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(in)sensatez

20
Set16

Nada se sente como em português.

CD

Nada se sente como em português.jpg

Há uns dias, uma amiga (das mais antigas – das melhores) que, para mal dos meus pecados, não vive em Portugal (mais uma) escreveu que, quanto mais lhe impigem uma língua, mais ela a rejeita.

O texto era complexo, de uma profundidade que feria e mexeu comigo ao ponto de quase lhe ligar a pedir que voltasse – não o fiz: ainda há muito sensatez neste ser que por aqui habita.

Mas senti (e a mim doeu-me) a saudade a pesar-lhe. Entristeci com o que ela disse e senti aquele apertão doloroso a trancar-me o peito, quando ela referiu que repudia a língua holandesa (a língua que agora a cobre) devido às saudades que tem em viver em português.

Saudades de Camões, de Eça, de Pessoa, de falar com quem com eles cresceu, de se envolver com as pessoas que lhes conhecem os cantos, as descrições, as personalidades. Claro que os pode ler, lá onde agora vive. Mas a envolvente que, neste momento, a minha amiga tem, não lhe permite a vivência fácil de quem com eles amadureceu.

Apertou-se cá dentro a dor da ausência e incapacidade de a resolver – de facto, nada se sente como em português.

E isso, com tudo o que tem de bom, no final do dia, é uma merda.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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