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(in)sensatez

03
Ago17

Um dia como os outros.

CD

Quando ocorrem desgraças como aquela que aconteceu ontem na Praia de S. João da Caparica, onde uma avioneta caiu na praia provocando a morte a dois banhistas que por ali estavam, quando estas tragédias ocorrem tão, mas tão perto de nós, afinal, podíamos ser nós (ou alguém dos nossos) a estar naquela praia, naquele dia, àquela hora, penso sempre no quanto a vida nos dá mas também no quanto nos tira, sem qualquer remorso, sem qualquer culpa e sem nunca - nunca - pedir licença.

 

Acabamos todos por ser umas marionetas, entregues à vontade do destino. Aquelas pessoas levantaram-se de manhã, vestiram os seus fatos-de-banho, escolheram a roupa de praia, preparam as toalhas, as bolas, as lancheiras, as garrafas com água, meteram-se nos seus carros, iam, provavelmente, aproveitar um descansado dia de calor quando, do nada, uma avioneta aterra no areal e lhes ceifa a vida.

 

Andamos a vida toda a programar o nosso futuro, a selecionar as escolas por onde andamos, os cursos que queremos tirar, as faculdades para onde queremos ir, os empregos a que devemos concorrer, controlamos tudo ao detalhe, a casa, o carro, os restaurantes e, na imprevisibilidade da vida, dos dias que se sucedem, somos arrastados maré fora, num dia em que acordamos igual a todos os outros e fazemos a vida como sempre.

02
Ago17

Calor.

CD

Não quero fazer sentir mal quem escolheu, estes dias para férias, à espera de calor abrasador.

Mas a mim, que estou a trabalhar, tem-me sabido muito bem estes fresquinho durante o dia.

Hoje já aqueceu.

Amanhã ainda vai aquecer mais.

E, depois, entro eu de férias.

 

:)

02
Ago17

Onde nos rimos?

CD

Como sabem, sou fã do Maluco Beleza. No outro dia, resolvi ver um pedaço da entrevista ao Gregório Duvivier.

 

O Duvivier, a dada altura, referiu que nos rimos mais com amigos, no nosso próprio ambiente, do que em ambientes que não conhecemos – até deu o exemplo que ninguém se vai rolar a rir numa sala de espetáculos; é algo que reservamos para quando estamos com os nossos.

 

Deu também o exemplo da série Friends (a minha série preferida de sempre) onde, no início, não achamos grande piada aos episódios e só depois, quando começamos a conhecer as personagens, os seus jeitos, as suas manias, quando nos afeiçoamos a elas, é que nos rimos valentemente, até dizemos frases como: “isto é mesmo à Ross”, como se, de facto, o conhecêssemos e da vida dele fizéssemos parte.

 

Eu concordo plenamente.

 

Tenho muito mais facilidade em fazer rir as minhas amigas do que uma plateia totalmente desconhecida (num jantar, por exemplo, com amigos de amigos) onde, tenho a certeza, quando mando uma piada, todos pensam: esta é doida. Não sendo inteiramente mentira, a verdade é que os meus amigos se riem com alguma facilidade com aquilo que eu digo e os desconhecidos, bom, acho que se assustam :)

 

Em casa, com os nossos, tudo flui de outra forma.

 

O humor precisa mesmo de casa. O humor precisa de carinho. O humor precisa das nossas pessoas. Só assim resulta.

01
Ago17

A vida em palavras-chave.

CD

1234.jpg

 

Numa apresentação a que assisti recentemente referiu-se que uma grande parte do nosso mundo gira em torno das palavras-chave: as do alarme, a do telemóvel, do computador, do facebook, das mil contas de e-mails, das trezentas mil aplicações que temos e que achamos que já não conseguimos viver sem, as dos bancos, das finanças, da segurança social, dos sistemas empresariais, dos multibancos, aquelas que servem para confirmar transações, para confirmar registos, para fazer registos, entre muitas, muitas, muitas outras situações.

