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(in)sensatez

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03
Mar17

E sobre o La La Land?

CD

 

No Carnaval fomos ver o La La Land. Vou ter que aplicar a piada fácil: e que Carnaval!

 

Vou ser sincera: mesmo sem ter visto o filme, ela era a minha grande aposta – reparem como sou uma pessoa com bastante credibilidade! A razão é que eu ouvia falar tão, mas tão bem deste filme que, bom, pensava eu: as pessoas não podiam estar todas – TODAS - erradas.

 

Mas não. Não me convenceu nada.

 

Gostei da Emma Stone e de pouco mais.

 

O Ryan Gosling canta mal e dança mal. Para quem não sabe, o filme é um musical – parecendo que não dá jeito (diria mesmo: é o mínimo) saber cantar e dançar. Mais: senti que Ryan Gosling estava desconfortável na maior parte das cenas. Na minha opinião, foi francamente mal escolhido para desempenhar este papel.

 

Achei a história despegada, com cenas francamente chatas e com músicas demasiado normais para um musical. A história, essa, absolutamente banal e repleta de lugares-comuns (mas, sim, já percebi por algumas críticas que andei a ler que, bom, é capaz de ter sido essa a intenção).

 

Queria avançar com a minha opinião mas depois li este comentário, feito de forma sólida ao filme, e não há mais a acrescentar: concordo com tudo.

 

Partilho exatamente dos mesmos sentimentos do comentário que atrás refiro. Senti (também) que a minha frustração por ter criado demasiadas expectativas que não estavam a ser satisfeitas, originou que não conseguisse aproveitar o final do filme que, não sendo propriamente épico, até está feito de forma bonita e minimamente original.

 

Vejam e depois partilhem!

 

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02
Mar17

Os portugueses querem Arte.

CD

Almada Negreiros.jpg

 

Não aceito aquelas teorias que referem que os portugueses são analfabetos, que não sabem apreciar boa música, bons filmes, boas esculturas.

 

Acho que ainda há muito trabalho a desenvolver nesta área, como é óbvio, mas, se calhar, mais relativamente à forma de financiamento do que relativamente a outra coisa qualquer.

 

Julgo que precisamos de perder as peneiras. E quando falo na primeira pessoa do plural, refiro-me às forças pseudo-intelectuais que por aqui habitam, aqueles que só estão bem a ver filmes mudos ou esculturas feitas com dois pregos.

 

A cultura, para gerar mais cultura, tem que ser para todos. E, quando digo para todos, digo que tem que ser popular (se quiserem) mas, especialmente, acessível financeiramente.

 

Sou da opinião que tem que ser paga: os artistas (imaginem lá só isto) têm que comer e contas para pagar. E também precisam de roupa para vestir. E também precisam de luxos. Como todos nós. Logo, há uma estrutura para manter.

 

Perguntam vocês: como é que queres “fazer cultura” de forma acessível (financeiramente falando) e pagar a quem a cria?

 

Têm que haver financiadores. Mas financiadores a sério: privados mas, especialmente, públicos. É urgente encurtar a relação do Estado – Cultura. O Estado não se pode afastar da essência de uma sociedade, nem tão-pouco entregar na mão de privados a opção de escolha se determinado espetáculo vai avançar ou não.

 

Claro que o financiamento não se deve ser feito de forma cega: as contas, no final, têm que ser feitas, os projetos têm que ser avaliados e as conclusões devem ser tiradas.

 

Mas, uma coisa não podemos esquecer: o público, aquele para quem a cultura é criada, tem sempre a última palavra, é para ele que o autor cria, é por ele que o autor mostra, é através dele que o autor vive. Então, o público deve ser ouvido e sempre o último a decidir.

 

E há mesmo – garanto-vos – espetáculos exposições boas demais para não serem vividas.

 

(Ainda não consegui ver a exposição do José de Almada Negreiros, na Gulbenkian. São filas e filas e filas. E ainda bem. Os portugueses querem Arte.)

27
Fev17

Manchester by the Sea.

CD

Manchester by the sea.JPG

 

Ontem, dia de Óscares, estava um bocado irritada por não ter, ainda, visto nenhum filme nomeado.

Assim, decidi abraçar o Manchester by the Sea, completamente às escuras.

E que filme maravilhoso!

Este filme tem tudo aquilo que eu gosto num livro, num filme, num espetáculo.

É simples, é natural, é real. É sobre a vida. Com tudo o que isto significa.

Faz-nos entrar, com facilidade e realismo, em todos os seus segundos, imaginar que poderíamos ser nós a pisar aquele chão, a ter que lidar com aquelas situações.

E se? E se, de facto, a história, aquela história de vida, nos acontecesse a nós?

Li algures que era um filme cru.

Acho que esta palavra encaixa, na perfeição, no que este filme pretende ser. Sem falsas intenções, direto e brutalmente real, de uma frontalidade que até magoa.

Gostei tanto!

Sublinho a interpretação brutal do Casey Affleck – merece, sem qualquer dúvida, o Óscar de melhor actor (que acabou por ganhar).

18
Out16

Her.

