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(in)sensatez

12
Jul17

Pessoas que se levam demasiado a sério: eu não tenho paciência para vocês.

CD

Pessoas que se levam demasiado a sério: eu não tenho paciência para vocês.

 

Podia terminar este texto aqui mas vou, porque é preciso, desenvolvê-lo.

 

Na transparência da minha cara, na comunicação não-verbal do meu corpo, eu não poupo. Tenho perfeita consciência disso e até, bom, até devia ser algo que devia trabalhar.

 

Para vocês, pessoas que se levam demasiado a sério: percebo que desenvolvam a seriedade em vocês, que bloqueiem a gargalhada jocosa devido ao facto de estarem num ambiente sério, que travem a frase trocista por não quererem que haja ricochete e, mais tarde, que o feitiço se vire contra o feiticeiro, que se apresentem perfeitamente penteados e concretamente vestidos por não pretenderem que a vossa indumentária seja factor de distração quando o vosso objectivo é passar uma mensagem clara.

 

Pessoas que se levam demasiado a sério, se isto vos tranquiliza: eu percebo-vos. Percebo-vos e mais: invejo-vos. Porquê? Porque eu não sou assim: eu tenho sérias dificuldades em controlar a gargalhada em ambientes formais (eu diria que “especialmente” em ambientes formais), percebo-vos porque tenho a língua demasiado afiada e isso significa dar, ocasionalmente, o corpo às balas e percebo-vos porque queria, demasiadas vezes, que a minha roupa estivesse alinhada e o cabelo direito para acompanhar a mensagem de seriedade que pretendo (tantas vezes) transmitir.

 

Pessoas que se levam demasiado a sério: eu percebo-vos porque também eu queria (oh, se queria!) levar-me mais a sério do que aquilo que me é possível levar.

 

Desculpem, mas, talvez (e principalmente), por não vos conseguir acompanhar, pessoas que se levam demasiado a sério: eu não tenho paciência para vocês.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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