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(in)sensatez

06
Out16

Adoro a definição torta das coisas certas da vida.

CD

  

plano.jpg

Espanto-me sempre quando ouço certezas, francamente orientadas e cheias de seguranças, sobre no que nos iremos tornar no prazo de anos.

São frases, normalmente, completas de tudo – com caminhos traçados e orientações definidas. Norteamos caminhos, desbravamos mapas e sabemos, exactamente, onde vamos estar, naquele exacto momento a que nos referimos - quase nem precisamos de bússola para lá chegar de tão orientados que estamos! É só seguir, cautelosamente, o que anteriormente definimos que a meta está ali, bem-disposta e sorridente, ao virar da esquina.

É como se funcionassem – estes comentários - como medidores do que somos: como se o que ambicionamos ser explicasse, de algum modo, o tipo de matéria de que somos feitos.

Sou totalmente a favor dos planos. Mais ainda do (mínimo) planeamento para que algo resulte.

Porém, tão certa como a existência de uma táctica clara para alcançarmos o que pretendemos ser, é saber que frases pomposas, fechadas e definidas podem não representar o fim certo do que tanto planeamos.

Fantástico seria ter jogo de cintura suficiente para aceitar as diagonais do percurso como parte integrante da sua concretização.

Isso sim! Seria inteligente. Seria aceitar que todos os planos têm o seu quê de fracasso e que, apesar de tudo, é no âmbito alargado do seu todo que está sempre a certeza da sua concretização, com os ajustes concretos e necessários às imprevisibilidades do caminho.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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