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(in)sensatez

06
Nov17

Sobre o Urban Beach.

CD

Tenho lido muito sobre a triste cena que se passou, há uns dias, na conhecida discoteca Urban Beach, em Lisboa.

 

Quando eu frequentava a noite de Lisboa com regularidade, quando era ainda mais jovem do que aquilo que sou hoje (repararam como eu sacudi o facto de estar a dias de fazer a idade de Cristo?), tinha dias (ou, melhor dizendo, tinha noites) em que ia ao Urban Beach. Aliás, acho que frequentei todas as discotecas do grupo K, sendo que a minha preferida era, claro está, a falecida Kapital.

 

No meio desta história, pouco interessa onde passei as noites da minha adolescência ou da minha idade semi-adulta – se quiserem, um dia tomamos um café e conto tudo – o que importa mesmo sublinhar é que, da fama, o grande Grupo K, onde eu passei noites maravilhosas da minha vida, já não se livra, depois do que lá tem acontecido nos últimos anos.

 

No Governo Sombra, do passado sábado, falaram de um caso que aconteceu com o Nelson Évora, em 2014, quando ele foi barrado à entrada do Urban Beach, onde tinha mesa marcada, porque o grupo “tinha demasiados pretos”.

 

O Diário de Notícias, há uns dias, fez um artigo onde falava dos cinco casos mais chocantes ocorridos no Urban Beach.

 

Bom, a estes casos, sugiro juntarmos as 38 queixas de agressão que já havia contra esta discoteca.

 

Situações, todas elas, lamentáveis.

 

Lamentável é, também, neste caso concreto, ouvir (e ler por esta internet fora) pessoas que consideram perfeitamente aceitável resolverem-se os problemas pela nada primitiva justiça popular. Dizer-se – como ouvi - que não se é a favor da violência, excepto em casos como este, significa, nem mais, nem menos, que se é a favor da violência. Afirmar-se tal coisa está ao mesmo nível daquela malta que diz “eu sou contra a pena de morte excepto em caso de violação, pedofilia e homicídio.”. Nada contra mas isto é ser-se a favor da pena de morte!

 

Não, não é perfeitamente aceitável a ocorrência daqueles actos de violência ainda que para repor uma “eventual” ordem na sociedade. Não interessa a ordem natural dos acontecimentos, quem eram as pessoas envolvidas, se estavam dentro, fora ou ao lado, nem, tão-pouco, se os seguranças pertenciam a uma empresa subcontratada pelo Grupo K. O que interessa é que, segundo o que li ontem, os seguranças tiveram intenções de matar. Posso estar enganada, mas aqui na civilização, isto é crime (homicídio tentado, dizem os entendidos) e, como tal, só espero que abram processos disciplinares, que apurem responsabilidades e que apliquem duras sanções, tanto ao espaço como aos seguranças (dois dos quais ficaram ontem em prisão preventiva).

 

E, já agora, se não for pedir muito, gostava também de solicitar mais civilização para estas bandas (pode ser de mim mas sinto que ainda há uma ligeira lacuna a este nível).

 

Nota: Não acho razoável abrirem-se inquéritos, analisarem-se os factos e fecharem-se espaços apenas quando há barulho da opinião pública, quando (repararam?) até já existiam (muitas) queixas anteriores de violência neste espaço.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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