Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

(in)sensatez

14
Jul17

Vamos falar sobre amamentação?

CD

Para começar o fim-de-semana em grande, vamos falar de um tema um pouco polémico: a amamentação.

 

Já estou a escrever este texto há umas semanas e tenho perfeita noção que estou a tocar num tema muito sensível. Acreditem que pensei bastante antes de o publicar mas, bom, ainda acredito que vivo num país democrático e que são aceites opiniões, apesar de as mesmas poderem não seguir o caminho das maiorias.

 

Ultimamente tem-se falado – muito, muito – sobre a amamentação: sobre a sua importância, sobre a sua forma, sobre a sua substância.

 

Como em tudo, há quem leve o tema na desportiva mas há também quem o estique até ao limite. Até agora, é um facto, ainda não ouvi ninguém dizer que a amamentação não era relevante, julgo que até é – minimamente - consensual a sua importância nos primeiros tempos de vida de um bebé.

 

Como (quase) em tudo na vida, não sou extremista. Nos temas em que tenho adotado uma atitude mais densa, a vida não me tem poupado e mostra-me sempre, de uma forma ou de outra, que, se calhar, é mesmo melhor acalmar-me e dar a possibilidade a outras abordagens sobre o mesmo tema.

 

Acho mesmo que, caso a mãe não consiga avançar com a amamentação, deve ponderar a hipótese de parar. Por ela mas, especialmente, pelo bebé.

 

Não acho que nenhuma mãe é “mais mãe” por dar de mamar (tal como não acho que nenhuma mãe é “menos mãe” por não dar).

 

Porém, não concordo quando se decide, a priori, que não se quer dar de mamar, quando esta decisão é tomada sem fundamento, ainda o puto não está cá fora. Decide-se só porque sim; decide-se com a mesma leviandade com que se decide que se quer uma cesariana (what?).

 

Nestas coisas, quando a mãe está bem, acho sempre que é o bebé quem decide.

 

Há, no entanto, outro ponto que gostaria de abordar: a banalização do acto.

 

Ninguém diz que é um momento feio e que se deve esconder mas, bolas, parem de bombardear toda a gente com fotografias de bebés a mamar, apenas porque sim. É no instagram, é no facebook, é a toda a hora. Calma, malta!

 

É um momento lindo entre mãe e filho, disso não há dúvida, mas não é necessário essa invasão do espaço alheio; não acho sexual, nada disso, mas não gosto de, por exemplo, estar num restaurante de forma tranquila e assistir a essa situação (e, não, não sou fraca de estômago). Não gosto, lamento.

 

E acho que a máxima “a minha liberdade acaba, quando começa a dos outros” também é aplicada aqui. Se querem saber, julgo que deve haver algum decoro mesmo que se trate de um acto bonito. Para além de que, vamos lá combinar, ainda que bonito, é um acto privado entre mãe e filho e, na minha opinião, deve ser preservado na intimidade dos dois.

 

Claro que sei que os bebés não escolhem, muitas vezes, a altura de mamar, sim, sou solidária com isso, mas há diversas forma de criar privacidade sem se ter que colocar necessariamente a mãe em clausura, numa casa-de-banho de um restaurante, com a criança: há lençóis de amamentação, há a típica fralda que se coloca por cima, existem inúmeras formas. Dá inclusive para dar de mamar, sem ser necessário tapar com nada, sem mostrar pele nenhuma aos demais (dizem as minhas amigas mães - e eu já assisti e não me fez confusão nenhuma).

 

O meu ponto é concretamente na exposição do acto, de forma gratuita, como forma de marcar uma posição: mostrar só por mostrar como que para sublinhar o maravilhoso momento que é, a todo o custo; uma espécie de campanha pela amamentação sem qualquer filtro. Menos, por favor.

 

Mostrar só por mostrar, chocar só por chocar, bombardear só por bombardear - apenas para marcar uma posição - não é para mim!

 

Gostava que as pessoas entendessem, de uma vez por todas, que não faz sentido terem estas atitudes tão expostas em prol de guerras que não têm sequer razão de existir.

 

É só isto.

 

Fora esta pequena questão que algumas mães gostam de mostrar (literalmente), não tenho nada (rigorosamente nada) contra a amamentação. E tudo (ou, quase tudo, vá) a favor.

 

Até digo mais #amamentaçãoforever

 

(E, sim, este texto não tem fotografia por uma razão :) )

4 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrevam a Newsletter (prometo que não se vão arrepender)

Carreguem aqui para subscrever:)

Sigam-me

Facebook

Instagram @catarinaduarte.words

Biografia

Sou autora do livro infantil “Maria Bolinhos – no Reino da Maravilhosa Doçaria Alentejana” e do blog insensatez.blogs.sapo.pt. Escritora compulsiva: a minha vida é absorver tudo aquilo que vejo e tudo o que ouço. Se estão comigo há um certo risco de se tornarem inspiração da minha próxima personagem :) mas, calma!, não fujam já! Dou Workshops de Escrita Criativa a crianças e a adultos - são boas horas que sempre voam embaladas pelo fluir frenético da escrita. Devoro arte, sou constantemente inspirada por ela, nas suas mais diversas formas: livros, pintura, música, cinema, fotografia. Mas, também, jardins, praias, arestas dos prédios recortados da minha Lisboa: inspiro a luz que escorre pelas suas paredes, expiro um texto completo de incertezas. Não passo sem café, sem livros, sem as minhas viagens mas, especialmente, sem o ar livre da minha cidade, a minha maior inspiração. Tenho 32 anos, vivo em Lisboa com o meu marido e com as minhas palavras preferidas.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D