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insensatez

Os portugueses querem Arte.

Almada Negreiros.jpg

 

Não aceito aquelas teorias que referem que os portugueses são analfabetos, que não sabem apreciar boa música, bons filmes, boas esculturas.

 

Acho que ainda há muito trabalho a desenvolver nesta área, como é óbvio, mas, se calhar, mais relativamente à forma de financiamento do que relativamente a outra coisa qualquer.

 

Julgo que precisamos de perder as peneiras. E quando falo na primeira pessoa do plural, refiro-me às forças pseudo-intelectuais que por aqui habitam, aqueles que só estão bem a ver filmes mudos ou esculturas feitas com dois pregos.

 

A cultura, para gerar mais cultura, tem que ser para todos. E, quando digo para todos, digo que tem que ser popular (se quiserem) mas, especialmente, acessível financeiramente.

 

Sou da opinião que tem que ser paga: os artistas (imaginem lá só isto) têm que comer e contas para pagar. E também precisam de roupa para vestir. E também precisam de luxos. Como todos nós. Logo, há uma estrutura para manter.

 

Perguntam vocês: como é que queres “fazer cultura” de forma acessível (financeiramente falando) e pagar a quem a cria?

 

Têm que haver financiadores. Mas financiadores a sério: privados mas, especialmente, públicos. É urgente encurtar a relação do Estado – Cultura. O Estado não se pode afastar da essência de uma sociedade, nem tão-pouco entregar na mão de privados a opção de escolha se determinado espetáculo vai avançar ou não.

 

Claro que o financiamento não se deve ser feito de forma cega: as contas, no final, têm que ser feitas, os projetos têm que ser avaliados e as conclusões devem ser tiradas.

 

Mas, uma coisa não podemos esquecer: o público, aquele para quem a cultura é criada, tem sempre a última palavra, é para ele que o autor cria, é por ele que o autor mostra, é através dele que o autor vive. Então, o público deve ser ouvido e sempre o último a decidir.

 

E há mesmo – garanto-vos – espetáculos exposições boas demais para não serem vividas.

 

(Ainda não consegui ver a exposição do José de Almada Negreiros, na Gulbenkian. São filas e filas e filas. E ainda bem. Os portugueses querem Arte.)

Sugestões de leitura - Férias.

À semelhança do ano passado, hoje venho dar-vos três (+ uma) sugestões de leitura para as férias.

 

- um policial - O ladrão que Estudava Espinosa de Lawrence Block

Já tive oportunidade de falar sobre este livro aqui.Um óptimo livro para ler enquanto estamos estendidos na areia. Barato (€ 3,00) na wook.

 

- um nobel - Caim de José Saramago

Escrito por um mestre da literatura mundial é sempre um prazer ler algo dele. É um livro pequeno, que se lê rapidamente. Ideal para levar na mala de viagem :)

 

- um romântico - Como Água para Chocolate de Laura Esquivel

 Também já dei a minha opinião sobre este livro aqui. Podem ler aqui.

Um livro maravilhoso, pequeno, fácil de transportar. Uma amiga, uma vez disse, que foi o único livro que ela se demorou a ler, porque não queria que terminasse.

Vale muito a pena.

 

+ 1

 

- um infantil - Maria Bolinhos no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana - Escrito por mimmm :)

É perfeito para quem tem crianças (dos 6 aos 11 anos). Tem ilustrações maravilhosas e está à venda aqui - Chiado Editora. Juro que não se vão arrepender.

Se quiserem comprar uma "Maria Bolinhos" autografada é só mandarem-me um email para catarinalduarte@sapo.pt :)

 

Boas férias!

Opinião - O ladrão que Estudava Espinosa de Lawrence Block.

O ladrao que estudava espinosa.jpg

 

 

Sinopse: podem ver aqui - site da wook

 

Opinião: Uma amiga falou-me deste livro porque ouviu não-sei-quem-relativamente-conhecido falar sobre ele. A história de como o descobri é, mais coisa, menos coisa, esta. Sem grande interesse mas é só para enquadrar. :)

É um livro policial com uma particularidade: o potencial culpado pelo crime não o cometeu e terá que investigar esse mesmo crime para que fique provado a sua inocência.

É um livro que se lê muito, muito bem: ideal para ler nas férias!

Embora eu tenha descoberto o assassino bastante antes do final, acho que a história está bastante bem construída.

