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(in)sensatez

18
Dez17

Já não gosto de gravatas.

CD

Já não gosto de gravatas. Sei o seu peso. Sei a sua formalidade. Conheço de cor a sua importância. Com a gravata vem sempre uma pseudo superioridade intelectual que, muitas vezes, tantas vezes, não passa disso mesmo, de uma pseudo, enganadora, falsa superioridade intelectual.

 

Outras vezes, não falamos em pseudo superioridade porque existe, de facto, essa mesma superioridade intelectual, o que quer que ela, de facto, signifique.

 

Com as gravatas, com os fatos iguais, vincados, lavados a seco, vem também a postura. Uma postura que tem tanto de altiva como de pouco criativa. Uma forma de pensar e trabalhar correta e em linha, com os travões a travar nos momentos certos e o acelerador a rodar quando tem que o fazer.

 

As gravatas e os pescoços pálidos que lhes dão suporte, as caras sebosas do cansaço do dia, o cheiro pesado de quem passou o dia, em reuniões importantes, em salas sem luz, são tudo, tudo farinha de uma sociedade opaca, cinzenta onde se valoriza o percurso correto, o saber estar, o saber ouvir e, tão ou mais importante, o executar corretamente e de acordo com os procedimentos.

 

Percebi que as gravatas eram sinónimo disto tudo e, nesse momento, só as tolero em dias de casamento porque, aí e só aí, revestem contornos de alegria e amizade e amor.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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