 

Ficava mesmo muito feliz se se pudesse usar sempre a mesma: espetava com um 1234 em todo o lado e resolvia o assunto. Mas não, aparentemente, é uma palavra-chave “fraca”, aparentemente tem que ter uma letra, uma maiúscula e, pelo menos, 6 caracteres para se considerar “forte” e eu, que gosto de me imaginar uma pessoa forte, envergonho-me perante mim própria, por ter criado uma palavra-chave fraca e lá vou eu refazer o que primeiramente elaborei.

 

Depois, quando passa um ano sempre com a mesma palavra-chave “forte”, lá vem o lembrete a dizer que, por questões de segurança, temos que voltar a mudar. E lá vou eu, novamente, repensar uma palavra-chave “forte”, mais uma para incluir à lista de milhões de palavras-chave já por mim criadas.

 

Para mim, porém, o ponto alto (e mais deprimente) na construção de um registo, após termos criado um utilizador, uma palavra-chave, após termos dito quantos anos temos, o nosso número de calçado, a nossa cor preferida, o nosso livro preferido, o nosso animal preferido, que somos casados, após termos colocado toda a nossa informação mais pessoal e intransmissível, é quando nos perguntam: és um robot?

 

Juro que a primeira vez que vi esta pergunta, com um “quiz” de imagens para identificar aquelas que tinham placas de rua, achei que era para os apanhados.

 

Não, eu não sou um robot - ainda tentei escrever (mas não havia um sítio disponível para tal).

 

Não estou preparada para que questionem a minha inteligência de forma tão básica e crua - não, eu juro mesmo que não sou um robot.

 

Mais preparada estou para reconhecer a fragilidade que há em mim e a tendência para arredondar, as palavras-chave, com um 1234. Para isso, a partir de agora, podem mesmo contar comigo.

01
Ago17

NiT e o jornalismo de qualidade.

CD

O meu problema com a NiT foi que, assim que ela surgiu, comecei a ler as crónicas que por lá apareciam e estavam sempre cheias de erros. Dei o benefício da dúvida porque, na verdade, era uma revista a lançar-se, com muita coisa a precisar de ser afinada, e eu sei bem como custa começar.

 

Na comparação, apesar do propósito não ser, de todo, o mesmo, o Observador, como informação online, ganhava pelo cuidado ao nível dos textos.

 

Meti like na página da NiT, e fui seguindo porque, a bem dizer, a NIT dá até sugestões giras e visibilidade a algumas marcas que, de outro modo, ficava sem conhecer. Gosto também de saber as novidades da minha cidade e em formato online, para mim, acaba por ser mais fácil.

 

Mas, bom, depois há o clickbait, num desespero bastante notório de atrair cliques e visualizações.

 

E depois surgem artigos com títulos como: “Casas perfeitas para fazer uma escapadinha discreta com a sua amante” e eu fico a pensar mas onde, onde é que está o jornalismo de qualidade, isento, profissional e com boa informação?

 

Isto agora vale tudo?

 

(nota: não coloquei o link do artigo de forma intencional - não quero ser mais uma a contribuir para o mau jornalismo)

31
Jul17

Raviolis.

CD

No outro dia, ao almoço, duas senhoras muito bem-postas, sentaram-se na mesa ao lado da minha. Nesse dia, decidi almoçar sozinha, uns raviolis rápidos, dado que estava com bastante trabalho e queria despachá-lo rapidamente.

 

Pediram, as senhoras muito bem-postas, uma pizza “para dividir” e uma salada também “para dividir”.

 

Durante a espera: uma falava, outra ouvia. Quando chegou o almoço: uma falava, outra ouvia. Uma falava mesmo muito, outra ouvia mesmo muito. Uma só falava, na verdade. Outra só ouvia, também na verdade.

 

As nossas mesas estavam próximas e as senhoras, uma que só falava, outra que só ouvia, falaram sobre os filhos, falaram sobre os netos, falaram sobre os médicos mas também falaram sobre os melhores spots da cidade. Sim, falaram sobre os rooftops da moda, sobre quais os que serviam boas sandwiches a acompanhar os cocktails de Verão - na verdade: uma delas falava muito; a outra, bom, a outra só ouvia.

