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(in)sensatez

03
Dez17

A nossa história #3 A Tinita queria ser escritora.

CD

Catarina (6).jpg

 (fotografia tirada pela minha prima Margarida, em analógico)

 

A Tinita queria ser escritora mas não o era. Trazia e levava, os livros que lia, sempre na versão de bolso, na sua bolsa velha. Não comprava livros novos mas também não pedia emprestado; relia os mesmos de sempre, vezes sem conta, pois adorava as frases e as palavras que ali estavam e, também, os diálogos, e, também, todas as dinâmicas, interjeições e onomatopeias que ali se encontravam, quando as havia.

 

A Tinita, para além de ler os seus livros de sempre, sempre na versão de bolso, que carregava na sua bolsa velha, trabalhava num café-esplanada, que, com dificuldade, se endireitava, numa rua ingreme de Lisboa. Servia cafés e empadas e, ocasionalmente, também pastéis de nata, aos turistas. Quando a Hortense, dona do café-esplanada inclinado, gorda e de vestido azulado como a flor que lhe dá o nome, para ali estava virada, serviam também uns brunches importados, sempre à moda de Lisboa, com fiambre Nobre, queijo Flamengo e manteiga com sal Mimosa.

 

Todos os dias, a Tinita pensava, quando a pausa dos brunches ou das bicas pingadas o permitiam, que, a vida que queria, fazia-se embrulhada em letras e nada misturada com xícaras.

 

A Tinita já não suspirava, o ar, que não saía, estava agora confinado na vida que agora vivia, apesar de pensar e pensar na escritora que poderia ser.

 

O lamento era feito, todos os dias, à Rosa, sua irmã não de sangue mas com quem, irmãmente, divida um quarto, uma cozinha, uma casa e um lar.

 

A Rosa, cheia dos lamentos da sua irmã não de sangue, encolhia os ombros e deixava que o som que saía da televisão se sobrepusesse à voz de Tinita, que sempre falava e falava e falava.

 

No café-esplanada inclinado, cheio de línguas que não a portuguesa (mas, algumas vezes, também a portuguesa), a Tinita não apontava histórias que gostava de contar, nem registava falas que gostava de reescrever.

 

Todas as noites, depois do lamento que queria ser escritora, com a Rosa, sua irmã não de sangue, a Tinita encostava-se na cabeceira da sua cama, almofadada com um tecido de flores anafadas como a Hortense, e pensava que para ser escritora devia (talvez) ter nascido com alguma inspiração.

 

Sabia que assistia a cenas que davam livros, comentava, muitas vezes, que, relativamente àquele casal de turistas acolá, ele, de certeza, que era escultor e ela, de certeza absoluta, que era deputada, e que deviam ter uma história importante para contar, uma mãe austera, um pai submisso, talvez, quem sabe, um irmão que morreu na infância com varicela, uma avó adultera, uma tia adultera, uma prima adultera, talvez, talvez, um avô, um tio ou um primo adultero também.

 

A Tinita não registava no cérebro nem, tão pouco, num papel mal-enjorcado, as histórias que a rodeavam, e adormecia, todas as noites, encostada à cabeceira da sua cama, almofadada com o tecido de flores anafadas como a Hortense, em busca da inspiração que não chegava. Se calhar, pensava, para ser escritora devia mesmo ter nascido com inspiração.

 

A Rosa, sua irmã não de sangue, perguntava-lhe quanto, na sua vida, pesava o sonho de ser escritora e Tinita respondia que, era mesmo para isso que vivia, apesar de nunca uma linha ter escrito: o sonho que se quer mas a vontade que não chega nunca.

 

E, por ali, no café-esplanada inclinado, se deixava ficar, a servir cafés e empadas e, ocasionalmente, também pastéis de nata.

 

Num dia de inverno cheio de sol, com a esplanada recheada de pessoas como se de um palmier recheado se tratasse, apareceu um senhor com uma boina enfiada na sua cabeça despida. Sentou-se numa das mesas da ponta e, enquanto tentava equilibrar a cadeira e a mesa na rua inclinada, pediu um chá de gengibre à Tinita e abriu o seu caderno de capa azul.

 

Nele, começou a escrever, a riscar, a escrever e a riscar. A Tinita passava e olhava e tentava ver o que tanto era escrito e riscado e escrito e riscado no caderno do senhor com uma boina enfiada na sua cabeça despida, que tinha cara de Luís, de senhor Luís, pensou a Tinita, enquanto servia outras mesas, arranhando um inglês deficiente e palavreando um francês rebuscado.

