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(in)sensatez

20
Jan17

O mundo, lamento, conspira.

CD

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Não que tenha um mau fundo, não que nos queira mostrar que, de facto, quem manda aqui é ele (sobre isso, eu já sabia – escusava de adoptar - sempre - uma atitude tão assertiva), não que precise de fazer birra para nos ilustrar a sua importância.

Mas, lamento, o mundo conspira mesmo!

Porque é que falo disso hoje? Porque, recentemente, ele deu mais uma prova da sua importância.

Regressei de férias (bastante) mais magra.

Não que tenha feito algo neste sentido – nada disso. Apenas continuei no regime de alimentação (minimamente) saudável, sem qualquer esforço à mistura – juro.

Que me lembre, só dei facadinhas no álcool – vamos combinar: estava calor, as cervejas tornam-se (demasiado) apetecíveis e o vinho, na Africa do Sul, vale bem a pena.

De resto, o que me apetecia era, basicamente, peixe. Peixe e Marisco – não perguntem!

Raramente ia à carne e, quando ia, era mais porque “estás na África do Sul – é um desperdício não aproveitares esta carne maravilhosa”. Sim, para os apreciadores de um bom bife, este é o sítio ideal.

A verdade é que a carne tem um efeito direto no nosso peso. E, se eu já andava a comer pouca, a manter este registo, senti logo na diminuição do peso.

 Ora, (e é aqui que entra a conspiração do mundo) cheguei a Lisboa, orgulhosa porque todos me diziam que estava mais magra (sei que foi mais manter mas… sabe bem ouvir), comecei a trabalhar e a ir ao “restaurante do costume”.

No primeiro dia de trabalho, com muitas saudades de comida “tipicamente portuguesa”, vejo na ementa Feijoada. Feijoada é só a minha comida preferida. Claro que sim, claro que pedi. Não estou de dieta (sublinho), estou num registo de alimentação consciente (para manter ao longo da vida) e, nesta perspectiva, a feijoada, sendo a minha comida preferida, e aparecendo no meu primeiro dia de trabalho, faz sentido que faça parte da minha alimentação normal.

No segundo dia de trabalho, voltei ao “restaurante do costume”, um dos pratos da ementa do dia era favas com entrecosto e enchidos. Bom… não vou dizer que é a minha comida preferida mas ocupa, claramente, o TOP 5. E lá fui eu atacar as favas.

No terceiro dia não foi massada de peixe (também está no meu TOP 5), nem mão de vaca com grão (outro a ocupar um lugar no ranking) e eu optei por uma opção mais saudável. Mais calma, mais leve, mais em linha com o que, de facto, me apetecia nas férias.

E com isto, com a conspiração, sem dó nem piedade, deste mundo, já ganhei um quilo ou outro.

Podes voltar para o teu canto, mundo.

Já todos percebemos o teu lugar na hierarquia.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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