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(in)sensatez

24
Set17

Dizem os outros.

CD

"Pessoas que passam a vida a dizer que lêem imenso, que liam Sartre e Tolstoi no jardim de infância, enquanto os outros cantavam o fungagá da bicharada, que têm um vício, uma compulsão, que só param quando começam a chorar da vista, que têm sonhos húmidos com livreiros e que snifam linhas de mofo para fugirem da aridez de um mundo sem literatura, façam-me um favor: não digam que último livro que leram foi “top”. Epá, por amor da santa: não."

 

Da Cristina Nobre Soares, retirado do seu blog em Linha Recta

19
Set17

Dedicatória.

CD

No outro dia, na Livraria Almedina, quando comprava o presente de anos da minha prima, lembrei-me que lhe podia escrever uma dedicatória, como muitas vezes faço.

 

Mas deixei passar porque, caso ela já tivesse o livro, não o poderia trocar. Os livros para mim são sempre sinais de amor e, por isso, imaginei…

 

Alguém dar um livro com uma dedicatória escrita numa das suas páginas mais para o final. Quem recebia o livro, não via a dedicatória e, por já ter aquele livro, ia trocá-lo. Mais tarde, alguém compraria esse mesmo livro com essa mesma dedicatória colada às suas folhas.

 

E assim, a dedicatória e o amor, andariam de mão em mão, a passar de pessoa para pessoa, a distribuir o que de melhor temos para oferecer.

 

O livro que lhe ofereci foi este:

 

Indice médio de felicidade.JPG

 

Já leram?

17
Set17

A inspiração e o plágio.

CD

Hoje em dia fala-se muito em inspiração. Na verdade, qualquer processo criativo, desde que existimos, se senta, de forma confortável, na inspiração.

 

Sou mesmo da opinião que qualquer obra que criamos tem por base aquilo que sentimos à nossa volta. Não só surge daquilo por que passamos, das nossas vivências, como também nasce daquilo que vemos, em nosso redor, acontecer: a arte que absorvemos, os livros, as músicas, os filmes, as pinturas a que temos acesso. A inspiração é aquilo que, muitas vezes, nos desbloqueia e que nos dá ânimo para nos desenvolvermos e criarmos algo único.

 

Por alguma razão se diz que um escritor deve ler muito: para aprender, claro que sim, mas também para se inspirar. Os músicos absorvem músicas e histórias e letras e melodias. O Rui Veloso é uma referência e uma inspiração de muitas bandas actuais, por exemplo.

 

Há, no entanto, uma linha que separa a inspiração da cópia.

 

A inspiração é sinal de respeito, é sinal de reconhecimento, é sinal que estamos a construir uma identidade nas artes. A cópia é, exactamente, o oposto: significa desrespeito pelo trabalho alheio, desrespeito por quem passa dias a pensar em determinado propósito. Plágio significa roubo daquilo que de mais puro possuímos: aquilo que nos sai da cabeça, de horas de trabalho, de minutos de dedicação. É pior do que roubar uma carteira, porque nos estão a roubar uma identidade.

 

Dediquei-me a investigar um tema que, não sendo propriamente novo, surgiu agora com bastante força: as músicas do Tony Carreira.

 

Dediquem-se a ouvi-las e, por muito respeito que tenha por tudo aquilo que o Tony Carreira construiu, por tudo aquilo em que se tornou, não consigo perceber como é que alguém desrespeita obra alheia, especialmente, quando é também possuidor de uma.

 

Ouçam e depois digam-me.

 

E mais respeito pelo trabalho alheio, por favor.

04
Set17

Alma de Escritora.

CD

Uma vez, há muitos anos, referiram-me que eu tinha alma de escritora.

 

 

Na altura, não percebi (aliás, sendo franca, ainda hoje tenho certas dúvidas que perceba) o significado disto de ter alma de escritora.

 

 

Porém, hoje, enquanto relaxava (aquele verbo cuja quietude tenho dificuldade em alcançar), vislumbrei em mim, na sombra que se projetava no chão, um imagem ténue do que poderia ser isto de ter alma de escritora.

 

 

Ali, recortada na sombra que me desenhava, nas margens do rio que jorrava, vi, vi mesmo, ainda que não me considere uma, a sombra da escritora que sou.

 

 

 

Texto escrito no início das minhas férias, no Minho, início de Agosto 2017.

24
Ago17

Sobre a polémica da Porto Editora.

CD

porto editora.jpg

 

É assustador que, num país que se diz democrático, se "recomende" que sejam retirados livros do mercado. 
Se temos o direito de não gostar da abordagem dos livros Porto Editora? Sim, claro que temos.
Se temos o direito de investigar se há alguma lógica nisto (alguma característica inata que, nesta fase de vida, justifique) de existirem exercícios com grau de dificuldade diferente consoante o sexo? Sim, claro. 
Se temos o direito de questionar se faz algum sentido, nos dias de hoje, existir um livro cor-de-rosa para menina e um outro de cor azul para menino? Óbvio que sim. 
Se temos, no limite, o direito de nunca mais comprar nenhum livro desta editora? Claro que sim. 
Mas não temos o direito - nunca, em tempo algum - de "pedir" que sejam retirados livros do mercado. É perigoso. É dramático. É o repetir de uma história antiga.
Ultimamente, já são demasiadas as situações a que temos assistido numa tentativa de castrar a nossa liberdade de expressão; demasiadas para um país que se diz tão a favor (e tão traumatizado pela falta) dela.
E eu, bom, eu que escrevo, aliás, todos nós que, de algum modo, escrevemos, temos o dever de nunca ceder a qualquer tipo de pressão para reescrever ou apagar algo. 
É a nossa função em prol daquilo por que lutamos diariamente: a liberdade de expressão, de pensamento e de vida.
 
 

 

 

04
Jul17

O livro que vou ler a seguir (desde 2010).

CD

os homens que odeiam as mulheres.jpg

 

Comprei este livro em 2010. É sempre "o livro que vou ler a seguir". Mas, nunca o é, verdadeiramente. Tenho imensa pena dele, sempre renegado para segundas núpcias, para aquelas que nunca surgem. Estou a meio de um livro bom mas (algo) pesado. Preciso de o intercalar com um mais leve e rápido. Acho que chegou a hora, sete anos depois, deste "Os Homens que Odeiam as Mulheres". Vamos lá ver isto.

Mais sobre mim

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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