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(in)sensatez

03
Nov17

É possível ter saudades das coisas que não gostamos?

CD

Não me recordo como é ter frio, do que é que acontece quando é Inverno por estas bandas, não me recordo do que é deitar-me com os pés gelados, do que é andar encasacada e com cachecóis grandes, de quadrados largos, enrolados ao pescoço, nem do que é ligar o quente do meu carro para me aquecer toda pela manhã. Honestamente, não me lembro como são as manhãs, nem as tardes e, prefiro nem dizer, muito menos as noites.

 

Não me lembro, mas sei que não gosto.

 

Apesar de tudo, apesar daquela frase que nos dizem (quando gostamos muito de algo) que só se dá valor quando se perde, apesar disso mesmo, sabendo eu que não gosto de me deitar com os pés gelados, de andar encasacada, com cachecóis grandes, de quadrados largos, enrolados ao pescoço, apesar de não me lembrar de como é ligar o quente no carro para me aquecer pela manha, apesar disso, tenho saudades do frio da minha cidade.

 

Não quero verbalizar porque, ao fazê-lo, estou a dar peso e força, mas, provavelmente, é o meu corpo a reconhecer, pela saudade, pela saudade de algo que, assumidamente, não gosto, que é no equilíbrio das quatro estações, que tudo faz sentido.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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