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(in)sensatez

31
Jul17

Raviolis.

CD

No outro dia, ao almoço, duas senhoras muito bem-postas, sentaram-se na mesa ao lado da minha. Nesse dia, decidi almoçar sozinha, uns raviolis rápidos, dado que estava com bastante trabalho e queria despachá-lo rapidamente.

 

Pediram, as senhoras muito bem-postas, uma pizza “para dividir” e uma salada também “para dividir”.

 

Durante a espera: uma falava, outra ouvia. Quando chegou o almoço: uma falava, outra ouvia. Uma falava mesmo muito, outra ouvia mesmo muito. Uma só falava, na verdade. Outra só ouvia, também na verdade.

 

As nossas mesas estavam próximas e as senhoras, uma que só falava, outra que só ouvia, falaram sobre os filhos, falaram sobre os netos, falaram sobre os médicos mas também falaram sobre os melhores spots da cidade. Sim, falaram sobre os rooftops da moda, sobre quais os que serviam boas sandwiches a acompanhar os cocktails de Verão - na verdade: uma delas falava muito; a outra, bom, a outra só ouvia.

 

De vez enquando, a que só ouvia, lá lançava uma frase suave que, depressa era abafada, pela resposta rápida da outra – a que só falava.

 

Estive ali, enquanto esperava e comia os meus raviolis, a ouvir a conversa entre a que só falava e a que só ouvia. E, depois, quando chegou a minha conta e me preparava para sair, percebi: há, de facto, uma tendência clara para nos enquadramos naquilo que nos é inato - falar quando somos de falar, ouvir quando somos de ouvir - mas isso raramente quer dizer que quem calado esteja, nenhuma coisa tenha para dizer.

 

Raramente.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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