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(in)sensatez

07
Fev18

Opinião: Três Cartazes à Beira da Estrada.

CD

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Iniciei, oficialmente, a viagem por entre os filmes nomeados para os Óscares deste ano. Porém, apercebi-me, logo no início desta aventura, que vai ser uma viagem curta. Não há muitos filmes que, à partida, tenham a ver comigo. Na verdade, só há dois que quero mesmo ver e um deles despachei-o já neste domingo gelado que passou.

 

O filme “Três Cartazes à Beira da Estrada” tem, na minha perspectiva, muita coisa boa e algumas coisas menos boas: as boas chegam-me para reconhecer que é um bom filme; as menos boas levam-me a concluir que vai ser um filme que não vai deixar marcas.

 

O que gostei?

 

Gostei muito da interpretação da Frances McDormand, nomeada para o Óscar de Melhor Actriz: gostei dos gestos e dos seus silêncios, fiquei maravilhada com as suas expressões (recordo uma, logo ao início do filme, quando estava no carro, com um dedo a raspar nos dentes, um movimento que nos é normal e que chega a ser anormal reproduzi-lo com aquela naturalidade), gostei também da forma como trabalhou a sua postura masculina, a sua forma de andar e falar, enfim, toda a sua caracterização, tão dura, tão rude, convenceu-me.

 

Também gostei da forma como conseguiram contrabalançar a dureza do filme com algumas cenas de humor, permitindo, deste modo, aligeirar a sua solidez.

 

Ando particularmente atenta aos arcos das personagens e as suas evoluções, neste filme, são notórias. Gostei de todas: bem construídas, fortes, com um claro desenvolvimento ao longo da trama.

 

O que faltou?

 

Faltou um final e uma mensagem clara. Há uma cena, lá pelo meio, que me pareceu ter sido colocada às três pancadas. Depois, mais tarde, vemos que essa cena tem ligação com o final do filme, porém, de forma meio atabalhoada. Sou sincera: não adorei o seu desfecho, não me passou nada, o que é pena.

 

Vejam mas, na minha opinião, não será um filme para a vida.

 

Já agora: qual será o outro filme que tenciono ver assim que conseguir?

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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