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(in)sensatez

08
Mar16

Para onde vai o tempo no meio da correria dos meus dias?

CD

Não sei para onde vai o meu tempo, na correria de todos os dias.

Agarro-me a ele, dia após dia, juro! Mas ele insiste, dia após dia também, em fugir. Sinto-o a voar por entre as frechas dos meus afazeres. Depois de tanto correr, vamos lá conversar, não devia ficar com “tempo”? Tempo para “gastar”? Se a ideia não é ficar com “tempo”, então é porque me andam a enganar. Só pode.

Aos tropeções, todos os dias, sinto-me a avançar atrás dele que insiste, no seu passo sempre mais acelerado do que o meu, em fugir-me por entre os dedos.

A sério, acho que é o maior enigma da minha vida: para onde vai o meu tempo, na correria de todos os dias?

Já perdi a conta aos livros que quero ler e que aguardam, pacientemente, a sua vez, nas nossas estantes e nas minhas listas (as mesmas de sempre) que insisto em continuar a fazer.

Já não sei a quantas ando no que toca a filmes, aqueles do tens-mesmo-que-ver e que, depois, lá vejo um e depois outro e mais outro e ainda faltam 300 para ver o fim à lista.

Insisto: não sei para onde vai o meu tempo, na correria de todos os dias!

Espantam-se uns quando lhes conto que saí a meio de determinado filme, por não fazer o meu género; admiram-se outros por lhes ter contado que abandonei aquele livro pelo facto de o mesmo não me ter agarrado ao fim de cinquenta páginas – a sério, com tanta coisa boa e que, de certeza, vou adorar, porque enterrar os segundos livres que tenho em algo que não me agrada?

Não sei para onde vai o meu tempo, na correria de todos os dias. Alguém me explica?

Corro, corro e corro.

Ao final do dia, agarro-me bem agarrada ao que me preenche porque, verdade seja dita, no dia seguinte, o tempo está lá, igual a si mesmo, a desaparecer-me da frente assim que me apanha distraída, e eu, bom, eu recomeço aquela correria, a de todos os dias, sempre na vã tentativa de o tentar apanhar. E, não, já não sou optimista ao ponto de achar que o consigo ultrapassar!

Boa noite :)

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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