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(in)sensatez

29
Jan16

Há pessoas que vivem amachucadas pelo tempo.

CD

Há pessoas que vivem amachucadas pelo tempo. Endireitam-se como podem mas não conseguem arrumar a solidão que, pesadamente, transportam às costas.

Gosto de analisar quem me rodeia, embora nem sempre o faça – por preguiça mas, essencialmente, porque me encontro, demasiadas vezes, num estado de êxtase só meu, onde vou adormecendo e acordando sem ninguém dar conta.

Mas, como dizia, se o meu estado semi-consciente não fosse tão presente, gostava de investir mais tempo a analisar quem me rodeia porque, de facto, gosto, genuinamente, de o fazer.

E há mesmo pessoas que vivem amachucadas pelo tempo. Em determinados sítios onde vou, nas zonas mais escuras e enrugadas da cidade, vejo-as passar, arrastam o andar à velocidade com que arrastam a voz, pedem o que tem que pedir e retomam às suas casas. Dia após dia.

A solidão destas pessoas, que vivem nas ruas por onde passamos todos os dias, que respiram o mesmo ar que respiramos todos os dias e que, até mesmo, comem e dormem com o mesmo fervor com que nós o fazemos todos os dias, transtorna-me quanto mais atenta me situo, quanto mais dedicação dou às pessoas que vivem (e, na maior parte dos casos, sobrevivem) amachucadas pelo tempo.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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