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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

16.10.18

Nas ruas por onde ando.

CD
Há sempre qualquer coisa de diferente, nas ruas por onde ando todos os dias.   Não sou eu que ando distraída, de olhar preso nas pedras escuras da calçada ou a evitar pisar as linhas que delimitam os seus desenhos. As mudanças estão a acontecer de forma rápida e a minha memória, na maior parte das vezes, não as consegue fixar.   Ando constantemente admirada: Olha que café tão giro! Olha que restaurante tão engraçado! Olha que jardim tão arranjado.   Pareço uma (...)
15.10.18

O início do Outono.

CD
Ficamos sempre em choque com o início do Outono. Eu fico, pelo menos. De uma forma geral, apetece-me que ele surja mas, depois, a logística da chuva depressa se transforma na chata logística de andar sempre carregada e eu perco logo toda a vontade de nele existir.   Os nossos pés, renegados para o fundo do corpo, sentem o aperto das botas. Eu sinto-lhes a dor e sou solidária com a mesma. Deve ser difícil viver, durante meses, de forma livre e desprendida e, de um momento para o (...)
12.10.18

Companhia e vício.

CD
De noite ou de dia, ela abria muitas vezes o livro, a garrafa de vinho e o maço de tabaco.   Quanto mais os abria, viam os olhos que se encontravam cravados nas suas paredes, mais vontade tinha de os abrir, como se o seu vício não fosse apenas o do seu consumo, mas também o do gesto a que se habituou fazer.   Fazia para se acalmar ou porque não tinha mais tarefas para cumprir mas, na maior parte das vezes, para preencher o vazio preenchido pela solidão.   Os objectos fazem-nos (...)
10.10.18

Raras são as vezes em que interessa saber de quem é a culpa.

CD
Provavelmente, também já por aqui passaram leitores que, em tempos, eram assíduos e que, depois, se fartaram do que aqui escrevo. Como diz o anúncio: é normal mudar de ideias.   Comigo também acontece e, por isso, não guardo rancores!   Leio uma determinada pessoa, um colunista, uma blogger ou um escritor, por gostar da forma como expõe as suas opiniões, por apreciar a forma como escreve sobre o mundo ou, ainda, a forma como rabisca os seus devaneios.   No geral, o que me leva (...)
08.10.18

Cristiano Ronaldo – quando os nossos sentimentos nos toldam as opiniões.

CD
 Seria de esperar que qualquer acusação que caísse sobre o Cristiano Ronaldo fosse alvo de inúmeras defesas. Tal como seria de esperar que qualquer acusação sobre Trump fosse apenas mais um argumento para o atacar.  Nós camuflamos, de forma mais veemente, os factos e, pior, a gravidade dos mesmos, quanto mais gostamos das pessoas envolvidas. Há uma grande tendência para defendermos os nossos, para irmos à escola descompor o professor porque ralhou com o nosso filho mal-educado. M (...)
03.10.18

Somos todos tão humanos que até chega a ser estranho.

CD
Admiro-me sempre como é que as nossas preocupações terrenas, algumas das quais que apenas existem por pertencermos ao primeiro mundo, que preenchem as nossas vidas, que lhes dão o ritmo a que estamos habituados, existem em situações espirituais, como um velório, por exemplo.   Pedir desculpa pelo atraso, ir tirar uma bica, vestir um casaco porque se tem frio, somos todos tão humanos que até chega a ser estranho.   Tão humanos, tão terrenos, como as preocupações que (...)
02.10.18

Quem me dera.

CD
Não sei há quantos anos foi, mas foi um dos concerto da minha vida, aquele que assisti em Guimarães, dado pela Mariza. Foi um presente do Ricardo que, sabendo que eu gosto mesmo muito desta voz-que-não-há-igual, organizou todo um fim-de-semana à volta disso.   Ela foge e une-se ao fado mas nunca desilude.   E esta agora tem sido viciante:    
25.09.18

É capaz de ser mais difícil chorar as pessoas em vida.

CD
Podemos negar, podemos fugir e até nos podemos esconder mas acabamos todos por estar bastante habituados a este choro e a este pranto e a esta mixórdia de frio e drama quando se choca de frente com a morte de alguém que nos é especial.   Difícil, difícil é aquilo que ninguém fala, como se omitisse deliberadamente a sua existência. Difícil, difícil é o que ninguém partilha como se tivesse medo de ser o único a assim sentir, quando este "sentir" é tão profundo (é difícil, (...)
13.09.18

Crianças que sustentam os pais.

CD
 (imagem retirada do pixabay) Hoje estava a ouvir o podcast “Cada um Sabe de Si”, em que o entrevistado era o Luís Franco-Bastos e, a dada altura, ele referiu a moda das bloggers (ou pessoas conhecidas) de colocarem fotografias dos seus filhos a tomar banho e depois se fartarem de identificar as marcas dos cremes e champôs, passando a mensagem que os filhos sustentam os pais, em vez de ser o contrário, como seria expectável.