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(in)sensatez

21
Nov17

Uma forma GIRA de passear por Lisboa.

CD

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O fins-de-semana foi bom e cheio. Tão bom e tão cheio que fiquei mesmo com a sensação de ter descansado apesar de não o ter, propriamente, feito.

 

Tivemos direito a espetáculos, a passeios, a jantares, a desporto e a filmes. E, claro, a escrita.

 

Bom, mas o texto de hoje é sobre as bicicletas Gira que, no meio do nosso fim-de-semana, ainda conseguimos experimentar.

 

Para quem não sabe, Lisboa está apostar forte e feio na bicicleta como meio de transporte e, até para mim, que tenho uma relação umbilical com o meu carro, faz sentido.

 

Queremos ou não um ambiente menos poluído e com menos stress? Sim, claro!

 

Então, o que é a Gira?

É um serviço que permite a partilha de bicicletas. Basta pegar numa bicicleta numa das estações já disponíveis e, no destino, deixá-la noutra qualquer estação.

Na app, disponibilizada para o efeito, conseguimos ver quantas bicletas (e lugares vagos) há nas estações.

 

Começaram a abrir estações na zona da Expo e agora foi a vez da zona de Alvalade.

 

Bom, mas não vamos ignorar as 7 colinas, pois não? Não, claro que não vamos. Há bicicletas tradicionais mas também há elétricas (eu experimentei uma elétrica) o que torna tudo muito mais fácil!

 

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Dá imenso jeito para as voltinhas de fim-de-semana e, se calhar, num horizonte temporal relativamente curto, para ir trabalhar. Talvez, talvez.

Experimentem! É mesmo giro, prático e amigo do ambiente.

 

Mais informações aqui.

 

06
Nov17

Sobre o Urban Beach.

CD

Tenho lido muito sobre a triste cena que se passou, há uns dias, na conhecida discoteca Urban Beach, em Lisboa.

 

Quando eu frequentava a noite de Lisboa com regularidade, quando era ainda mais jovem do que aquilo que sou hoje (repararam como eu sacudi o facto de estar a dias de fazer a idade de Cristo?), tinha dias (ou, melhor dizendo, tinha noites) em que ia ao Urban Beach. Aliás, acho que frequentei todas as discotecas do grupo K, sendo que a minha preferida era, claro está, a falecida Kapital.

 

No meio desta história, pouco interessa onde passei as noites da minha adolescência ou da minha idade semi-adulta – se quiserem, um dia tomamos um café e conto tudo – o que importa mesmo sublinhar é que, da fama, o grande Grupo K, onde eu passei noites maravilhosas da minha vida, já não se livra, depois do que lá tem acontecido nos últimos anos.

 

No Governo Sombra, do passado sábado, falaram de um caso que aconteceu com o Nelson Évora, em 2014, quando ele foi barrado à entrada do Urban Beach, onde tinha mesa marcada, porque o grupo “tinha demasiados pretos”.

 

O Diário de Notícias, há uns dias, fez um artigo onde falava dos cinco casos mais chocantes ocorridos no Urban Beach.

 

Bom, a estes casos, sugiro juntarmos as 38 queixas de agressão que já havia contra esta discoteca.

 

Situações, todas elas, lamentáveis.

 

Lamentável é, também, neste caso concreto, ouvir (e ler por esta internet fora) pessoas que consideram perfeitamente aceitável resolverem-se os problemas pela nada primitiva justiça popular. Dizer-se – como ouvi - que não se é a favor da violência, excepto em casos como este, significa, nem mais, nem menos, que se é a favor da violência. Afirmar-se tal coisa está ao mesmo nível daquela malta que diz “eu sou contra a pena de morte excepto em caso de violação, pedofilia e homicídio.”. Nada contra mas isto é ser-se a favor da pena de morte!

 

Não, não é perfeitamente aceitável a ocorrência daqueles actos de violência ainda que para repor uma “eventual” ordem na sociedade. Não interessa a ordem natural dos acontecimentos, quem eram as pessoas envolvidas, se estavam dentro, fora ou ao lado, nem, tão-pouco, se os seguranças pertenciam a uma empresa subcontratada pelo Grupo K. O que interessa é que, segundo o que li ontem, os seguranças tiveram intenções de matar. Posso estar enganada, mas aqui na civilização, isto é crime (homicídio tentado, dizem os entendidos) e, como tal, só espero que abram processos disciplinares, que apurem responsabilidades e que apliquem duras sanções, tanto ao espaço como aos seguranças (dois dos quais ficaram ontem em prisão preventiva).

 

E, já agora, se não for pedir muito, gostava também de solicitar mais civilização para estas bandas (pode ser de mim mas sinto que ainda há uma ligeira lacuna a este nível).

 

Nota: Não acho razoável abrirem-se inquéritos, analisarem-se os factos e fecharem-se espaços apenas quando há barulho da opinião pública, quando (repararam?) até já existiam (muitas) queixas anteriores de violência neste espaço.

22
Set17

As senhoras da Avenida de Roma.

