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insensatez

A televisão e o Maluco Beleza.

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A forma como olhamos, hoje, para televisão e para os seus conteúdos, nada tem a ver com a forma como os meus avós, por exemplo, olhavam.

 

Em casa da minha avó, a hora do telejornal era sagrada, bem como a hora da telenovela. Uns aos outros, os programas sucediam-se e a vida quase que girava em torno daquela caixinha mágica. Poucos canais existiam, na altura. Porém, eram mais do que suficientes para o mundo que se pretendia ser.

 

A televisão evoluiu. Nós também. E a nossa relação, por acréscimo, alterou-se.

 

Hoje em dia, com a possibilidade de “puxar para trás”, toda uma nova realidade se abriu. Já não há aquele sentimento: às 20h00 vai acontecer não-sei-o-quê e, religiosamente, parávamos todos à frente da TV para ver. Não! Hoje vemos quando queremos: aparece no feed do Facebook, abrimos o Youtube, revemos as vezes que forem precisas. Não é mau. É só diferente. Estamos mais independentes.

 

O Youtube, aquela rede social que não dá jeito nenhum porque não dá para ver nem na escola nem no trabalho porque tem som, começou a ganhar força, muita força mesmo, especialmente, nas camadas jovens.

 

E, com isto, surgiram novos projectos. Com uma atitude diferenciadora, em formatos inovadores, com gente interessante, a construírem conversas despretensiosas e agradáveis. Tudo à distância de um ecrã e da nossa vontade de carregar no play: agora apetece-me, agora não me apetece. O Maluco Beleza, do Rui Unas, é um caso desses. Estes novos formatos surgem agora longe da televisão: são projectos que já não precisam de serem aceites para existirem! Só precisam da vontade de quem os faz.

 

E eu ponho-me a pensar: se calhar, financiar um projecto destes, que ouço, que vejo e que gosto, que me faz parar durante algumas horas da minha vida para conhecer o lado B de pessoas que considero interessantes, faz mais sentido do que pagar a televisão que não vejo.

 

É um canal aberto? É! Qualquer pessoa o pode ver? Sim! Sem qualquer custo? Sim! Então, porquê pagar?, perguntam vocês. Porque, se pagamos os meios de comunicação tradicionais, com o mesmo propósito, porque não o fazer também num canal que gostamos e que também tem contas para pagar para poder existir?

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