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(in)sensatez

26
Jun17

Não vale tudo.

CD

Aqui há uns tempos, voava eu por entre naqueles minutos que antecedem o meu sono, vagueando levemente pelo Facebook, quando choquei de frente com uma fotografia de uma pessoa a pousar alegremente no Memorial aos Judeus Mortos da Europa, do arquitecto Peter Eisenman, em Berlim, também conhecido como Memorial do Holocausto.

 

Aquele embate, meio violento, acordou-me de forma repentina porque, de facto, representava uma falta de noção incrível. Das duas, uma: ou aquela pessoa desconhecia o local onde se encontrava, ou era, simplesmente, completamente superficial nas suas ações.

 

Eu não quis saber a resposta: pesquisei um pouco e verifiquei que era um comportamento algo recorrente - as pessoas fotografam-se mesmo, de forma leviana, assumindo posturas alegres e joviais, em locais cujo propósito é a introspeção.

 

Comecei, nesse dia, a escrever este texto.

 

Eu já estive no Memorial do Holocausto, tal como já estive em muitos outros Memoriais, e só a ideia de lhes tirar um fotografia, apenas com o intuito de o recordar, de o ter presente, de não o esquecer, me estremece.

 

Mas, bom, há quem vá mais longe e que não se contente com um registo sóbrio, com uma breve fotografia, disparada de fugida apenas para sua leitura pessoal.

 

Há mesmo quem utilize o espaço em causa, de forma desrespeitosa, há quem se esqueça das razões para ele existir, há quem se embarque em selfies atrás de selfies, nas fotografias artísticas, há quem sorria e encene momentos engraçados, há quem não tenha noção do local onde se encontra.

 

Há uns tempos, um humorista israelita chamado Shahak Shapira, criou um site com o intuito de ridicularizar quem utiliza este local em concreto para fotografias superficiais.

 

Basicamente, a acção consistiu numa montagem, substituindo o fundo real (do Memorial) por um fotografia do que ele pretende representar.

 

E, bom, o resultado foi este:

 

holocausto1.jpg

 

holocausto2.jpg

 

holocausto3.jpg

 

holocausto4.jpg

 

 

Sugiro que façam uma pesquisa no instagram, por exemplo, pelo nome do Memorial e vejam o género de fotografias (e filmes) que por lá andam. É inacreditável.

 

Com tudo isto, digo sempre: não vale tudo, malta. É que não vale tudo.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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