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(in)sensatez

18
Dez17

Tiro ao homem.

CD

Aqui há uns meses, quando escrevi o meu texto sobre a polémica da Porto Editora, uma pessoa escreveu, de forma algo maldosa até, uma série de considerações sobre mim sem nunca se debruçar sobre a minha opinião.

 

Posso considerar que esse foi o meu primeiro hater que tive na vida e, desde então, nunca mais soube nada dele.

 

No texto que escrevi, eu liguei a polémica da Porto Editora ao tema liberdade de expressão. Podia ter falado do assunto de inúmeros prismas mas optei por esse. Porque acho importante falar-se e falar-se e falar-se deste tema, até à exaustão, para que as pessoas não se esqueçam nunca que não há liberdade de expressão com mas e que pessoas que dizem “eu sou a favor da liberdade de expressão mas o Charlie Hebdo foi longe demais”, são pessoas que, obviamente, não são a favor da liberdade de expressão.

 

Bom, mas, dizia eu, no meio do comentário do meu hater, ele dizia que não percebia como é que eu era a favor da liberdade de expressão e tinha os comentários moderados no blog, aprovando apenas aquilo que eu queria aprovar (que, normalmente, é tudo).

 

Ele não percebia e eu não lhe expliquei porque tenho por regra não dar visibilidade a gente que, em vez de argumentar uma ideia ou uma opinião, maltrata o detentor da mesma.

 

Atenção: eu não debati a sua questão (até, de certo modo, legítima) porque a mesma estava incluída num comentário bastante maldoso, agressivo e despropositado.

 

Mas, bom, hoje esbarrei neste texto (que vale muito a pena ler na íntegra) do João André, do blog Delito de Opinião, e ele explica, concretamente, aquilo que eu devia, se Deus me tivesse dotado de mais paciência, ter explicado quando o meu primeiro hater me questionou.

 

Deixo aqui a parte respeitante à moderação de comentários:

"Já quanto à "censura" que alguns comentadores clamam quando não aprovamos os comentários, tenho os seguintes pontos.

1. Não é censura. A censura é uma limitação grave da liberdade de expressão. Ao não aprovar um comentário ofensivo, agressivo, ou indecente, não impedimos qualquer liberdade de expressão. O comentador em causa continua a ser livre de colocar o mesmo comentário no Facebook, no Instagram, num blogue pessoal ou, se os donos tiverem estômago para isso, noutros blogues ou em jornais.

2. Limpar comentários nas caixas de cada um dos autores é um acto de higiene. Ninguém pensa que estamos a impedir liberdade de expressão às moscas quando removemos o lixo de nossas casas.

3. A democracia só o é de forma verdadeira quando existe um debate respeitoso. O ruído impede-o e, como tal, comentários ou opiniões agressivos e/ou ofensivos impedem uma discussão correcta. Como tal, numa discussão, ao limparmos eses comentários estamos a promover a democracia. Eu não retirarei o comentário não ofensivo de alguém que proclame a inferioridade de alguém de uma crença específica, mas fá-lo-ei a alguém que posteriormente insulte o autor desse comentário."

 

 

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Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

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