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(in)sensatez

31
Mai17

Estereótipos, sim; discriminação, não!

CD

Fico sempre com a ideia que nos culpamos demasiado. O mundo está mais exigente, eu sei, e nós, bom, nós acabamos por ir a reboque: replicamos essa exigência nos nossos comportamentos e exigimos que os outros atuem sob a mesma bitola.

 

Somos pessoas cheias de complexos e, pior, encerramos em nós toda a complexidade do mundo. Com mentes repletas de recortes, pensamos e repensamos sobre a melhor forma de dizer e de estruturar o nosso raciocínio para não magoar ninguém. Moldamos o nosso discurso, aplicamos aquele lápis azul de forma real e certeira, para não beliscar maiorias e, especialmente, minorias.

 

Queremos ensinar tudo direitinho aos nossos filhos, para que sejam pessoas de temperamento irrepreensível. Preparamos logo o sermão para quando alguém desenha, numa conversa casual, uma história com alguns estereótipos – os olhos tornam-se crispados e da nossa boca sai – sempre - um bafo de fumo. Juro que já vi acontecer!

 

Tentarmos ser melhores pessoas não significa que tenhamos de ser tão exigentes connosco.

 

Calma, malta! Os estereótipos são normais. Todos nós os temos, não faz sentido que os tenhamos que esconder, que tenhamos que limar as frases ou amanteigar as palavras! Aliás, são os estereótipos que fazem, por exemplo, muito do humor que vemos e apreciamos! Pensem nisto!

 

A questão – a grande questão - é apenas a discriminação. A discriminação, porque é alicerçada na falta de respeito pelo próximo, é que deve ser combatida. Se ela advém dos estereótipos? É capaz. Mas não é a causa que deve ser maltratada quando não há nada de errado nela!

 

Vamos lá comprar as guerras que valem a pena serem compradas e deixem lá as pessoas terem os seus estereótipos que, na verdade, não são mais do que consequências das suas próprias vivências!

 

Ah! E mais AMOR! Nem tudo o que se diz tem como propósito a ofensa alheia.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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