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(in)sensatez

05
Nov17

Quando o uso da tecnologia se torna mais importante do que o nosso bem-estar.

CD

No outro dia, num restaurante onde, por vezes, vou almoçar, tiraram o meu prato da cozinha e, em vez de o levarem para junto de mim, encaminharam-no para uma mesa perto da janela (para apanhar a melhor luz), sacaram do telemóvel e passaram uns valentes minutos a fotografa-lo (enquanto falavam por cima dele), com o objectivo final de colocarem a sua imagem nas redes sociais. Sim, era o primeiro prato do dia porque eu, geralmente, almoço cedo.

 

Eu sei que sou uma pessoa repleta de manias estranhas, tais como, gostar de comer a minha refeição quente e, de preferência, sem perdigotos a fazerem de topping, mas será que podiam, por favor, colocar um travão quando o uso tecnologia – neste caso, a publicidade diária que este restaurante faz aos seus pratos nas redes sociais - se torna mais importante do que o bem-estar do cliente que, bom, no final ainda paga?

 

Este tema é recorrente aqui no blog, eu sei, porque estou, francamente, atenta a todas situações que me fazem questionar a nossa relação com a tecnologia.

 

Obviamente, - não sou uma pessoa idosa, ok? - que reconheço as melhorias que a tecnologia trouxe à nossa vida: alguém ainda se lembra de ligar, para o telefone fixo, para falar com aquele amigo, e quem atendia o telefone ser sempre a mãe dele? (nada contra as mães dos amigos, atenção!, mas, justiça seja feita, com a evolução tecnológica encurtamos caminho e agora podemos falar diretamente com quem queremos).

 

Mas, convém mesmo as pessoas terem mais tino, dá algum jeito as pessoas começarem a pensar, com carinho, no bem-estar de quem já usufrui do restaurante, neste exemplo concreto que dou, caso pretendam que a clientela se mantenha fidelizada.

 

É só uma ideia.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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