Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

(in)sensatez

01
Mai16

Questões inquestionáveis.

CD

esquina.jpg

Nos dias que correm, todos questionam. Mas, atenção: não digo isto com pesar. Não tenho nada contra quem tem, no espírito, a questão sempre pronta a espreitar. Eu própria questiono. Basta ler, com cuidado, muitos dos textos que escrevo cuja base é, tão-somente, questão atrás de questão. Interrogações, temas, inspirações, pensamentos adversos e contraditórios de quem tenta açambarcar diversos prismas.

Mudo tanto de opinião! Não me considero troca-tintas, mas a experiência e a maturidade permitem-me dizer, sem qualquer receio ou pudor, que mudo de opinião. Verdades eternas e incontestáveis deixaram de existir. Hoje em dia, não invento chorrilhos de verdades absolutas: permito-me sempre a proeza de alterar pensamentos, se o interlocutor, aquele com quem debato algum tema, alguma credibilidade me oferecer.

Questionar é bom. Permite-nos crescer enquanto seres pensantes. Quando a questão é sucedida por um diálogo, onde prevalece a partilha e troca de ideias, melhor ainda. É na junção de opiniões que crescemos. Na verdade, é quando reunimos todos os ângulos possíveis de uma questão, que formamos a nossa melhor esquina.

Mas, para mim, cujo feitio conservador assumo possuir, há questões que são (devo dizer, ciente do risco de parecer contraditória), inquestionáveis.

São dados adquiridos, valores mantidos e preservados. Não questiono a importância dos meus amigos e nunca – nunca – questiono a importância da minha família. Estou crente que há momentos em que ambos os grupos testam os meus limites, mas há pessoas que são intocáveis. Quero-os intactos.

Se cairmos na esparrela que a vida nos oferece de começarmos a questionar tudo, mesmo pontos que são intocáveis à partida, abrimos precedentes graves para a nossa lucidez enquanto pessoas.

Muito da minha génese será destruída no dia em que eu ousar questionar (não as suas opiniões – mas sim, a sua importância) as minhas pessoas. Não questiono. Não há questão para quem me “faz”. São o produto acabado delas. São intocáveis. São inquestionáveis. São minhas. As minhas pessoas.

 

Instagram @catarina_lduarte

Facebook https://www.facebook.com/catarinaduartewords

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Facebook

Instagram @catarinaduarte.words

Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D