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(in)sensatez

04
Dez17

Tenho de escrever?, por Rita Viegas

CD

A minha amiga Rita Viegas também respondeu ao desafio "Tenho de escrever?"

A Rita não tem blog - o que é uma pena pois escreve mesmo muito bem.

 

Aqui fica a sua resposta:

 

"Não, não tenho de escrever. O velhinho caderno de capa azul é prova disso.

O silêncio das suas folhas macias, diz mais do que eu alguma vez poderei nele escrever. A sua capa de tecido azul céu, guarda os meus maiores sonhos e os meus mais profundos desejos, cobertos por uma ansiedade nele adormecida.

No seu saquinho de linho, o caderno de capa azul mantém-se imaculado. De vez em quando, é cuidadosamente admirado, carinhosamente manuseado e apaixonadamente abraçado. Seguro-o nos meus braços, próximo do coração, com o amor e a cumplicidade de quem sabe que será ele um dia a dizer-vos aquilo que um dia vos escrevi.

O velhinho caderno de capa azul não está abandonado, nem perdido, muito menos esquecido. Está à espera. Não do dia em que eu tiver de nele escrever, porque não, eu não tenho de escrever. Está só à espera. À vossa espera."

 

Eu acho que a Rita tem mesmo de escrever, não acham?

 

Obrigada, Rita.

 

Podem ver todas as participações aqui.

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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