Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

(in)sensatez

19
Mar17

O flagelo dos tupperwares (passo a publicidade).

CD

Não sei se é só a mim que estas coisas acontecem.

 

Relativamente a tudo aquilo que me atormenta, gosto de pensar que são situações mais frequentes nos outros, do que aquilo que imagino: não devo ser a única pessoa a quem os bules faltam a respeito ao entornarem-se consecutivamente, não devo ser a única a quem os telemóveis insistem em cair na sanita tal as suas obsessões por salto em altura e, também, não devo ser a única a delegar graciosamente a gestão dos tupperwares para terceiros, porque a ter que ser aqui a “je” a executar esta tarefa, dá origem um dispêndio de tempo relativamente difícil de gerir e, o mais certo, é não concluir a atividade com sucesso.

 

Primeiro, tenho uma certa dificuldade em criar os pares "tampa-recipiente". Provavelmente, pensarão vocês, é uma tarefa que qualquer miúdo de oito anos consegue executar com elevado grau de sucesso.

 

Mas eu, bom, eu passo largos minutos da minha vida, sentada no chão da cozinha a tentar encontrar os parceiros das tampas, qual jogo de lógica infantil. Nota: na minha cozinha, até acho que impera alguma ordem: as tampas estão de um lado da gaveta, os recipientes noutro. Mesmo assim, a parte do cérebro reservada para puzzles deve ter sido esvaziada aos oito anos (e eu até era boa nisso, juro!). Normalmente, pego no primeiro conjunto que encaixa. Muitas vezes, não se adequa à quantidade de comida que pretendo armazenar.

 

Quando acerto, nos pares tampa-recipiente, quando, no limite, consigo fazer mais do que um conjunto e tenho a opção de escolha entre este ou aquele par, tenho tendência para escolher sempre tamanhos desadequados para comida que pretendo guardar: ou muito grandes (o mais frequente) ou, muito raramente, o contrário. O resultado tende a ser um frigorífico repleto de tupperwares de tamanho considerável onde, lá dentro, jazem apenas micro, micro gramas de alimentos.

 

Não sei se o flagelo dos tupperwares é transversal, não sei se os telemóveis convosco também mergulham tranquilamente para a sanita e não sei tão-pouco se os bules tendem a respeitar-vos, mas todos os dias em que algo deste género não me acontece, é uma vitória para mim. E eu, de vitória em vitória, lá vou ganhando os meus dias. Como podem ver, só uma pessoa relativamente fácil de contentar. :)

 

Boa semana :)

3 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Facebook

Instagram @catarinaduarte.words

Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D