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(in)sensatez

14
Jan16

Ninguém sabe o seu nome.

CD

Ninguém sabe o seu nome. Ele flui calmamente pelas ruas de Lisboa, tão incolor como o rio que lhe serve de vista, dia após dia.

Ninguém sabe o seu nome. E isso permite-me imaginar as vidas por detrás da dele.

Ninguém sabe o seu nome. Vejo-o sentado, manhã após manhã, numa arcada grandiosamente emoldurada ao pé da Praça do Comércio.

Ninguém sabe o seu nome. E, recostado na umbreira fria da porta, todos os dias, dia após dia, manhã após manhã, quando o vejo, lê o seu livro, inspirando calmamente o cheiro apaziguador do rio.

Ninguém sabe o seu nome. Ou, digo antes, pouca gente sabe o seu nome.

Mas muitas pessoas o conhecem pelo senhor sem-abrigo que carrega consigo sempre um livro e um saco verde tropa.

Sempre nutri simpatia por portadores incógnitos de literatura. O nome dele, tal como o de qualquer outro desconhecido que carrega o fardo de um livro, pouco (me) interessa. Pode ser Luís ou Fonseca, ou Sr. Fonseca, se quiserem. Pode ser Manuel ou Manel. Pode até ser José, Zé ou Zeca.

O senhor que vagueia pela primeira linha de Lisboa, com o Tejo a seus pés, não sei quem é, não sei o seu nome, ninguém sabe, ou alguns sabem. Não importa. Ele carrega livros consigo, sempre um aberto, sempre diferentes, que variam a cada dois dias e os outros no seu saco pesado, moldado à estrutura quadrada dos livros. Pode-se pensar que ele está sozinho e, se calhar, até está. Vive à sua mercê e à mercê das noites frias e húmidas desta cidade no inverno. Mas carrega sempre um livro. Ou vários. No seu saco verde.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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