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(in)sensatez

12
Fev16

A felicidade pode vir num pedaço de guardanapo.

CD

Há coisas que me tornam uma pessoa feliz e não são assim tão poucas quanto isso. Podia falar do sorriso dos meus filhos mas não tenho filhos. Podia falar da suave brisa matinal, que me entra pela janela do quarto, mas, de manhã, a minha disposição não me permite apreciar nada. Podia falar dos abraços do meu marido mas, embora seja verdade, não tenho por hábito escrever, de uma forma direta, sobre o amor, sobre a felicidade, sobre a amizade, sobre todos esses nobres sentimentos – opto sempre por os revestir de histórias, para fazer passar a minha mensagem.

Mas hoje, apeteceu-me escrever sobre a felicidade. De uma forma mais frontal. De uma forma mais crua.

E ela pode, verdadeiramente, vir num pedaço de guardanapo. Acreditem em mim!

À saída do meu escritório, no sentido que levo para chegar a casa, há um largo gigante, onde os velhotes ocupam o tempo em jogatanas de cartas, resguardados, agora que chove, pelas copas das árvores. Nesse largo, é comum montarem-se tendas e palcos para festas bairristas. E é também comum existirem rulotes com farturas. Ontem, dei, de forma consciente, três voltas ao largo, à procura de um lugar, entre trânsito, chuva, buzinadelas e chamadas a confirmarem que estava atrasada para um encontro que tinha marcado, em busca da fartura que tinha que ser minha. Podia ter bebido o iogurte que trazia na mala. Podia ter esperado chegar a casa para tomar um leite com chocolate. Podia ter parado numa pastelaria e comido uma torrada com um sumo de laranja. Mas não. Estava obcecada pela possibilidade de comer uma fartura quente, coberta de “ponha muito açúcar, por favor”. E foi o que aconteceu. Estava, de facto, a ferver, foi salpicada de acordo com o meu pedido e fui-me deliciar para o carro, parado em quatro piscas, com a chuva a bater pesadamente nos vidros, o inferno da hora de ponta a passar-me ao lado, na parte de fora, e eu, rodeada da minha felicidade que, escrevam o que vos digo, pode mesmo vir, num pedaço de guardanapo.

Bom fim-de-semana!

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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