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(in)sensatez

02
Mar14

A pressa do final.

CD

Corro atrás dele com a eterna ilusão de que o “cheguei” fica ao virar da esquina.

Abraçada à pressa com que normalmente me acompanha, esqueço-me sempre que o caminho se faz caminhando, que o rápido é inimigo do bom e, mais inimigo ainda, do óptimo.

Concluo que a afluência para o dito “alcancei” se faz por caminhos, mais a atirar para as ruelas e becos sem saída, (onde a sorte, aqui mais do que em qualquer outro lado, é amiga), do que, propriamente, por estradas nacionais, ou tão-pouco, vias rápidas.

Ando muitas vezes com vontade de correr, com o forte impulso de ultrapassar os detalhes e preliminares sem interesse, enfiar-me num comboio só de ida, cuja estação de destino só pode ter a tabuleta de “bom final”.

A minha vida é repleta por fins. Não pelo sentido da perda, mas mais por não ser dada aos “meios”. Gosto mais de saborear um bom final, do que a pacatez do caminho.

Sou incapaz de querer saber o que me espera, mas anseio que passem rápido todos os intervalos, tal é a minha cusquice em saber como acaba.

O caminho faz-se caminhando e, enquando não me ensino a apreciar os óptimos presságios das calhas por onde se trilha a minha vida, anseio pelos meus finais, cada vez mais próximos.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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