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(in)sensatez

30
Nov17

Em linha recta.

CD
24
Set17

Dizem os outros.

CD

"Pessoas que passam a vida a dizer que lêem imenso, que liam Sartre e Tolstoi no jardim de infância, enquanto os outros cantavam o fungagá da bicharada, que têm um vício, uma compulsão, que só param quando começam a chorar da vista, que têm sonhos húmidos com livreiros e que snifam linhas de mofo para fugirem da aridez de um mundo sem literatura, façam-me um favor: não digam que último livro que leram foi “top”. Epá, por amor da santa: não."

 

Da Cristina Nobre Soares, retirado do seu blog em Linha Recta

19
Set17

Dizem os outros.

CD

As manhãs são mais perversas do que as noites

 

"Pequeno-almoço no hotel. Mesa redonda para seis pessoas ocupada por três, casal de meia-idade e a filha a caminho do final da adolescência. Cruzo-me com a rapariga que leva um prato com pedacinhos de melancia e abacaxi. Cedo-lhe passagem no corredor apinhado, trocamos um olhar rápido de cortesia. Não é o olhar que um homem e uma mulher trocariam porque ela, não sendo inocente – não há inocentes neste mundo –, ainda não conhece o pecado a ponto de o desejar ou temer. “Um dia também eu irei pecar” (é o que ela diz ou eu oiço), pensamento que lhe acode ao espírito sem pressa nem excessiva convicção, sem entusiasmo nem temor, como quem pensa “um dia estarei aqui como hoje estão os meus pais.” A mãe é alta, bonita, arranjada e com certas marcas do tempo que na mulher madura não são apenas admissíveis mas desejáveis. O marido, esse, grisalho e anafado, parece um urso doméstico ou um corpulento e preguiçoso cão de guarda. Falta-lhe a competição interna no corpo de um filho varão. Sem esse acicate, a sua virilidade foi lentamente suavizada. A filha, esqueci-me de dizer, não é muito bonita e, como não conhece o pecado nem o deseja, ainda não tem vaidade. A vaidade é prerrogativa da mãe que, palpito, continuará a ofuscar a filha durante muitos anos e será uma preciosa fonte de angústia para o futuro genro. Estão os três a olhar para os respectivos telemóveis. É sábado de manhã, o céu está limpo e não há nada que se compare à perversidade latente de uma família normal."

 

Do escritor Bruno Vieira Amaral, retirado do sue blog Circo da Lama

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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