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(in)sensatez

17
Jun17

Não gosto da palavra falecer.

CD

Não gosto da palavra falecer. É redonda, enrola na língua e na sua essência. Normalmente, não a utilizo. Mas, ocasionalmente, mais para defender sensibilidades alheias, sou obrigada a usa-la. Acho-a, se quiserem, uma palavra cínica, uma junção de letras que pretende apaziguar o que, de facto, traduz. Uma palavra que quer dobrar a realidade, dobrar a força, apaziguar o ânimo, embalar os sentimentos. Não gosto da palavra falecer. Prefiro a forma incisiva e concreta que enche a palavra morrer. Os "erres" gravam a força do que significa, rematando a dor, fortalecendo o acto. Morrer significa morrer. Por muitas voltas que se dê: morrer significa morrer. Não há palavras suaves para suavizar a mais dura das verdades. Não há pés levantados, saltitando receosos, com medo de chocar. É solidão, escuridão, nudez, frieza e gravidade. Tal como a morte é. Tal como a morte se quer. Tal como a morte existe. Morrer significa morrer.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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