CD

her1.jpg

 

Neste domingo que passou vimos o filme Her. Para ele, na verdade, foi mais "rever". Como barómetro para aquilo que vou gostar, o meu marido é, de facto, o melhor. Acerta (quase, quase) sempre e isso é uma alegria.

Foi quando surgiu o Pokemon Go que me falou deste filme, pela primeira vez.

Este filme conta a história de Theodore (Joaquin Phoenix) que se apaixona por um sistema operativo chamado Samantha (Scarlett Johansson).

O que eu mais gostei foi a envolvente das interpretações. O giro do Joaquin Phoenix encarna a personagem de um homem a recuperar de uma separação, solitário, virado para dentro, de costas quebradas, isolado e só. No caso de Scarlett, as emoções passam-lhe sempre pelo timbre certo, tudo a ser transmitido correctamente por cada palavra entoada - só a sua voz se "vê" neste filme.

O mais estranho – e aqui é onde bate o cerne – é que não estamos assim tão longe de chegar aqui, pois não? Uma pessoa a apaixonar-se por um sistema operativo, que conversa, que exprime opiniões, que pensa, que rejeita, que se ofende: uma Siri dos tempos (muito mais) modernos.

Temos as nossas vidas amarradas aos nossos telemóveis: à forma de como eles nos facilitam os dias, criando sentimentos de grande dependência. A verdade é que temos, neles, a nossa vida: agenda, telefones, e-mails, GPS, organizadores de tarefas, listas de compras, máquina fotográfica, livros, música.

Subordinamo-nos a dispositivos electrónicos para, praticamente, tudo na nossa vida – a questão que se impõe: até onde vai este “tudo”? Vai chegar aos sentimentos? Vai atingir as emoções?

 

Uma nota final apenas: Scarlett Johansson dá a voz ao sistema operativo - não entrando fisicamente no filme. Ganhou alguns prémios com esta interpretação. Será, no seguimento da polémica instalada com Bob Dylan (após ter ganho o prémio Nobel da Literatura), justo ganhá-los quando não há uma interpretação física? A minha resposta é que são temas diferentes e  que, pela voz, Scarlett passa emoções, passa o sentido das frases dando-lhes sensações - interpreta, então, uma personagem.

 

Qual a vossa opinião?

21
Set16

Control.

CD

Control.jpg

 

Ando numa de filmes sobre música e, nessa onda, recomendaram-me o Control que relata a história do grupo Joy Division e, em particular, a de Ian Curtis (o vocalista da banda).

É um filme já antigo (é de 2007) e, provavelmente, não é novidade para ninguém. Mas eu só o vi no fim-de-semana que passou e, como os filmes são intemporais, resolvi partilhar.

É um filme pesado. E, de certa forma, sombrio. A preto e branco e com imagens transcendentes (há muito tempo que não via a parte fotográfica de um filme tão bem trabalhada). Para quem gosta de fotografia este é, de facto, um filme a não perder.

Quem gosta de interpretações sombreadas e nublosas, também.

Recomendo muito.

 

 

(Quem já viu o filme?)

 

16
Set16

Milagre no Rio Hudson.

CD

O milagre do Rio Hudson.jpg

 

No fim-de-semana que passou fomos ao cinema ver o Milagre no Rio Hudson.

A minha curiosidade sobre este filme tinha a ver com o facto de não achar possível conseguirem encher uma hora e meia de filme com o tema em causa: uma aterragem de um avião que transportava 155 passageiros, em pleno Rio Hudson, em 2009.

Depois li um bocado sobre o filme e reparei que tinha sido realizado por Clint Eastwood e, devido a isso mesmo, a curiosidade aumentou e a expectativa de ser um bom filme surgiu.

Bom, só que não.

Não sei se é só a mim que isto me anda a acontecer mas não estou com mínima paciência para filmes-americanos-chapa-três-com-realização-chapa-três-e-finais-chapa-três-também. Tudo chapa três, portanto. Tudo previsível. Tudo maravilhoso. Tudo tranquilo.

Fui ao imdb ver a pontuação do filme e até tem boa pontuação. Não sei como – juro!

Bom, podem dar o benefício da dúvida e ver. Posso ter sido eu que não entendi o final (boa piada, Catarina :) ).

14
Set16

À procura de Sugar Man.

CD

a procura de sugar man.jpg

 

Aqui há uns dias vimos, na Netflix, o documentário “À procura de Sugar Man” que conta a história de Rodriguez.

Muito resumidamente, Rodriguez edita dois álbuns cujo impacto é muito subtil passando, desta forma, completamente despercebidos.

De um momento para o outro, Rodriguez desaparece. Paralelamente, por alguma razão pouco explicada, os seus discos são levados até a África do Sul onde são ouvidos e ouvidos e ouvidos, sendo mesmo considerados hinos de esperança pela população.

A dada altura, dois fãs resolvem investigar o que aconteceu a Rodriguez.

Concluem, então, que ele está vivo e que (sobre)vive na sua pacata (e relativamente pobre) vida em Detroit ficando sempre no ar o incrível que é, num continente, ele ser ouvido, aclamado e quase a voz de uma revolução e, noutro continente, ser completamente esquecido e apagado da memória.

Um documentário que vale a pena ver!

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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