 

As palavras, no caderno azul do senhor Luís, seguiam lisas e impercetíveis na mancha elegante que lhes dava corpo. E eram escritas e riscadas e escritas e riscadas e, entre um gole no chá quente e outro eram, novamente, escritas e riscadas e escritas e rescritas.

 

A Hortense chegava e sentava-se numa cadeira junto do senhor Luís, trocava meia dúzia de palavras e voltava a levantar-se. Pelo caminho, enviava, para Tinita, aquilo que Tinita julgava ser um olhar altivo e um meio-sorriso também com alguma superioridade.

 

As visitas do senhor Luís ao café-esplanada inclinado aconteceram, todos os dias, durante um mês seguido e serviam sempre para escrever mas, também, para conversar com a Hortense. Sempre com chá de gengibre a acompanhar.

 

A Tinita nunca perguntou à Hortense o que o senhor Luís escrevia e riscava e escrevia e riscava até que, um dia, a resposta veio ter com ela.

 

Nesse dia, estava prestes a fechar o café-esplanada inclinado, quando o senhor Luís lhe deu um livro “para substituíres aqueles com que andas sempre”, disse-lhe.

 

A Tinita agradeceu e abriu-o e folheou-o. Talvez a falta de inspiração, talvez o receio de não conseguir finalizar o duro processo de contar a sua história, talvez a conclusão que o sonho profundo talvez não o fosse propriamente, tivessem criado as condições ideais para entregar, ao senhor Luís, a sua história, de bandeja.

 

E ele, com uma história normal entre mãos, escreveu um belo e denso romance.

 

No final, aconteceu, exatamente, aquilo que estão a pensar: a história que a Tinita sempre quis escrever, alguém a escreveu por ela. Era a dela, sem tirar nem por, escrita pelo senhor com uma boina enfiada na sua cabeça despida que tinha, também, cara de senhor Luís, embelezada num lindo livro de capa azul hortense.

26
Nov17

A nossa história #2 O homem que tinha apenas um rim.

CD

Imagem Mgeraldes a nossa história 2.JPG

 (fotografia tirada pela minha prima Marta, em Lisboa, em digital)

 

O homem que tinha apenas um rim fazia a sua vida normal, demasiado normal para quem tinha apenas um rim.

 

Todos os dias se levantava e todos os dias fazia um fino café de cafeteira italiana que sorvia, ora com muito prazer, quando a espuma saia bem, ora com relativo prazer, quando a espuma não passava de uma fina linha encostada ao rebordo da chávena.

 

Era um calibrador de dia, este seu fino café de cafeteira italiana. Definia, na casa de partida, ao homem que tinha apenas um rim, a qualidade dos seus dias.

 

Nos dias bons, a espuma surgia abundante e, nesses dias, o comboio chegaria à estação assim que ele, o homem que tinha apenas um rim, a pisava. Encontraria, então, um lugar vago na carruagem 1, junto à janela, e sempre de frente para o caminho.

 

Nos dias em que a espuma do café do homem que tinha apenas um rim não passava de uma leve promessa do que poderia ser um bom café, o seu lugar não era na carruagem 1 e seria, certamente, em pé e, claro, de costas voltadas para o percurso.

 

O homem que tinha apenas um rim fazia a sua vida normal, demasiado normal para quem tinha apenas um rim porque, bom, o homem que tinha apenas um rim não sabia que, um rim apenas, nele existia.

 

Quando o descobriu, já tinha ultrapassado a meta dos setenta.

 

A história, do homem que tinha apenas um rim, reza, então, assim:

 

Resolveu, certo dia, o homem que tinha apenas um rim, marcar consulta porque, desde há uns tempos para cá, cada vez que pegava em algum objeto, a força faltava-lhe e o objeto soltava-se e escangalhava-se todo no chão.

 

Na verdade, não era bem a força que lhe faltava: eram os pulsos que lhe doíam, ora o direito, ora o esquerdo, e, mais tarde, os joelhos também lhe doíam, ora o esquerdo, ora o direito, o que, como calculam, dificultava a tarefa de tirar um bom café da cafeteira italiana mas, também, de fazer o percurso de comboio de costas, quando, claro, a espuma não cooperava.

 

Tinha, então, consulta marcada para o seu médico de sempre que, atendendo ao facto de, o homem que tinha apenas um rim, já se encaminhar para os setenta e cinco anos e o médico do homem que tinha apenas um rim ser o seu médico de sempre, concluirão – e bem – que este médico que vos falo já tem idade muito avançada.

 

Apanhou, então, o homem que tinha apenas um rim, no dia da consulta, a carruagem 2 e estancou-se no seu lugar, em pé, de costas para o caminho.

