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(in)sensatez

07
Nov17

Web Summit - vamos lá, então, falar disto.

CD

Eu acho que cheguei àquela fase da minha vida em que só quero duas coisas: sopas (quentes, de preferência) e descanso. Já não tenho assim grande vontade para andar no trânsito, já não adoro estar em filas para ser atendida nos sítios mais in do mundo, já reviro os olhos quando estou numa multidão, enfim, coisas deste género que impactam com a minha tranquilidade.

 

Não pensem, por favor, que sou uma pessoa idosa vestida de menina de 32 (quase 33) anos, mas, de facto, gosto muito da calma da minha casa onde, em paz e sossego, me posso dedicar às coisas que, realmente, me fazem feliz.

 

Isto para dizer que qualquer evento que surja na minha cidade, dispara, em mim, imediatamente, dois pensamentos: o primeiro, é um pensamento de orgulho (fogo, a minha cidade está a ficar tão gira, tão mexida, tão na moda que já tem a capacidade de puxar para si própria eventos desta dimensão); o segundo, é um pensamento egoísta e do qual, atenção, não me orgulho nada (vou ter a minha vida, nos dias deste evento, transformada no mais profundo caos: isto nunca mais acaba?).

 

Isto aplica-se, claro, ao Web Summit: ainda bem que é cá, que a nossa cidade está cada vez mais gira!, mas estou desejosa que acabe!

 

Depois, bom, depois sou obrigada a concordar em parte com a opinião que o João Miguel Tavares escreveu no Público:

 

“(…) acho tudo aquilo uma parolice colectiva, muito para lá do meu pobre entendimento. Deixem-me precisar que a acusação de parolice não deriva da inutilidade que um encontro destes possa ter para quem o frequenta. Da mesma forma que um congresso de hematologia é útil para hematologistas, este também será útil para empreendedores, startups com acne e investidores em dotcoms. A parolice reside na sua cobertura mediática e no fervor religioso que desperta.

 

Na minha opinião, a palavra "parolice" é capaz de ser um pouco exagerada mas eu até concordo com a ideia que ele pretende transmitir. Reconheço que é um evento importante, que dá visibilidade a Lisboa e que tem interesse para quem trabalha numa das três áreas do evento  (empreendedorismo, tecnologia e inovação) mas, bolas!, dá para baixarmos os níveis de excitação?

 

De um momento para o outro, o mundo gira à volta do Web Summit e todas as pessoas resolvem partilhar, pelas redes sociais deste mundo, os passes com os seus nomes lá estampados. A sério, qual é este fascínio repentino por passes? Nunca vi igual gaudio na partilha, sei lá, dos passes sociais, que até são mais bonitos!

 

Para a semana, quero todos a mandarem-me fotografias do L1 da Carris.

 

É que: entendam-se, por favor!

05
Nov17

Quando o uso da tecnologia se torna mais importante do que o nosso bem-estar.

CD

No outro dia, num restaurante onde, por vezes, vou almoçar, tiraram o meu prato da cozinha e, em vez de o levarem para junto de mim, encaminharam-no para uma mesa perto da janela (para apanhar a melhor luz), sacaram do telemóvel e passaram uns valentes minutos a fotografa-lo (enquanto falavam por cima dele), com o objectivo final de colocarem a sua imagem nas redes sociais. Sim, era o primeiro prato do dia porque eu, geralmente, almoço cedo.

 

Eu sei que sou uma pessoa repleta de manias estranhas, tais como, gostar de comer a minha refeição quente e, de preferência, sem perdigotos a fazerem de topping, mas será que podiam, por favor, colocar um travão quando o uso tecnologia – neste caso, a publicidade diária que este restaurante faz aos seus pratos nas redes sociais - se torna mais importante do que o bem-estar do cliente que, bom, no final ainda paga?

 

Este tema é recorrente aqui no blog, eu sei, porque estou, francamente, atenta a todas situações que me fazem questionar a nossa relação com a tecnologia.

 

Obviamente, - não sou uma pessoa idosa, ok? - que reconheço as melhorias que a tecnologia trouxe à nossa vida: alguém ainda se lembra de ligar, para o telefone fixo, para falar com aquele amigo, e quem atendia o telefone ser sempre a mãe dele? (nada contra as mães dos amigos, atenção!, mas, justiça seja feita, com a evolução tecnológica encurtamos caminho e agora podemos falar diretamente com quem queremos).

 

Mas, convém mesmo as pessoas terem mais tino, dá algum jeito as pessoas começarem a pensar, com carinho, no bem-estar de quem já usufrui do restaurante, neste exemplo concreto que dou, caso pretendam que a clientela se mantenha fidelizada.

 

É só uma ideia.

10
Fev17

É mesmo por aqui que queremos ir?

CD

Sinto, no geral, a sociedade a contrariar a tendência da dependência das redes. Mas, de vez enquanto, apanho choques de realidade. Ontem, parei numa passadeira para deixar, uma miúda, passar. Antes de parar, não reparei muito nela mas, depois, quando ela não se atravessou à minha frente no momento em que o devia ter feito, espequei-me a avaliar a dita. Era absolutamente normal. Porém, - reparei - a roupa era pouca para esta altura do ano, com clara compensação no batom escuro que usava. O que mais me chamou a atenção nem foi o kit escolhido para um dia de inverno, foi mais a razão pela qual ela não passou a passadeira que se prostrava à sua frente: a miúda, com pouca roupa para esta altura do ano e com demasiado batom para o meu gosto conservador, estava parada na berma da estrada, a fazer poses dengosas, à frente de um telemóvel, no meio da rua - língua de fora para cá, beijinho para lá, pernas enroladas, aperto no peito, mais uma língua de fora, mais um beijinho, num seguimento difícil de acompanhar mas que eu observada embasbacada – sempre (sempre!) com um telemóvel apontado a ela. Uns segundos depois, lá atravessou a rua, sem nunca olhar para os carros, sempre focada no telemóvel que trazia dois palmos acima da cabeça, enquanto vestia também - para além da pouca roupa e do batom exagerado - trejeitos sexys e poses empinadas.

Eu, depois de levar duas buzinadelas, lá acordei e segui com a minha vida.

De facto, a realidade centra-se, cada vez mais, naquele retângulo pequeno com que andamos todos os dias que, vamos combinar, de realidade tem muito pouco.

A minha dúvida mantém-se: é mesmo por aqui que queremos ir?

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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