. Este assunto não pode morrer.

 

Há, porém, um ponto que queria sublinhar. Li, por esta internet fora, alguns comentários maus às (julgo que apenas) três mulheres que não se vestiram de preto nessa noite.

 

Não consigo entender, por mais anos que viva, esta sede insaciável de arranjar bodes expiatórios. Estes ataques são reflexo cru deste mundo que estamos a criar, cada vez mais intolerante à diferença, apesar de todo o trabalho feito em prol da igualdade.

 

Não está em causa se faz sentido elas irem de preto ou amarelo. Para mim, faria sentido irem de preto. PARA MIM. Isso não me dá o direito de insultar quem vai de outra cor. As pessoas são livres de abraçarem as causas que querem e utilizarem as formas de protesto que melhor entendem.

 

Gostei desta forma de manifesto contra o assédio e abuso sexual. É indiscutível a força que a mancha de cor negra teve. Apaixonada por preto, claro que também gostei de alguns vestidos mas isso é irrelevante para o tema.

 

O que não é irrelevante é que as pessoas percebam, de uma vez por todas, que podem condenar o assédio e abuso sexual mas não serem a favor desta forma de protesto. Ou pode, simplesmente, acontecer não lhes apetecer ir de preto.

 

E legítimo e é de respeitar. 

 

Mais tolerância, por favor.

09
Jan18

Os tempos modernos e a liberdade de expressão.

CD

O tema da Liberdade de Expressão não é novo, por estas bandas.

Hoje trago-vos um artigo do João Miguel Tavares sobre a intervenção que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) fez devido a um artigo de opinião de José António Saraiva, onde o mesmo escreve sobre a cirurgia de mudança de sexo.

 

Podem ler aqui.

 

Qual a vossa opinião?

08
Jan18

Quanto tempo vai durar a recordação de nós?

CD

 

DSCF6472.JPG

 

Não estou a falar da nossa recordação ou da nossa capacidade de memória. Refiro-me à recordação que têm de nós.

 

Penso tantas vezes nisto.

 

Quantos de nós se lembram dos seus trisavós? Quem os conheceu realmente? Ainda repetem as suas histórias, as histórias que ouviram de boca em boca, ou já caíram completamente no esquecimento?

 

Imagino, dos bisavós para trás, que não conheci nenhum, todos a preto e branco e sem se rirem.

 

Não sei os seus nomes, eles foram esquecidos, as suas histórias não saltitaram, não foram, de algum modo, registadas e, consequentemente, foram todos apagados da nossa memória.

 

“Nós vivemos enquanto falarem de nós.” – Acredito muito nesta frase cujo autor desconheço mas que é possível que seja o meu pai.

 

Daqui a 100 anos ninguém se lembrará das nossas feições, dos nossos tiques, da nossa voz. As nossas histórias deixarão de ter importância e o mais certo é terem sido esquecidas.

 

Isto é só para concretizar o quão insignificantes todos somos.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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