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(in)sensatez

(in)sensatez

19
Jun17

Ajudar Pédrogão Grande.

CD

Vim de férias e choquei de frente (como quando estamos a dormir profundamente e acordamos abruptamente com um berro) com a tragédia (não há palavra melhor) que afectou Pédrogão Grande.

 

No meio de todos os “ais” e “uis” sempre em busca de culpados, no meio destas redes sociais a arranjarem logo bodes expiatórios, sente-se (sempre) uma enorme onda de solidariedade. Sente-se amor. Sente-se aquele sentimento tão mas tão português, sente-se força, sente-se aquele abraço de Marcelo ao Secretário de Estado da Administração Interna. Somos todos tão humanos.

 

Custa ver as imagens e é importante que nós, que estamos confortáveis nos nossos sofás, que até passamos umas férias descansadas, que fomos e viemos de boa saúde, que tantas vezes não damos o mínimo valor a isto e que, em contrapartida, damos tanta importância a outras coisas, é importante que nós, reforço, que estamos bem, que estamos vivos, que saibamos como ajudar.

 

Como ajudar?

- A Caixa Geral de Depósitos criou uma conta solidária - Unidos por Pédrogão Grande - mais informações aqui;

- Linha Telefónica Solidária da SIC de Apoio às Vítimas - 760 100 100 - Custo da Chamada € 0,60;

- A Rádio Comercial passou a seguinte mensagem:

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 Vamos ajudar?

 

 

 

17
Jun17

Não gosto da palavra falecer.

CD

Não gosto da palavra falecer. É redonda, enrola na língua e na sua essência. Normalmente, não a utilizo. Mas, ocasionalmente, mais para defender sensibilidades alheias, sou obrigada a usa-la. Acho-a, se quiserem, uma palavra cínica, uma junção de letras que pretende apaziguar o que, de facto, traduz. Uma palavra que quer dobrar a realidade, dobrar a força, apaziguar o ânimo, embalar os sentimentos. Não gosto da palavra falecer. Prefiro a forma incisiva e concreta que enche a palavra morrer. Os "erres" gravam a força do que significa, rematando a dor, fortalecendo o acto. Morrer significa morrer. Por muitas voltas que se dê: morrer significa morrer. Não há palavras suaves para suavizar a mais dura das verdades. Não há pés levantados, saltitando receosos, com medo de chocar. É solidão, escuridão, nudez, frieza e gravidade. Tal como a morte é. Tal como a morte se quer. Tal como a morte existe. Morrer significa morrer.

16
Jun17

As assinaturas acompanham-nos.

CD

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Todos os livros por mim comprados, são alvo, logo no início do nosso relacionamento, de uma perversa violação. Saco sempre da caneta e, sem dó nem piedade, registo para todo sempre, a sua primeira proprietária. Assim, na sua primeira folha, escrevo o meu nome juntamente com o mês e o ano de compra. Aqui há uns tempos, herdei alguns livros dos meus pais, naquilo que foi uma espécie de Natal antecipado. Trouxe para férias, para saborear durante esta semana, o Triunfo dos Porcos, de George Orwell, que veio nessa remessa de livros adquiridos. Ontem, quando folheava o livro, cruzei-me com a assinatura do meu pai, no verso da sua última folha, e com a data de compra do livro, um 4/7/77 alongado e fino, como é sempre a sua forma de escrever. A assinatura, essa, nos últimos 40 anos, mudou. Tornou-se ainda mais alongada, ainda mais fina, com o nome ainda mais esbatido, ainda mais arrastado, mas onde ainda se detecta, o A de António, de forma perfeita e transparente. Mudamos. Mudamos sempre. As assinaturas acompanham-nos. Disso não tenho dúvidas.

12
Jun17

Banco de Jardim.