 

A esta altura, já perceberam que, o seu fino café de cafeteira italiana, nessa manhã, deve ter consistido apenas numa aguadilha rala. E foi verdade.

 

Lá chegado, ao médico do homem que tinha apenas um rim, foi visto e feitas ecografias e TACs e exames e mais grafias que não sabemos denominar, para, no final, se descobrir que o homem que tem apenas um rim, tinha, de facto, apenas um rim.

 

Foi uma grande descoberta; uma infeliz descoberta, para dizer a verdade, mas uma grande descoberta. O médico de sempre do homem que tinha apenas um rim não acreditava e, o homem que tinha apenas um rim, também não.

 

O único rim, do homem que tinha apenas um rim, era um bom rim, dizia o médico de sempre do homem que tinha apenas um rim. Era grande e trabalhador e fazia as vezes do outro que devia ter mas não tinha.

 

Quando saiu da consulta, o homem que tinha apenas um rim, já estava melhor do pulso, ora do direito, ora do esquerdo, e dos joelhos, ora do esquerdo, ora do direito. Os objetos, esses, deixaram de lhe cair e conseguiu recuperar a sua vida ao nível da força, segurando, seguramente, tudo o que queria pegar.

 

Mas, algo nele, no homem que tinha apenas um rim, começava a mudar. Sentia-se a afundar, lentamente, numa espécie de tristeza absoluta que não conseguia controlar. Era dor, era sofrimento, era, na verdade, uma doença que sentia aparecer. Era como se lhe tivessem tirado algo com que sempre tivesse vivido.

 

Havia um espaço, cujo lugar não sabia identificar, que existia agora oco, algures no seu ventre cheio de outros órgãos. Esse espaço alargava-se e alargava-se. Sentia, talvez, algo parecido com solidão e mágoa e abandono, como se lhe tivessem rasgado um pedaço da casa, um pedaço do lar, um pedaço da vida.

 

O homem que tinha apenas um rim morria assim, lentamente, todos os dias mais um bocadinho e todos os dias mais e mais. Eram saudades e saudades, de algo que nunca teve, de algo que nunca lhe existiu, saudades do seu rim que o abandonava para sempre, como se a verbalização da sua ausência consolidasse, prontamente, a sua falta.

 

Aos quase setenta e cinco anos, não conseguiu suportar a falta do seu rim desde sempre ausente e deixou-se afundar, deixou-se mingar e, por fim, desapareceu. 

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A nossa história” são histórias que se mantinham presas, desde há uns tempos para cá, numa gaveta. Chegou a altura de verem a luz do dia. Todos os domingos sai uma nova história que, claro, não sendo sobre vocês, pode mesmo ser a vossa. Espero que gostem!

19
Nov17

A nossa história #1 Cromo número 32.

CD

CD Covilhã.JPG

 

A Maria Luísa chamou Maria Luísa à filha por Maria Luísa ser o nome da sua mãe.

 

A Maria Luísa neta não gostava do seu nome por não gostar da Maria Luísa avó.

 

A Maria Luísa avó vestia uma blusa leve, todas as manhãs, quer fossem manhãs de verão, quer fossem manhãs de inverno, quer estivesse calor, quer estivesse frio. As suas mãos eram frias, tais como os seus braços e os seus pés.

 

O pequeno-almoço da Maria Luísa neta era, quase todas as manhãs, tratado pela Maria Luísa filha, com esmero e dedicação.

 

Nas manhãs em que a Maria Luísa avó preparava o pequeno-almoço à Maria Luísa neta, o esmero e dedicação corporizavam-se em rodelas de indiferença, o leite era servido frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo.

 

Sem recheio, quer o leite, quer a carcaça, assim se ficava a Maria Luísa neta que comia sempre o pequeno-almoço, quer o mesmo tivesse sido feito pela Maria Luísa avó ou pela Maria Luísa filha, com bastante prazer. O que gostava, a Maria Luísa neta, era de comer.

 

A Maria Luísa neta vestia sempre uma camisola cardada creme e as mesmas calças azuis, com pelo por dentro e, sempre também, ficava com o corpo igual ao da Maria Luísa filha que, sendo sua filha, era igual ao da Maria Luísa avó.

 

Um dia, a Maria Luísa neta pede à Maria Luísa filha, que era sua mãe, o cromo número 32 que era, de resto, o cromo que lhe faltava para terminar a caderneta dos ursinhos parvos carinhosos.

 

O número 32 é um número redondo: o três enrola-se bem enrolado e o dois, apesar de acabar bicudo, começa também envolvido sobre si mesmo. Mas é, acima de tudo, este 32, um número quente e Maria Luísa neta sabia-o bem.