CD

É muito doce, mesmo muito doce, mas também muito honesto: elas caminham, velhinhas e a rua, de mãos dadas, como se uma já não conseguisse viver sem a outra. Não inventam, não se escondem: encaram a realidade crua de uma ainda existir porque, lá está, a outra também existe.

 

Pertencem à Avenida de Roma, não há nada a fazer: são iguais à sua calçada, rijas e pouco lisas, mas, também, iguais às paredes dos prédios envelhecidos mas ainda com muita piada.

 

É impossível dissociar estas ruas, por onde caminhamos, das senhoras envelhecidas que as embelezam: o charme envelhecido desta parte da cidade devido (também) às senhoras que nela habitam.

 

E de mãos dadas, sempre.

07
Ago17

Residencial Oliveira.

CD

A Residencial Oliveira, que se endireitava envelhecida nas ruas da Madragoa, chama-se agora River Hostel. Os azulejos da sua fachada continuam azuis, continuam antigos, continuam iguais: uns estão completos, outros, a maioria, estão partidos. Por cima da porta, ofusca um néon amarelo com o novo nome da Residencial Oliveira.

 

O Café Central, que se desenhava desprendido no declive de Alfama, chama-se agora Lisbon Lounge and Bar. Este manteve a mesma máquina de café, o mesmo balcão com gordura, as mesmas garrafas empilhadas e, até, as mesmas cadeiras de ferro que o Café Central tinha quando esse nome usava.

 

Os táxis descarregam turistas, entornam-os nas Residenciais Oliveiras, nos Cafés Centrais que já o foram, nesta nova cidade que se embelezou com nome modernos, sempre estrangeiros, sempre em inglês, sempre com Lounge, com Hostel, com Rooftop, a acompanhar.

 

Esta cidade, que mantém a tradição, que mantém, apesar de tudo, a sua origem, denomina-se agora com nomes pomposos.

 

Até aguentamos bem a substituição do português por nomes estrangeiros e, enquanto este equilíbrio se mantiver, nomes novos mas iguais a nós mesmos, enquanto for só e apenas isso, até podemos dizer que não nos importamos com esta nova realidade e que Lisbon, apesar de tudo, continua a ser a antiga e bonita Lisboa.

23
Jul17

Lisboa - não me canso de ti, querida Lisboa.

CD

Ontem fomos dar uma volta por Lisboa. O que começou por ser uma volta despretensiosa para ir comer um gelado no Nannarella (eu, grande apreciadora de gelados, não os achei assim grande coisa), acabou por ser um longo passeio pelas ruas da nossa cidade. É impressionante como é possível descobrir sempre novos recantos completamente incógnitos, mesmo para quem cá vive desde sempre, como é o meu caso.

 

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Apesar dos muitos turistas (muitos mesmo) ainda é possível encontrar ruas bairristas e desertas. É difícil mas encontra-se.

 

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A fé ao fundo do túnel: 

 

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Espero ter sempre a lucidez necessária para apreciar a beleza desta cidade maravilhosa.

Bom dia ❤︎

08
Mai17

Uma Disneyland chamada Lisboa.

CD

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Não sou nada aquele género de pessoa que está sempre a maldizer a quantidade de turistas que a sua cidade tem.

Em parte, não o faço porque reconheço a sua importância na nossa economia mas também (e, talvez, principalmente) porque tenho um certo orgulho da minha cidade estar a ser eleita como o destino de férias de alguém. Afinal de contas, com tantas cidades no mundo, foram logo escolher a minha!

Tem que haver justiça: o turismo melhorou Lisboa - tornou-a (ainda) mais luminosa, as suas ruas foram tratadas, os prédios vestiram-se com as suas melhores roupas e o rio, bom, o rio, que andou envergonhado durante anos, ganhou o papel que merecia: finalmente, a cidade deixou de estar centrada no seu próprio umbigo e abriu-se para o seu enorme Tejo.

 

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Porém, como “não há bela sem senão”, nos miradouros mais badalados da cidade já pouco se ouve falar português, em algumas ruas desta Lisboa, que até há bem pouco tempo se mantinha sóbria e envergonhada, passam agora grupos intermináveis de miúdas, todas vestidas de igual, alegres e escaldadas, a entoar cânticos divertidos, em alguns restaurantes, a primeira ementa surge já em inglês e os pratos tendem a levar aquele twist de understandings e sardines. O trânsito está caótico, os tuk tuks aumentam a olhos vistos e deu-se a multiplicação dos elétricos (dos 28 e dos outros). Sobe-se a Graça e é só escolher: montinhos de ingleses, chineses e franceses - ordenados em grupos, acompanhados por guias, a vibrarem com os elétricos e com os locais, enquanto alçam a máquina fotografia para pararem no tempo o bom tempo que se vive nesta cidade. É difícil deslocarmo-nos de carro nas zonas mais turísticas: a prioridade e o carinho estão agora voltados para os veículos turísticos. Na verdade, sinto-me a mais nesta cidade que é minha!

