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(in)sensatez

29
Nov17

Raparigas de Uniforme.

CD

blogs singulares.JPG

 

Este texto já está a ser construído há algum tempo. A grande razão para não o ter publicado antes, consiste no facto de andar às voltas com o ângulo que queria abordar. Ora, vamos lá começar:

 

É comum, porque somos humanos, e falhamos, e, demasiadas vezes, temos pensamentos pecaminosos, sermos deslumbrados por determinadas realidades que julgamos que podem vir a ser a nossa.

 

Mas há que meter um travão nestes pensamentos menos, vá, positivos, e seguir em frente com a nossa vida, com a convicção que todos nós temos valor, um valor que não se mede e que vai ser, se tiver que ser, reconhecido.

 

O ponto do texto de hoje é que as miúdas, hoje em dia, querem todas ser bloggers ou youtubers (nada contra, atenção! - um dia irei falar sobre este fenómeno) porque veem, lá está, bloggers e youtubers a receberem presentes atrás de presentes, a fazerem, todos os dias, unboxings de, isso mesmo, presentes, a passarem constantemente a mensagem que são felizes, a aparecerem fotografadas como modelos, e, no final do dia, ainda são capaz de concluir que estas bloggers ou youtubers têm vidas perfeitas e que – cereja em cima do bolo para quererem mesmo esta vida - trabalham pouco para o conseguirem.

 

As miúdas, hoje em dia, acham que, fazendo meia dúzia de posts de qualidade duvidosa, com meia dúzia de fotografias de qualidade duvidosa, ganham notoriedade e dimensão e que as borlas vão começar a surgir.

 

Mas, o pior, o pior disto tudo, nem são estes sonhos suspensos em nuvens (lembram-se que uma vez referi aqui que há um lado perverso nisto de nos fazerem acreditar que tudo é possível?), o pior é mesmo a cópia e a falta de autenticidade que se vive.

 

Estas miúdas vestem-se de igual, falam de forma igual, escrevem de forma igual, abordam os temas de forma igual. No fundo, querem ser iguais. Os textos não têm originalidade, não buscam um ângulo nunca antes abordado. São cópias, atrás de cópias, atrás de cópias. E, no meio de tantas cópias, perdem as miúdas que não alcançam o que outras alcançaram e perdemos nós que somos bombardeados de conteúdo igual, dia após dia.

 

Não copiem, não procurem obter o mesmo êxito que alguém atingiu copiando-lhe os passos do sucesso. A fórmula, provavelmente, funcionou ali porque, naquele momento, era uma fórmula original e inovadora e as pessoas gostam de (e sentem a) originalidade.

 

Façam o vosso próprio caminho, apostem na vossa singularidade, na vossa forma única de olhar o mundo. E trabalhem, trabalhem e trabalhem. A criatividade também se trabalha. Também se constrói. Todos os dias, quando achamos que esgotámos mais um pouco da nossa imaginação, ela aparece para nos provar que está mais forte do que nunca.

 

É muito pindérica a forma como estou a transmitir o meu ponto?

Desculpem-me, mas queria mesmo passar esta mensagem: as pessoas percebem, sentem e notam quando adquirem conteúdo que é uma cópia de outro e que, até poderia ser melhor, se a pessoa em questão colocasse mais de si lá dentro.

 

Todos ganhávamos.

 

Só isso.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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