CD

Não foram as árvores, corretamente esticadas, que serviam de moldura ao banco de jardim da Praça de Espanha, que me chamaram a atenção. Também não foi, tão-pouco, o banco que se endireitava simetricamente entre elas. Foram eles os dois, velhinhos e encurvados, enrolados sobre si mesmos, a dividir o livro que ela mantinha seguro no seu colo. Era um livro grosso, de onde saiam dois marcadores, em partes diferentes da história. Cada um lia à sua velocidade, cada um lia ao seu querer. O amor quer literatura, disso não tenho dúvidas, mas também quer calma, mas também quer paz. E quer, especialmente, árvores e bancos do jardim e o mesmo livro lido, ao mesmo tempo, a duas velocidades. 💛

07
Jun17

Neste país, és culpado até seres considerado inocente.

CD

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Hoje de manhã, enquanto tomava uma bica numa pastelaria ao pé de casa, começavam, na televisão, os esclarecimentos de António Mexia sobre o processo onde está envolvido e, no qual, foi constituído arguido.


Tinha algum interesse em ouvi-lo, mais por curiosidade do que por outra coisa qualquer, porém, o barulho das chávenas e das conversas ventiladas ao compasso do pequeno-almoço abafavam completamente todo o seu discurso.


Ao meu lado sentaram-se três pessoas com idades a rondar os 50 anos. Uma delas, com o timbre de voz claramente levantado, dizia para os outros dois - e para quem mais quisesse ouvir - que "este" devia era ser preso junto com o Salgado e todos os outros "gatunos" que para aí andam. Continuou no seu chorrilho de divagações, dizendo frases como "ele que fosse mas é roubar para a estrada" e "é preciso ter muita vergonha na cara para aparecer na televisão para prestar esclarecimentos".


Obviamente que aquela situação me desagradou, não gosto de estar num café, relativamente cedo, a levar com estes filmes, e lancei-lhe imediatamente um olhar duro, o meu olhar possível para aquela hora (crítica) da manhã, que despoletou imediatamente como reação nos companheiros da dita pessoa, que lhe disseram, de forma pouco discreta, para falar mais baixo.


Fiquei a pensar que a PJ, o DCIAP e os demais organismos envolvidos têm, de facto, feito um trabalho notável no que toca à luta contra a corrupção mas, bolas!, acho incrível a forma como as pessoas já nem dão o benefício da dúvida. 


Qualquer cargo alto, de qualquer empresa, qualquer cadeira de poder é imediatamente associado a corrupção! Na cabeça daquele senhor - e, seguramente, de muitos outros senhores - qualquer arguido é culpado! Mas não é! Num Estado de Direito, como o nosso, não é culpado! Num Estado de Direito, como o nosso, há a presunção da inocência. Num Estado de Direito, como o nosso, uma pessoa não pode ser condenada, em praça pública, quando criminalmente ainda não o foi! Não faz sentido. 


Espero, sinceramente, que o senhor que apanhei no café, esta manhã, nunca seja indiciado de nada, espero que tenha a consciência tranquila no que toca às contra-ordenações na estrada, às multas da EMEL e às quotas do condomínio, espero que tenha uma vida exemplar, um registo imaculado e todas as suas prestações em dia mas espero, especialmente, que nunca seja apanhado numa curva qualquer, mesmo no meio de um incidente que lhe seja completamente alheio, e que não apanhe outro, igual a ele mesmo, que o condene muito antes de o ser verdadeiramente.

06
Jun17

Ídolos.

CD

O sangue que nas veias corre, o ar que pelos pulmões passa, o frio que na pele se sente.

Serão os nosso ídolos assim tão diferentes de nós? Estarão os intocáveis assim tão longe de nós? Sentirão, todos aqueles que o mundo há muito idolatra, na mesma medida que nós? Precisamos de heróis, de pessoas planetárias, de figuras inspiradoras.

Imaginamos que não sintam, que não comam, que não respirem, que não existam da mesma forma que nós. Mais do que imaginar, precisamos que assim o seja.

Mais que não seja para nos convencerem que, tudo aquilo que sentimos, tudo aquilo que temos, tudo aquilo que somos, é concretamente terreno, absolutamente tangível, completamente real.

E isso, para nós, que vivemos na vida de todos os dias, basta.

E ainda bem.

05
Jun17

A minha curiosidade, os escritores e o Booklovers.