O que eu mais gostei neste livro foi a construção da personagem principal, em especial, a forma apurada do seu sentido de humor.

 

Na wook está à venda por € 3,00. É aproveitar para levar na mala de viagem :)

 

Rating: 3/5

 

Ando por aqui:

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Facebook https://www.facebook.com/catarinaduartewords

Twitter https://twitter.com/cduartewords

 

Sobre a morte.

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A morte é um pedaço valente desta arte de viver. E vai mesmo acontecer num determinado dia, num dia rigorosamente igual ao anterior em que, provavelmente, vamos acordar, vamos tomar o mesmo banho de todos os dias e o pequeno-almoço do costume, vamos cumprimentar os nossos mais que tudo, vamos avançar para a viragem das horas e não vamos concluir qualquer minuto que começamos.

Guardamos rancor da morte. E, a prova disso, é que nunca abraçamos o tema, nem mesmo com sentido desprendimento. Sempre vi enfiarem a cara na almofada, fazerem barulho para ocultarem o ruído que ela poderá fazer. Sempre assisti ao processo de negação contínua e propositada. Sempre senti o abandono que se faz ao tema.

Faço um esforço para encarar este tema como uma parte importante da vida, numa demente consciencialização de que se o tratar de frente e, preferencialmente, por “tu”, vai ajudar a apaziguar a dor da ausência. O meu lado emocional diz que é impossível e que é uma real perda de tempo alimentar esta informalidade com a morte mas, o meu lado racional, insiste e esforça-se para que eu continue nesta dança do “existe, não existe” na oca esperança de conseguir amortecer qualquer choque que possa vir a ter. 

 

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Focada.

Completamente focada no exame que tenho no final do mês e nos textos para o blog (que também publico no facebook -> por acaso já o seguem? Carregar aqui).

Logo, tenho lido pouco. Muito pouco. Mas, depois do meu exame, retomo em força! :)

Despeço-me sempre do meu avô com um "até amanhã".

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanhã.

 

Pelo seu avançar acelerado na idade (sim, eu sei, à mesma cadência com que eu avanço na minha), sinto os reflexos, as palavras, a articulação do seu ser a esgotarem-se. Ainda mantém a vivacidade, claro que sim: conduz, vai ali e acolá e mantém rotinas que não abdica - em especial, a compra do jornal, que folheia mais do que lê, mas que lhe é, essencialmente, uma companhia. Indispensável.

 

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanhã.

 

No outro dia, a meio da preparação de um jantar – não referi ainda mas, uma das qualidades do meu avô, é saber cozinhar maravilhosamente bem – enquanto tentava equilibrar na sua mente onde é que o azeite estava guardado, para salpicar mais um pouco a carne que cozinhava no forno, atirou um:

- Ando a preparar uma coisa para ti… mas não está completo. – E continuou – Faltam algumas folhas, fala com os teus amigos que eles podem ter repetidos.

 

Pensei em cromos, pensei em livros, pensei em muita coisa. Coisas assim, no geral, que os meus amigos comprassem e tivessem adquirido em duplicado.

 

Ele tirou o avental, saiu da cozinha com o seu andar compassado e eu fiquei à espera.

 

Voltou com um monte de “fichas de cozinha”, onde em cada uma delas configurava uma receita. Vim a descobrir depois: foram compradas juntamente com o jornal que ele, religiosamente, segue.

 

Voltou a reforçar:

– Filha, faltam duas ou três receitas, das semanas que estive de férias. Fala com algum amigo. Pode ser que tenham repetido - para que consigas completar a tua colecção. – Amontou-as direitinhas, enquanto voltava a vestir o avental e entregou-mas.

 

Agradeci-lhe. E sorri para não chorar.

 

Despeço-me sempre do meu avô com um até amanha. E, dado que não falamos todos os dias (embora falemos com muita regularidade), o até amanhã afunda-se muitas vezes, invariavelmente, nas profundezas da não concretização.

 

Não sei se já disse, mas o meu avô adora cozinhar, adora um bom assado, uma boa carne e de passear o jornal, enquanto adormece sobre as suas páginas abertas. Não sei se já disse mas a minha colecção, cuidadosamente feita pelo meu avô para mim, não está completa.

 

Se alguém a tiver feito, por favor apite, que prometo trocar a volta ao hábito e aplicar um até logo ao invés do já habitual até amanhã.