 

De vez enquando, a que só ouvia, lá lançava uma frase suave que, depressa era abafada, pela resposta rápida da outra – a que só falava.

 

Estive ali, enquanto esperava e comia os meus raviolis, a ouvir a conversa entre a que só falava e a que só ouvia. E, depois, quando chegou a minha conta e me preparava para sair, percebi: há, de facto, uma tendência clara para nos enquadramos naquilo que nos é inato - falar quando somos de falar, ouvir quando somos de ouvir - mas isso raramente quer dizer que quem calado esteja, nenhuma coisa tenha para dizer.

 

Raramente.

27
Jul17

E sobre o Tinder?

CD

tinder.png

 

Certa vez, uma amiga minha que vive nos States, disse-me que lá era normalíssimo a malta estar inscrita em sites do género dos do Tinder.

 

Na altura, lembro-me de ter comentado com o Ricardo que havia uma grande lacuna, a esse nível, no mercado português (sempre a pensar em negócios, eu sei). O nosso país, sendo um de brandos costumes, ainda teria que dar um grande passo ao nível da mentalidade para aceitar uma app do género.

 

A chegada do Tinder foi, porém, mais rápida do que aquilo que pensei.

 

Quando o Tinder surgiu (ou, entrou com força, em Portugal), no início, eu, rapariga um pouco conservadora a viver num país conservador, tinha muitas reticências quanto a sua entrada do nosso mercado. Uma coisa era pensar numa app do género de forma genérica, identificar aqui uma falha no mercado, outra, bem diferente, era concluir que, bom, era uma realidade demasiado “fora” que se estava a impor por estas bandas.

 

Com o tempo, foi-se verificando que, afinal, este país à beira-mar plantado, de país recatado já teve mais, e algumas pessoas que até conhecia bastante bem foram, entretanto, parar ao Tinder.

 

Fiquei naquele limbo, entre o que achava eticamente correto e as vantagens práticas da aplicação. Hoje tenho, sem dúvida, uma opinião, muito mais consolidada.

 

Para já, o que é que isto tem a ver com eticamente correto? O Tinder é um local. Virtual, é certo, mas não passa de um local, como podia ser um restaurante, um museu ou uma sala de congressos. O propósito da sua existência pode não ser o mesmo do de um restaurante, de um museu ou o de uma sala de congressos mas, na sua génese, não passa de um local.

 

Ora, eu sou casada e estou com a mesma pessoa há quase dez anos. Como calculam, recentemente, não me coloquei na posição de solteira mas sei que, quem o é na minha idade, não tem a vida facilitada, no que toca a arranjar um partner.

 

Isto sucede porque os grupos estão formados, os casais também mas, mais importante, os ciclos por onde andamos acabam por ser sempre os mesmos. Quanto atingimos a marca dos trinta, deambulamos, basicamente entre casa, trabalho, amigos de sempre e ginásio. Não temos, portanto, muita facilidade em conhecer pessoas novas porque os meios por onde nos movemos acabam por ser limitados.

 

Desta forma, de um modo totalmente direto e descomplexado, tenho a certeza que o Tinder, ainda que, bom, nem sempre tenha intenções de um casamento para sempre (nem é isso, na maior parte das vezes, que se pretende), pode (e deve) ser um meio para as pessoas se conhecerem e, claro, sairem dos círculos de todos os dias.

 

Qual a vossa opinião?

26
Jul17

O mundo é de todos. De T-O-D-O-S.

CD

Peões que andam no meio da estrada, como se o mundo fosse vosso, tenho uma notícia para vos dar: ele não é só vosso!

O mundo é de T-O-D-O-S! Em partes iguais, e não há cá excepções!

Parem de agir como se andar no meio da estrada, onde passam carros, fosse a coisa mais normal do mundo.

Parem, por favor!

 

(nota-se muito que passei a manhã nas finanças?)

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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