CD

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 Fotografia de Fernando Dinis

 

Não conheço Tânia Ganho. Mas ela tem um quadro de um pintor de que gosto muito.

A minha curiosidade não se manifesta na vontade que sinto em saber como são nas casas dos VIPs, as roupas dos VIPs, os filhos dos VIPs. Diz-me mais sobre eles, os livros que leem, as estantes repletas deles, os quadros que possuem ou que desenham, os filmes que veem ou os textos que escrevem.

Gosto de folhear as revistas cor-de-rosa mas onde visto a minha vontade de conhecer é mesmo nas fotografias, nos textos, nas entrevistas aos meus escritores preferidos.

Sigo o Booklovers, que tem como subtítulo “Escritores, escritores e escritores. Um projecto fotográfico de Fernando Dinis”. Não sei muito mais para além do que este subtítulo traduz mas, o que por lá anda, basta-me para alimentar a minha curiosidade.

Não conheço Tânia Ganho. Mas ela tem um quadro de um pintor de que gosto muito.

Irei ler sobre ela.

05
Jun17

Povo exigente!

CD

Percebo que (alguns) portugueses não gostem de Cristiano Ronaldo. Tenho mais dificuldade em perceber que não queiram que o Real Madrid ganhe por ele lá estar. 
Há, de facto, pessoas que querem e vibram para que o nosso maior português, aquele que é sempre o primeiro a chegar e o último a sair dos treinos, aquele que é o reflexo directo que com trabalho e dedicação (e talento) tudo se consegue, não tenha bons resultados. 
No meio disto, penso sempre que aguardo (e quero!) o dia em que se comece a valorizar o trabalho, o empenho e a dedicação, em que se deixe, de lado, os gostos pessoais, em que se arrume a inveja e em que se deixe de procurar o deslize dos outros para valorizarmos a nossa vida. 
Quero o dia em que se comece, verdadeiramente, a reconhecer quem é bom, em que se olhe para os bem sucedidos deste país como um exemplo a seguir, e nunca como um alvo a abater. 
Quero o dia - anseio mesmo - em que nos sentemos nos valores certos, naqueles que nos fazem melhores pessoas e que nos ajudam a enaltecer e a valorizar alguém pelo que conquistou na vida, deixando para trás o bimbo, o gel, os brincos e tantos outros "defeitos" que esse alguém possa ter.
O melhor do mundo é português e, mesmo assim, há quem contra ele esteja!
Povo exigente, este!

03
Jun17

Muitas armas e algumas rosas.

CD

Não que não quisesse ir ao concerto dos Guns N’ Roses mas, pela presença forte das suas músicas na música que ouvimos todos os dias e que, muitas vezes, não julgamos deles, considerei que não fazia sentido. Afinal, quase não são da minha geração!

Mas, ainda bem que me convenceram, ainda bem que fui, ainda bem que pude, mais uma vez, estar lá, no meio de tantas gerações, juntas, de lenços encarnados na testa e camisolas recuperadas dos armários.

 

Sweet Child of Mine ou um “exercício pessoal idiota” pelas palavras de Slash.

 

Foi a primeira vez que ouvi, ao vivo, os gigantes Guns N’ Roses e foi tão - mas tão - bom.

Mas - claro! - aprendi também algumas coisas:

  • Axl Rose deu uns toques à cara;
  • É difícil definir a idade do Slash bem como as suas emoções;
  • O Duff é uma cópia de João Quadros;
  • Os Guns têm uma música dedicada às pessoas que apanham sempre chuva no dia do seu aniversário, em Novembro – e isso é, sempre, de louvar!;
  • Ouvi, muito envolvida, a Knocking on Heaven's door, a música que mais me lembro da minha mãe cantar.

 

 

Eu, bom, eu continuo a ter saudades dos isqueiros ao alto e dispensava (totalmente) os telemóveis que teimam em criar filmes que nunca vão ser vistos.

 

 Said woman take it slow, and it'll work itself out fine
All we need is just a little patience
Said sugar make it slow and we'll come together fine
All we need is just a little patience

 

E, quanto a vocês, podem sempre voltar! Já todos vos perdoamos!

 

❤︎

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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