Opinião - A Vida no Céu de José Eduardo Agualusa.

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Sinopse:
A Vida no Céu é um romance distópico, num futuro que se segue ao Grande Desastre, e em que o Mundo deixou de ser onde e como o conhecemos. Encontrando-se o globo terrestre inteiramente coberto por água, e a temperatura, à superfície, intolerável, restou ao Homem subir aos céus. Mas essa ascensão é literal (não é alusiva ou simbólica): a Humanidade, reduzida agora a um par de milhões de pessoas, habita aldeias suspensas e cidades flutuantes - dirigíveis gigantescos denominados Tóquio, Xangai ou São Paulo -, e os mais pobres navegam o ar em pequenas balsas rudimentares. Carlos Benjamim Moco é o narrador da história. Tem 16 anos e nasceu numa aldeia, Luanda, que junta mais de cem balsas. O desaparecimento do pai fará com que Benjamim decida partir à sua procura.

Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.

 

Opinião: Gostei bastante deste livro. Tinha boas referências dele e não fiquei desiludida. A ideia base do livro é bastante original e imaginei, diversas vezes, que dava um filme engraçado. Adorei algumas passagens e frases. O livro pretende passar algumas mensagens, sempre de forma muito subtil, usando, para tal, metáforas muito interessantes. Dei por mim, bastantes vezes, a pensar em tudo aquilo que damos por garantido, nos nossos dias, tal como o cheiro da terra molhada. Situações que passam completamente despercebidas nos meandros dos nossos afazeres diários.

A parte menos boa é que não criei muitos laços com as personagens. Não me identifiquei particularmente com nenhuma - achei que estavam pouco desenvolvidas.

 

Rating: 4/5

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Dicas para ler mais.

Alguns dos nossos amigos, assim que entram em nossa casa e esbarram com a nossa estante coberta pela cor das lombadas dos livros, perguntam: Vocês têm tempo para ler? Como?

Costumo responder, meio a brincar, meio a sério: Eu não perco tempo. E não perder tempo é meio caminho andado para conseguir fazer tudo o que quero e gosto, onde se inclui, obviamente, ler.

Bom, posto isto hoje trago 6 dicas para quem adora ler, quer ler mais mas insiste na teoria "não tenho vida para isto". Por vezes, é mais uma questão de organização do que de outra coisa. E, a sério, há tanta coisa boa para ler. 

 

1) Escolher livros que se adequem ao gosto e "nível" de cada um - nem todos gostamos do azul e na leitura é igual. Ler um género com que nos identifiquemos: há de tudo: desde romances a policiais, até ao erotismo e fantasia. Quanto ao "nível" de cada um, se não estão habituados a ler não avancem já para Charles Dickens ou algo do género. Comecem por autores mais fáceis;

 

2) Após o género escolhido e, para quem não tem o hábito de leitura, começar por livros pequenos. (eu mesma quando não me apetece ler - raramente acontece - pego num pequeno (para ler num instante) de forma a retomar o ritmo de leitura);

 

3) Criar um hábito: ler todos os dias à noite, ler todos os dias no autocarro, ler todos os dias ao pequeno-almoço. Criar rotinas ajuda a "apanhar o gosto";

 

4) Minimizar o tempo à frente da televisão - a televisão é um grande sugador de tempo. Quando damos por ela, já se passaram horas desde a altura que carregamos no ligar. Não digo para deixarem de, simplesmente, ver televisão. O que digo é para reduzir o tempo que se "perde" à frente desta caixa mágica. Vão ver que o tempo disponível para as actividades que mais gostamos de fazer, dispara!;

 

5) Estabelecer um limite mínimo de páginas por dia: por exemplo: dois capítulos;

 

6) Andar sempre com um livro atrás: há, sem dúvida, inúmeras vezes que, simplesmente, esperamos. Esperamos no médico, no dentista, por um amigo... esperamos. Actualmente, há o hábito de pegar no telemóvel, ver as redes sociais para cima e para baixo, jogar ou navegar nalgumas notícias. Mas, porque não aproveitar esse tempo para ler? Pode ser uma hora, meia hora ou apenas dez minutos.

 

Espero que, com estas dicas, a leitura passe a ocupar mais tempo na vida de quem, simplesmente, diz que não a consegue encaixar na sua vida.

 

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