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(in)sensatez

16
Nov17

Fita métrica.

CD

fita métrica.JPG

 

Ultimamente, tenho escrito sempre rodeada do meu livro cor-de-rosa preferido mas também, não sei porquê, de uma fita métrica.

 

Sobre a fita métrica que veio parar à mesa de onde vos escrevo, a sua história inicial não sei, mas sei que foi usada numa formação cujo objetivo era definir e quantificar o tempo.

 

Sobre a definição de tempo, já vos falei, tenho bastante dificuldade em compreendê-la e é até um tema que me inquieta e que revisito com regularidade. Escrevo muito sobre isso (aqui e aqui).

 

A fita métrica, não pretende, julgo eu, ser um exercício macabro mas, apenas e só, realista.

 

Consiste em cortar a fita na esperança média de vida dos portugueses (julgo que é 83 anos) e voltar a cortar na nossa idade (aqui será, claro, os 33 anos).

 

Depois, bom, depois é analisar, com a fita que nos fica nas mãos, o pedaço que nos falta viver e o que queremos construir com ele.

 

Pensem nisto e não fujam já: seguramente que ainda falta muito para a vossa fita terminar.

 

13
Nov17

O tempo.

CD

cd fff.JPG

 

O tempo sempre me intrigou.

 

Parece, à primeira vista, uma medida exata. “Um minuto é um minuto”, dizem vocês e eu concordo; embora, claro, sei que vamos discordar se referirem que “uma vida é uma vida” – aqui, quantos tempos cabem?

 

O livro Sapiens, de Yuval Noah Harari, diz, no seu primeiro parágrafo: “Há cerca de 13,5 mil milhões de anos, a matéria, a energia, o tempo e o espaço surgiram no que ficou conhecido como Big Bang. À história destes aspetos fundamentais do nosso Universo, chamamos física.”

 

Leiga no que à física diz respeito, consigo ver a matéria, presenciar a energia e, até, verificar o espaço, mas tenho sempre muita dificuldade em sentir o tempo. De sentir e de vibrar mas, verdade seja dita, sinto-me sempre a flutuar com ele.

 

Na verdade, o tempo, esse ser escorregadio, continua a ser uma ciência oculta para mim: 13,5 mil milhões de anos depois eu continuo sem o entender – digam-me, por favor, que não sou a única.

 

O tempo, em teoria, deverá ser uma medida igual para mim, para ti que me lês ou para ele que, não me lendo, também o vive.

 

O tempo, essa coisa intangível, vaga, que nos transforma e que nos consome, suspeito que não passa de um buraco escuro para onde nos afundamos todos, dia após dia, sempre mais um bocadinho.

 

O tempo, esse minuto, mais minuto, menos minuto, cheio de sessenta segundos, todos vivos, todos iguais, para mim, não é nada; ele voa e desaparece.

 

Porém, esse minuto, cheio dos tais sessenta segundos, igual para mim, igual para ti e igual para ele, para a Maria dos Anjos, que vive os seus dias a ver os segundos que compõem os minutos passar, e também para a Dona Conceição, esse minuto será imenso: pode encorpar numa conversa que se quer ter, numa palavra que se pretende dizer ou num detalhe que lhes irá encher os dias.

Para nós, esse minuto, cheio de sessenta segundos, é rápido e igual a todos os outros; para elas, que os veem passar, uma vida inteira está ali condensada.

 

Amanhã faço anos. Não sei quantos minutos já completei mas a verdade é que não sinto o tempo rolar, esse conceito abstrato, esse conceito incorpóreo; sei que estou mais velha, mas sei também que ainda me falta fazer muita coisa.

 

Nisso, tempo, nisso podes dar uma ajuda: fica! Abranda um pouco, mas fica; apesar de mal te ver passar, gosto de ti como és.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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