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(in)sensatez

29
Nov16

Chás e tagines.

CD

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Não me choca a diferença cultural. Não olho com desdém para hábitos diferentes dos meus nem, tão-pouco, com superioridade por viver confortavelmente num país desenvolvido. Como é óbvio, tenho como certo que é no aglutinar das diferenças que nos vamos tornando pessoas mais completas e é exactamente essa a magia que me leva a viajar – se quisesse ver pastéis de natas e Torres de Belém não saia da minha Lisboa.

A diferença cultural pauta-se pela distinção clara existente nos costumes, nas formas de ocuparmos os nossos dias, no modo com que olhamos para os longos minutos que perfazem uma hora.

Ganhamos mesmo muito mundo quando saímos deste rectângulo – mas ganhamos mais, muito mais do que mundo. Ganhamos personalidade, ganhamos compreensão, ganhamos estômago, ganhamos força, ganhamos consciência do que não temos e, mais importante, damos valor ao que temos, ao que guardamos como garantido. 

Mas quando li esta notícia, fiquei chocada. Bolas, é inacreditável como é que ainda se aceitam situações como esta. Por muitas diferenças que existam, isto é passar qualquer tipo de limite. Em Marrocos, não me chocam os souks intermináveis, escurecidos e sempre a regatear. Não me chocam os chás, as tagines, as laranjas ou o olho para o negócio. Quero as nossas diferenças visíveis. Quero que as suas formas de agir se mantenham intactas, singulares, únicas. 

Somos, naturalmente, um subproduto da nossa sociedade onde estamos inseridos, somos a aquisição acumulativa de gerações e costumes, de hábitos adquiridos, de personalidade definida.

Mas esta notícia, bolas, chocou-me. Relembrou-me que, por muito open mind que uma pessoa seja, ainda há diferenças claras e graves com as quais não se pode compactuar.

Esta realidade é a prova que a violência está infiltrada, de forma profunda, nesta sociedade e não está assim tão bem camuflada como a maquilhagem está a querer mostrar. Está visível para quem quiser ver. É real. Existe. Infelizmente, existe. Pertence. Pertence-nos.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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