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insensatez

The night.

O trânsito, hoje, no meu regresso a casa, estava caótico. Eu, que me resigno sempre ao “pára-arranca” da cidade, estava a ficar irritada: já era relativamente tarde e eu só pensava no jantar que queria ter, descansada em casa, com o Ricardo.

Imediatamente antes de começar a rogar pragas ao mundo surgiu, leve e ligeira, esta música. E eu, bom, eu fiquei por ali, naquele metro e meio de carro que é o meu, a pensar que até no mais caótico trânsito, até no mais pequeno carro, até na mais pequena música, alguma sorte pode existir. A minha aconteceu ali.

Ouçam que vale a pena.

 

 

Sobre o Salvador Sobral.

 

Num mundo perfeito, como aquele onde actualmente existimos, as refeições são equilibradas, os corpos estão hidratados e os comportamentos estão treinados. Num mundo perfeito, como aquele onde actualmente existimos, os dias estão equilibrados em agendas sem rabiscos, os próximos projectos são brutais e as imagens são filtradas com luz, com muita luz. Num mundo perfeito, como aquele onde actualmente existimos, percebo (não concordando) quando uma pessoa com imagem desgadelhada, postura desarticulada, roupa descaída, ganha uma posição de destaque em determinada área (pela sua prestação ter sido efectivamente boa) e toda a massa opinativa deste mundo lhe cospe críticas negativas. Percebo (não concordando) que, num mundo perfeito, como aquele onde actualmente existimos, não haja espaço, nem nos feeds das redes sociais nem nos horários nobres televisivos, para pessoas com imagem desgadelhada, postura desarticulada e roupa descaída. Não há espaço, num mundo perfeito, como aquele onde actualmente existimos, para criar diferente e para ouvir, de olhos bem abertos, a beleza desta canção. 💛

António Zambujo - na Fundação Calouste Gulbenkian.

Zambujo.JPG

 

Na passada sexta-feira fui ao concerto do António Zambujo, na Fundação Calouste Gulbenkian. O tema deste concerto foi o seu álbum “Até pensei que fosse minha”, aquele que constitui uma homenagem clara a Chico Buarque, o maior letrista de língua portuguesa, segundo Zambujo.

O concerto foi maravilhoso, desenvolvido num ambiente muito intimista: o palco estava, aliás, alinhado com esse mesmo ambiente, pois fazia lembrar uma confortável sala de estar.

A sala de espetáculos, o Grande Auditório da Fundação, é, na minha opinião, das melhores salas que temos, tanto pelo conforto como pela acústica que nos fornece.

Fiquei à espera que Chico Buarque entrasse a qualquer momento, mas tal não aconteceu - não foi inferior por isso: nada disso.

Roberta Sá foi convidada e foi quem acompanhou Zambujo na música “Sem Fantasia”, à semelhança do que acontece no álbum.

Uma palavra para os músicos que acompanham Zambujo: é muito bom verificar que, num país que não prima propriamente pelos grandes apoios que fornece aos artistas, temos músicos tão validos, tão bons, tão perfeitos.

No final, tivemos direito a bónus: ficamos para a sessão de autógrafos e podemos trocar duas beijocas com o Zambujo (Zambas, para os amigos).

Gostei muito (mais uma vez).