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(in)sensatez

11
Jul17

O rádio do meu avô.

CD

Radio Philips.JPG

 

Sou muito dada a objectos sem que, por isso, me considere materialista.

 

Confusos?

 

Eu explico: a memória, que é capaz de ser aquilo que melhor nos define enquanto pessoas, tende a escassear. A minha, em particular, não me dá tréguas. Não me lembro de muitas situações que ocorreram recentemente (perguntem-me o que jantei ontem e vão ver o tempo que fico aqui às voltas), imaginem aquelas que aconteceram há anos.

 

Por essa razão, acho que apenas por esta razão, agrafo-me aos objectos da minha família, como forma de me manter próxima dela.

 

O rádio do meu avô estava exactamente por detrás do lugar onde o meu avô se sentava às refeições. Quando mirava o meu avô, pelo meu lado direito, via os dois: observava o meu avô a comer, com real satisfação, o bife com batatas fritas e observava também o rádio que se mantinha desligado mas fiel em todas as refeições.

 

Hoje em dia, o meu rádio que, em tempos, foi do meu avô, também está na minha sala de jantar. Não está atrás da minha cadeira, mas consigo-me mira-lo também pela direita, exatamente como fazia quando a companhia era outra.

 

Gostava de saber como é que as pessoas desapegadas fazem na hora de recordar.

 

A minha forma de o fazer é, sem dúvida, esta.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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