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(in)sensatez

15
Jun16

Sobre a polémica Rui Sinel de Cordes. Sobre (outra vez) a liberdade de expressão.

CD

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Sobre a polémica Rui Sinel de Cordes. Sobre (outra vez) a liberdade de expressão. Não pode haver limites. Não pode haver "mas". Não pode haver. Asseguro-vos que nem sempre foi esta a minha opinião. Asseguro-vos também que seguia o humorista RSC no Instagram e, por não ser particularmente apreciadora do seu género de humor, ao fim de uns tempos, deixei de o seguir. Atenção: não está, na origem desta questão, o quanto concordamos com a afirmação por ele proferida. Ou o quanto achamos piada à mesma. Sobre a mais recente polémica sobre os "limites" que o humorista ultrapassou com uma piada sobre o atentado de Orlando cumpre-me apenas dizer que não há, não pode haver limites à liberdade de expressão. Já os houve, em tempos. Estão recordados? Para além da razão óbvia que é o que significa fazer um atentado à liberdade de expressão, há ainda a razão "cultura". Não é aceitável que se castre o potencial criativo apenas porque não se concorda, porque não se gosta, porque se considera um excesso. Porque, se assim for, quem considera o excesso? Quem define o limite? Já houve, em temos, quem o fazia. Estão recordados? A ideia, o pensamento, a piada não podem ser assassinados logo na sua génese. Isso é matar uma identidade. Isso é matar o artista. Isso é matar. Aos que não gostam, digo apenas que não podem ameaçar de morte. Isto é crime. É grave. Muito mais grave do que uma piada negra. Muito mais grave. Aos que não gostam, digo apenas que podem comentar, podem manifestar opiniões - é um direito que vos assiste. É legítimo - é aceitável. Aos que não gostam, digo apenas que, tal como eu, estão livres de o deixar de o seguir, de desligarem a televisão, de pararem de o ler. É para isso que a cultura existe. É para isso que a liberdade de expressão existe. Percebam: quanto mais incendeiam uma alma criativa, mais perdemos. Todos.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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