 

Tenho orgulho, claro que sim. Mas tenho também muitas saudades de ter Lisboa só para mim, de poder namora-la em paz, de poder passear tranquilamente, de poder vivê-la de forma recatada e tranquila.

 

No final do dia, entre a saudade e o orgulho, acabo sempre por ficar feliz. A minha cidade, Lisboa, é agora adorada por todos – na verdade, agora que penso nisso, não era justo guardá-la só para mim.

 

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25
Set16

Lisboa Antiga - Cafélia.

CD

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É impossível não reparar numa das lojas mais antigas da Avenida de Roma.

Não ressalta pela grandeza, pelo espaço desafogado nem (muito menos) pela decoração moderna. Não sobressai por isso – pois são características que não possui – e ainda bem.

 

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Salienta-se antes pelo aroma, o melhor dos nossos sentidos, aquele que nos remete para a nossa saudade, aquele que nos recorda o café moído na altura, aquele que nos lembra os caramelos coloridos, aquele que nos revive as geleias de fruta e também o cheiro singular dos rebuçados Dr. Bayard. A isto tudo, anexam-se as amêndoas de chocolate, os frutos secos e o impulso, para entrar, surge naturalmente. E isso é tudo.

 

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Da forma como está, encontra-se aberta há 46 anos, sendo que há muitos mais, se tivermos me conta mudanças antigas da loja do n.º 55C desta movimentada avenida da cidade.

 

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O atendimento, esse, é personalizado, dado com detalhe, paciência e amizade, aos clientes que por ali pairam há já longos anos.

Conversa-se sobre passagens pessoais, sobre a avó, sobre a mãe, sobre a filha, perguntas ligeiras e amáveis, resposta leves e sentidas.

Conversa-se também sobre “o mesmo do costume”, sobre o “pode moer que já cá venho buscar”. A forma de falar é familiar e cheirosa - como o café que por ali paira.

Aos novos clientes, a forma de receber, não varia: a simpatia corre nas veias dos donos, na mesma medida que as prateleiras se enchem de bules, chávenas, chás e bolachas.

 

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Uma loja a recomendar a quem sente a necessidade de voltar às origens, onde esse regresso se faz embebido numa chávena de chá e acompanhado por biscoitos tradicionais.

 

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17
Ago16

Gelados há muitos.

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Gelados há muitos. Mas eu só trago três. Os preferidos do momento!

 

Em Lisboa brotam gelatarias. Umas atrás das outras. Como cogumelos. Dos bons. Eu adoro gelatarias. Sou viciada em gelados – no meu mundo ideal, eles são comidos, consecutivamente, diretamente de uma caixa gigante, enquanto descanso no sofá.

 

Selecionei 3 gelatarias que fazem parte da minha rotina, em Lisboa:

 

- Gelataria Conchanata na AV. Igreja -> site aqui

Peço sempre (sempre!), e é também a sugestão que eu faço, uma Conchanata com 3 bolas de nata e uma de amêndoa. Não se vão arrepender!

 

- Gelataria Artisani – há em vários locais –> site aqui

Vou, muitas vezes, à loja da Estrela. Gosto de todos os sabores: feitos com água de Luso e com leite Vigor. Esta loja tem, em algumas mesas, baloiços e faz as delícias da criançada (e minhas!).

 

- Gelato Davvero -> perto do Cais do Sodré -> site aqui

Gelados à italiana. Sou obcecada pelo sabor tiramisuú e, cereja no topo do bolo, que, não é cereja, nem há bolo: um pedaço de nata que barram no final do copo estar pronto.

 

Conheciam? E, desse lado, há sugestões?

31
Jul16

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa.

CD

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, pairam turistas sarapintados pelo sol, leves, de calções e camisolas de alças e sempre, sempre, de máquina fotográfica a tiracolo.

 

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, pareço, algumas vezes, uma turista envergonhada, procuro olhar sem ser olhada, ver sem ser vista. Uma estranha na minha cidade, adquirida, ela, por visitantes ocasionais, cabeleiras louras e curiosidade latente nas suas peles claras.

 

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, passeio, delgada e concentrada, em busca das novidades que os turistas trazem à minha cidade.

 

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, vejo-lhes o desejo de descobrir e invejo-lhes o desprendimento ao caminhar nos passeios da minha cidade. Estão ligeiros e soltos, olhos esbugalhados e manifestam uma passada, por vezes, hesitante. Trazem um mapa, param, fixam um ponto. Encaminham-se na Baixa geometricamente desenhada, nas ruas geometricamente definidas.

 

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, à noite, vejo-os arranjados, bem vestidos, as peles já rosadas, ar feliz e tranquilo. Cobiço-lhes os momentos serenos que têm, as férias que merecem, as descobertas a que assistem.

 

Nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, dividem os mesmos restaurantes típicos comigo, nesta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, passeiam-se no Bairro Alto, no Cais do Sodré, vivem, esta Lisboa que era minha e que, agora, é nossa, com fervor e vontade, admirados pela vida, pela luz, pelo dia e pela noite que, esta cidade, que era minha e que, agora, é nossa, tem.

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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