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(in)sensatez

17
Set17

A inspiração e o plágio.

CD

Hoje em dia fala-se muito em inspiração. Na verdade, qualquer processo criativo, desde que existimos, se senta, de forma confortável, na inspiração.

 

Sou mesmo da opinião que qualquer obra que criamos tem por base aquilo que sentimos à nossa volta. Não só surge daquilo por que passamos, das nossas vivências, como também nasce daquilo que vemos, em nosso redor, acontecer: a arte que absorvemos, os livros, as músicas, os filmes, as pinturas a que temos acesso. A inspiração é aquilo que, muitas vezes, nos desbloqueia e que nos dá ânimo para nos desenvolvermos e criarmos algo único.

 

Por alguma razão se diz que um escritor deve ler muito: para aprender, claro que sim, mas também para se inspirar. Os músicos absorvem músicas e histórias e letras e melodias. O Rui Veloso é uma referência e uma inspiração de muitas bandas actuais, por exemplo.

 

Há, no entanto, uma linha que separa a inspiração da cópia.

 

A inspiração é sinal de respeito, é sinal de reconhecimento, é sinal que estamos a construir uma identidade nas artes. A cópia é, exactamente, o oposto: significa desrespeito pelo trabalho alheio, desrespeito por quem passa dias a pensar em determinado propósito. Plágio significa roubo daquilo que de mais puro possuímos: aquilo que nos sai da cabeça, de horas de trabalho, de minutos de dedicação. É pior do que roubar uma carteira, porque nos estão a roubar uma identidade.

 

Dediquei-me a investigar um tema que, não sendo propriamente novo, surgiu agora com bastante força: as músicas do Tony Carreira.

 

Dediquem-se a ouvi-las e, por muito respeito que tenha por tudo aquilo que o Tony Carreira construiu, por tudo aquilo em que se tornou, não consigo perceber como é que alguém desrespeita obra alheia, especialmente, quando é também possuidor de uma.

 

Ouçam e depois digam-me.

 

E mais respeito pelo trabalho alheio, por favor.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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