 

A Maria Luísa filha, que era sua mãe, disse-lhe que não podia comprar, indiscriminadamente, carteirinhas de cromos, na esperança que lhe saísse o cromo 32, e inventava, dizendo que leu que o cromo 32 não é, na realidade, um cromo e que a caderneta ficava completa exactamente como estava e que até mais dinheiro valia, daqui a uns anos, as cadernetas cujo cromo 32 lhes faltava.

 

Armou-se um berreiro, na casa da Maria Luísa avó, onde viviam, para além da Maria Luísa avó, a Maria Luísa filha e a Maria Luísa neta, com choradeira a voar e livros também.

 

Os dias passaram-se, a vontade de ter o cromo 32 continuava hirta e a Maria Luísa filha continuava a fazer ouvidos de mocos e a insistir na tese que era mesmo assim, que as cadernetas agora dão-se por terminadas sem o cromo 32.

 

Um certo dia, depois de as mãos frias da Maria Luísa avó terem preparado, o leite frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo, para o pequeno-almoço da Maria Luísa neta, saiu de casa, a Maria Luísa avó, como sempre o fazia.

 

Voltou, porém, nesse dia, mais tarde do que o usual: o frio já tinha descido ao nível das casas, o jantar já tinha sido comido pela Maria Luísa filha e pela Maria Luísa neta e ambas já estavam de robe vestido e com dois pares de meias por cima do pijama. Ambas já estavam quase a fechar os olhos, deitadas no pequeno sofá de frente para a televisão, demasiado pequeno para ambas. E ambas, também, acordaram com o baque de uma chave cravada na porta.

 

Era a Maria Luísa avó que, com as suas mãos frias, com os seus braços frios e com os seus pés frios, trazia, entalado entre os dedos polegar e indicador, o cromo 32. O cromo estava hirto como o frio e também hirto como a vontade de Maria Luísa filha o ter.

 

Um saco cheio, estendia-se pelas costas da Maria Luísa avó, onde constavam inúmeras carteirinhas abertas, todas cuidadosamente rasgadas na sua aresta superior e, também, inúmeros cromos com o número 6, 19, 27 ou outro. Nenhum deles era o 32, o número quente e arredondando, para além do cromo que a Maria Luísa avó pendurava nos dedos.

 

A televisão recitava a repetição de um qualquer programa.

 

No dia seguinte, com esmero e dedicação, a Maria Luísa avó preparou, à Maria Luísa neta, um leite frio, sem chocolate e uma carcaça sem conteúdo.

 

E, todos os dias daí para a frente, a Maria Luísa neta preferiu a frieza de um leite, sem chocolate e o abandono de uma carcaça sem conteúdo do que o esmero de um pequeno-almoço dedicado.

 

Todos os dias.

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A nossa história” são histórias que se mantinham presas, desde há uns tempos para cá, numa gaveta. Chegou a altura de verem a luz do dia. Todos os domingos sai uma nova história que, claro, não sendo sobre vocês, pode mesmo ser a vossa. Espero que gostem!

19
Nov17

A nossa história.

CD

Perguntei-vos, algures na semana passada, se tinham curiosidade nas histórias (ou contos, se preferirem) que escrevo.

 

Disseram que sim e eu agradeço.

 

Resolvi, então, todos os domingos publicar uma história.

 

Partindo da ideia que, não sendo sobre vocês, pode ser a vossa história, mas, claro, também a minha, esta rúbrica vai-se chamar, claro, “A nossa história”.

 

Porque em qualquer texto, frase ou palavra é sempre possível ver um bocadinho do que somos.


E, sim, escrevo para mim e para quem me lê
porque, no final do dia, são a mesmíssima coisa.

 

A primeira sai já hoje.

 

Até já!

15
Nov17

Histórias.

CD

Cd Maquina analogico.JPG

(Fotografia analógica - ainda não revelada - tirada pela minha prima. Podem seguir o trabalho dela, no seu instagram @shadowplay35)

 

Terão vocês algum interesse nos contos que escrevo e que nunca vos mostrei?

 

Na verdade, tenho muitos escritos. Outros tantos que, não estando escritos, estão quase a sê-lo. Podia publicar um por semana, que acham?

 

Retirado de um livro de Lucia Berlin:

“Exagero muito e misturo a realidade com a ficção, mas, na realidade, nunca minto.”

 

Sempre disse que a realidade dá bem conta do recado no que toca à ficção. Percebem agora?

 

Terão vocês algum interesse nos contos que escrevo?

 

Pergunto porque tenho mesmo muitas histórias para contar.

 

Uma delas, não sendo sobre vocês, pode ser a vossa.

Querem ler?

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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