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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Ter | 11.07.17

Quando o encanto desaparece por causa dos erros ortográficos.

Catarina Duarte

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Todos nós damos erros ortográficos. Assumir isso é mesmo meio caminho andado para a aceitação. Aceitem-se, por favor!

 

Por vezes, com a rapidez da escrita, com o facto de ela fluir a uma velocidade diferente – mais rápida, muito mais rápida – do que o pensamento, as palavras encavalitam-se e os erros surgem. É natural, meus amigos.

 

Rever os textos é meio caminho andado para mitigar estas situações. Mesmo assim, há textos que seguem com erros que, algumas vezes, são corrigidos a posteriori; outras vezes, não são, de todo, detectados. Neste último caso, estes textos limitam-se a ficar por ali, numa tentativa de sobreviver ao seu karma, sempre com erros atrelados à sua memória.

 

Uma coisa é certa: todos temos, pontualmente, dúvidas.

 

“Esta palavra é com “c” ou com “dois s”?”;

“Leva h?”

“Vê lá se esta frase faz sentido.” (sim, porque nem só de erros ortográficos vive o homem: há também erros de sintaxe, tantas vezes desprezados.)

 

Bom, mas vamo-nos focar nos erros ortográficos.

 

Eu, pessoalmente, enquadro-os em categorias.

 

Ora bem:

 

Na primeira categoria estão os erros aceitáveis.

São eles: uma vírgula que saltou do sítio, um acento agudo que fugiu, uma letra que galgou (reparem que, nesta categoria, os erros têm vida própria: saltam, fogem, galgam, etc).

 

Na segunda categoria estão os erros (adivinhem!) não aceitáveis (sou muito forte a dar nomes a categorias).

Nesta categoria podemos encontrar o “ trás ai o escadote”, o “atráz desse sofá ”, o “À muito tempo…”, o “voçês são muito giros”, ou ainda o “fui á fonte” (vamos combinar: este “á” não existe!!).

 

Basta passear um bocadinho pelas redes sociais (onde – lá vou eu dar as minhas fontes - fui beber inspiração para este post) para se apanhar logo todos estes erros.

 

Mas, malta, o pessoal ainda aceita os erros enquadráveis na primeira categoria, agora, bom, todos os da segunda categoria representam profundo desprezo pela língua de Camões.

 

Mais respeito, por favor.

Ter | 11.07.17

O rádio do meu avô.

Catarina Duarte

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Sou muito dada a objectos sem que, por isso, me considere materialista.

 

Confusos?

 

Eu explico: a memória, que é capaz de ser aquilo que melhor nos define enquanto pessoas, tende a escassear. A minha, em particular, não me dá tréguas. Não me lembro de muitas situações que ocorreram recentemente (perguntem-me o que jantei ontem e vão ver o tempo que fico aqui às voltas), imaginem aquelas que aconteceram há anos.

 

Por essa razão, acho que apenas por esta razão, agrafo-me aos objectos da minha família, como forma de me manter próxima dela.

 

O rádio do meu avô estava exactamente por detrás do lugar onde o meu avô se sentava às refeições. Quando mirava o meu avô, pelo meu lado direito, via os dois: observava o meu avô a comer, com real satisfação, o bife com batatas fritas e observava também o rádio que se mantinha desligado mas fiel em todas as refeições.

 

Hoje em dia, o meu rádio que, em tempos, foi do meu avô, também está na minha sala de jantar. Não está atrás da minha cadeira, mas consigo-me mira-lo também pela direita, exatamente como fazia quando a companhia era outra.

 

Gostava de saber como é que as pessoas desapegadas fazem na hora de recordar.

 

A minha forma de o fazer é, sem dúvida, esta.

Seg | 10.07.17

Gostava de saber se, quem fala em evolução, costuma ir ao supermercado comprar fruta.

Catarina Duarte

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Bom, eu, provavelmente, não sou a melhor pessoa para falar sobre este tema dado que não vou, com muita frequência, ao supermercado.

 

Ocasionalmente, lá acontece e foi o que sucedeu no domingo passado.

