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(in)sensatez

18
Out16

Her.

CD

her1.jpg

 

Neste domingo que passou vimos o filme Her. Para ele, na verdade, foi mais "rever". Como barómetro para aquilo que vou gostar, o meu marido é, de facto, o melhor. Acerta (quase, quase) sempre e isso é uma alegria.

Foi quando surgiu o Pokemon Go que me falou deste filme, pela primeira vez.

Este filme conta a história de Theodore (Joaquin Phoenix) que se apaixona por um sistema operativo chamado Samantha (Scarlett Johansson).

O que eu mais gostei foi a envolvente das interpretações. O giro do Joaquin Phoenix encarna a personagem de um homem a recuperar de uma separação, solitário, virado para dentro, de costas quebradas, isolado e só. No caso de Scarlett, as emoções passam-lhe sempre pelo timbre certo, tudo a ser transmitido correctamente por cada palavra entoada - só a sua voz se "vê" neste filme.

O mais estranho – e aqui é onde bate o cerne – é que não estamos assim tão longe de chegar aqui, pois não? Uma pessoa a apaixonar-se por um sistema operativo, que conversa, que exprime opiniões, que pensa, que rejeita, que se ofende: uma Siri dos tempos (muito mais) modernos.

Temos as nossas vidas amarradas aos nossos telemóveis: à forma de como eles nos facilitam os dias, criando sentimentos de grande dependência. A verdade é que temos, neles, a nossa vida: agenda, telefones, e-mails, GPS, organizadores de tarefas, listas de compras, máquina fotográfica, livros, música.

Subordinamo-nos a dispositivos electrónicos para, praticamente, tudo na nossa vida – a questão que se impõe: até onde vai este “tudo”? Vai chegar aos sentimentos? Vai atingir as emoções?

 

Uma nota final apenas: Scarlett Johansson dá a voz ao sistema operativo - não entrando fisicamente no filme. Ganhou alguns prémios com esta interpretação. Será, no seguimento da polémica instalada com Bob Dylan (após ter ganho o prémio Nobel da Literatura), justo ganhá-los quando não há uma interpretação física? A minha resposta é que são temas diferentes e  que, pela voz, Scarlett passa emoções, passa o sentido das frases dando-lhes sensações - interpreta, então, uma personagem.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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