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(in)sensatez

05
Jan18

Palavras para 2018.

CD

Li no blog da Cláudia, há uns tempos, que ela escolhia, antes do ano começar, uma palavra que a ajudava a concretizar o ano seguinte.

 

Achei a ideia interessante.

 

Por norma, temos por hábito olhar para trás. Soubemos ontem que “INCÊNDIOS” foi a Palavra do Ano, eleita para 2017, para Portugal, na iniciativa da Porto Editora.

 

Não sendo menos importante dizer como foi o ano que passou, também é relevante definir como queremos que seja o ano que se vai iniciar.

 

Rodar a nossa vida à volta da palavra inicialmente escolhida é um belo exercício pois representa uma grande responsabilidade naquilo que queremos que a nossa vida se torne.

 

Digo-vos já que requer muito pensamento!

 

Então, andei uns dias à volta da palavra que eu queria para 2018. Depois de muito debater com o Ricardo, cheguei a uma: RELATIVIZAR.

 

Palavra para 2018 2.jpg

 

Não relativizo nada. Ou, por outra, sou a pior estirpe de quem, em teoria, relativiza: eu finjo que relativizo. Digo que não me importo mas depois fica aqui tudo a remoer. O que eu quero mesmo é conseguir relativizar cá de dentro, com convicção.

 

Depois pensei e pensei e pensei e concluí que relativizar era óptimo para me dar paz mas que não queria basear um ano inteiro a corrigir um “defeito de fabrico”. 365 dias inteirinhos a relativizar? Só a relativizar? Para mim, não fazia sentido.

 

Queria uma palavra que me levasse mais longe (bom, eu confesso: na verdade, não consegui escolher apenas uma só palavra – o meu poder de síntese não é assim tão grande – foi a dura conclusão a que eu cheguei).

 

E, então, à palavra “RELATIVIZAR” juntei a palavra “ESCRITA”.

 

Palavra para 2018 1.jpg

 

Quero que 2018 cheia um ano cheio de “ESCRITA”. Quero escrever ainda mais e mais, para construir e construir e construir.

 

E, com estas duas palavras, parece-me que tenho as condições reunidas para tornar, o ano 2018, num grande ano.

 

E vocês, que acharam desta ideia? Já escolheram as vossas palavras?

01
Ago17

A vida em palavras-chave.

CD

1234.jpg

 

Numa apresentação a que assisti recentemente referiu-se que uma grande parte do nosso mundo gira em torno das palavras-chave: as do alarme, a do telemóvel, do computador, do facebook, das mil contas de e-mails, das trezentas mil aplicações que temos e que achamos que já não conseguimos viver sem, as dos bancos, das finanças, da segurança social, dos sistemas empresariais, dos multibancos, aquelas que servem para confirmar transações, para confirmar registos, para fazer registos, entre muitas, muitas, muitas outras situações.

 

Ficava mesmo muito feliz se se pudesse usar sempre a mesma: espetava com um 1234 em todo o lado e resolvia o assunto. Mas não, aparentemente, é uma palavra-chave “fraca”, aparentemente tem que ter uma letra, uma maiúscula e, pelo menos, 6 caracteres para se considerar “forte” e eu, que gosto de me imaginar uma pessoa forte, envergonho-me perante mim própria, por ter criado uma palavra-chave fraca e lá vou eu refazer o que primeiramente elaborei.

 

Depois, quando passa um ano sempre com a mesma palavra-chave “forte”, lá vem o lembrete a dizer que, por questões de segurança, temos que voltar a mudar. E lá vou eu, novamente, repensar uma palavra-chave “forte”, mais uma para incluir à lista de milhões de palavras-chave já por mim criadas.

 

Para mim, porém, o ponto alto (e mais deprimente) na construção de um registo, após termos criado um utilizador, uma palavra-chave, após termos dito quantos anos temos, o nosso número de calçado, a nossa cor preferida, o nosso livro preferido, o nosso animal preferido, que somos casados, após termos colocado toda a nossa informação mais pessoal e intransmissível, é quando nos perguntam: és um robot?

 

Juro que a primeira vez que vi esta pergunta, com um “quiz” de imagens para identificar aquelas que tinham placas de rua, achei que era para os apanhados.

 

Não, eu não sou um robot - ainda tentei escrever (mas não havia um sítio disponível para tal).

 

Não estou preparada para que questionem a minha inteligência de forma tão básica e crua - não, eu juro mesmo que não sou um robot.

 

Mais preparada estou para reconhecer a fragilidade que há em mim e a tendência para arredondar, as palavras-chave, com um 1234. Para isso, a partir de agora, podem mesmo contar comigo.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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