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(in)sensatez

10
Nov16

Há dias em que não me atraso.

CD

Há dias em que não me atraso.

 

Nestes dias, concluo tudo a que me proponho e, pelo meio, ainda invento.

Nestes dias, não corro e mantenho-me firme e decidida em cada tarefa que executo. São dias, estes em que não me atraso, em que tudo flui  e nada resvala.

 

Há dias em que não me atraso.

 

Sem nenhuma razão aparente: levanto-me à mesma hora de sempre, percorro todos os caminhos que habitualmente sigo. Arrasto-me em vez de correr mas, no final, saio de casa mais cedo, chego ao escritório mais cedo, tenho tempo (T-E-M-P-O) para me demorar nas coisas que, de facto, gosto: tempo para ler, tempo para escrever, tempo para estar.

 

Há dias em que não me atraso.

 

É impressionante: nestes dias, os semáforos ajudam, mantêm-se abertos quando passo, fazem correr o trânsito de forma inédita – nestes dias, por vezes, nem há trânsito. Tudo se encaminha ordeiramente.

 

Há dias em que não me atraso.

 

São dias que se guiam por razões que não compreendo. Mas também não faço uma questão desmedida para as compreender. No final, gosto apenas da sensação de ter ultrapassado o tempo. Ter guinado, de forma altiva e desinteressada, para a esquerda e seguido, estrada fora, sem atrasos ou paragens bruscas, o caminho de todos os dias.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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