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(in)sensatez

16
Fev16

Fascínio.

CD

Conheço pessoas que têm fascínio pela noite. Compreendo mas não o consigo sentir.

Consigo até, ocasionalmente, apreciar a calma que a escuridão nos dá. Consigo até, ocasionalmente, sentir a descompressão após um dia na labuta, quando a claridade dá lugar à obscuridade. Consigo até, ocasionalmente, reconhecer que a noite tem fascínio se isso implicar copos. Mas, sã de pensamentos (e ausente de noitadas), a noite deprime-me.

Hoje a noite entra cálida e esperada, a guitarra é arranhada ao compasso de "verdes anos" e eu permito-me a paz e o sossego que esta casa transpira nas noites em que joga o Benfica.

Boa noite.

20
Nov15

Não gosto de café porque sabe a café.

CD

Há uns largos anos eu costumava dizer que não gostava de café porque sabia a café.

(Agradeço, todos os dias, aos meus pais, pela paciência que tiveram para comigo porque educar uma criança com tanta tendência para desconversar não deve ser fácil.)

Na altura, a verdade é que, se o café não soubesse a café, eu até poderia gostar de café. Se tivesse, claro, um sabor que, de facto, gostasse. Chocolate, talvez. Nunca fui muito esquisita quando se trata de sabores: só o do café é que não me conquistava.

Lembro-me de ficar intrigada porque é que nunca ninguém tinha decidido criar um café com um leve sabor a outra coisa qualquer. Era menina para me deixar de estereótipos parvos com sabor a cafeina e bebê-lo. 

Hoje em dia, acho piada à frase do não gosto de café porque sabe a café e penso nela como a minha real postura adolescente, completamente transversal a muitas outras áreas da minha vida da altura.

Ora, o destino, como já vem sendo seu hábito, lá se encarregou de me provar que a vida dá muitas voltas. E, hoje em dia, encontro-me diariamente absorvida pelo sabor e pela vida existente numa única e pequena chávena de café. Mas, essencialmente, pelo seu cheiro acre e espumoso que me envolve aqui dentro e aquece. E revitaliza, se quiserem.

16
Out15

Eu e a tecnologias.

CD

Por vezes, mantenho a leve suspeita que todos os aparelhos eléctricos e electrónicos desta vida se uniram para me tramar.

Desde o telemóvel que, com as sucessivas actualizações, se mantém mais vezes desligado do que ligado, à sua bateria que não dura mais do que um par de horas, até ao computador que encrava cada vez que abro uma folha de cálculo. Já para não falar da televisão que, com as suas boxes e comandos que nunca mais acabam, passo mais tempo a tentar ligá-la do que a ver o programa que, de facto, quero ver. Refiro ainda o fogão que, aparentemente, só é temperamental com a minha pessoa!

De facto, a era tecnológica corre lindamente quando não tem que interagir comigo.

Já faltou mais para aderir aos pombos-correios, ao trabalho da caneta e papel e à televisão clássica onde os quatro canais funcionavam na perfeição. E, quem sabe, termino ainda o dia na fricção de duas pedras que, emoção por emoção, ao menos faço lume com alguma graça.

 

Bom fim-de-semana!

02
Out15

Há dias.

CD

Há dias em que as maleitas físicas se misturam com as da mente. Há dias em que a garganta inflamada pelas correntes de ar, se associa à incapacidade de dizer o que deve ser dito. Há dias em o estado febril faz o oposto e, em vez de aquecer, arrefece o coração. 

Há dias em que mais vale não sair da cama. 

 

10
Set15

Quotidiano: não sentia a mínima saudade tua.

CD

Desde que cheguei de férias que ainda não me deste descanso, ó quotidiano. Tem sido recorrente: desde domingo (o pior dia do ano: aquele que regressamos de férias) que me sinto, constantemente, a apanhar chapadas atrás de chapadas: daquelas: “faz-te à vida que as férias já acabaram!”

Vamos lá então começar: depois de não sei quantos voos, cheguei à Portela, ao único aeroporto onde esperei uma eternidade dentro do avião para sair (coisa que acontece com muita frequência em Lisboa!), tive que ir de autocarro até ao terminal (é só a mim que me acontece SEMPRE isto?) e tive que estar na fila para sair do aeroporto (sim, fila gigante para sair do aeroporto) porque TODA a gente resolveu desembarcar nesta bela capital à beira-mar plantada no mesmo dia que eu. 

Depois, seguiu-se a maravilhosa manifestação dos taxistas (not!) que deixou a cidade num Texas sem discrição, com reações e consequências que… enfim, sem comentários.

Seguiu-se a constatação de trânsito atrás de trânsito (as criancinhas já começaram as aulas??), com buzinadelas sem precedentes às 8:00 da manhã (um dia ainda alguém me vai conseguir explicar: quem é que buzina às oito da manhã?). 

No final de um dia de trabalho, cansada, exausta porque o pessoal ainda não entrou propriamente no ritmo, meto-me no carro e demoro uma hora (UMA HORA!!!) para chegar a casa (sim, eu sei que muita gente demora mais do que uma hora!) mas refiro-me a um percurso que, normalmente, faço em 20 minutos, portanto estamos a falar do TRIPLO do tempo! E porquê? Porque resolveram fazer obras no Areeiro. E porquê? Não sei! Sim, em vez de terem aproveitado as férias de toda a gente para obras, resolveram fazer quando o trânsito se começou a intensificar: muito bem pensado, sem dúvida.

Acho que preciso urgentemente de férias.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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