 

Como vou tão poucas vezes (talvez por isso mesmo!), acho sempre que quando esse momento acontece, já tudo evoluiu drasticamente: imagino sempre que chegamos àquele ponto em que os produtos voam até ao meu cesto apenas com o som do meu assobio, que as pessoas já não precisam de percorrer quilómetros para ir buscar o leite sendo que ele já aparece no meu cesto apenas por eu pensar nele, que já não existem filas para pagar porque o pagamento é feito no momento em que eu flutuo para a saída, que já não tenho que carregar os sacos até ao carro porque eles aparecem miraculosamente no meu porta-bagagens (nos meus sonhos de evolução tecnológica, não perguntem porquê, as coisas acontecem sempre a flutuar).

 

Enfim, fico sempre francamente chocada (e até desiludida) quando, não só constato que tudo continua na mesma, como verifico que há coisas que até pioraram.

 

Em determinadas superfícies, uma pessoa escolhe a fruta e os legumes à bruta, coloca-os no carrinho e os mesmos são pesados quando chegamos à caixa. O que, não sendo espectacular em termos de evolução tecnológica, já me parece muito bom.

 

Há outras superfícies (em particular, aquela onde fui no passado domingo) em que nós temos que decorar um código de três (repito: TRÊS) dígitos para depois nos dirigirmos a uma balança que por lá anda, perdida no meio dos aipos e dos nabos.

 

Ora, contas rápidas: se eu comprar quinze tipos diferentes de frutas e legumes tenho que decorar 45 algarismos. QUARENTA-E-CINCO algarismos formados de forma completamente aleatória (sem nenhuma lógica do género: um rabanete tem cinco folhas, ok, então o primeiro digito do código rabanete é um cinco - É SÓ UMA IDEIA).

 

Uma alternativa é, claro, ir buscar as laranjas, decorar os três dígitos, fazer uma piscina a correr para a balança (enquanto dizemos baixinho os três algarismos para não nos esquecermos), rezar para que não haja ninguém à nossa frente, digitar rapidamente os três dígitos, meter o saco no carrinho, ir buscar as pêras, decorar os três dígitos, fazer outra piscina até à balança, esperar que não haja ninguém à frente, digitar rapidamente os três dígitos, e por ai fora, quinze vezes. QUINZE VEZES.

 

Outra alternativa, bastante mais eficiente, é fazer os saquinhos com a fruta e os legumes, deixar todos os saquinhos com uma pessoa (um marido, uma filha, etc) que se vai posicionar estrategicamente na balança a digitar os algarismos e outra pessoa andar a correr por entre os corredores em busca dos números correspondentes a cada tipo de produto, enquanto se tenta comunicar com quem ficou na balança, num tom minimamente audível (mas que sai sempre perto do berreiro):

 

- LARANJAS: QUATRO-NOVE-CINCO. (enquanto se faz um quatro, um nove e um cinco com os dedos. – QUATRO-NOVE-CINCO.

 

E o outro, o que está na caixa, diz:

 

- O quê? Não ouço nada!

 

E se responde:

 

- LARANJAS: QUATRO-NOVE-CINCO.

 

E repetir este processo para aí umas quatro vezes até que, quem fica na caixa, lá entende e digita o número para rapidamente concluir que, na balança, tinha colocado pêssegos em vez de laranjas e que se vai ter que repetir todo – TODO - o processo.

 

Se objectivo é desenvolver a memória dos seus clientes o desafio está aceite, caro supermercado.

 

Quanto a mim, espero que, na próxima vez que tenha que ir até a uma superfície do género, alguém já tenha desenvolvido um sistema qualquer para dificultar mais o jogo: é que assim ainda está muito fácil.

 

Seg | 10.07.17

Línguas da sogra.

Catarina Duarte

Não gosto de ver pessoas idosas, com idade para serem meus avós, a pairar pelas ruas, a percorrerem os caixotes de lixo em busca de restos de comida ou beatas perdidas. 

 

Não sei as voltas que a vida me reserva, ninguém sabe os percalços dos trilhos por onde andamos, acho mesmo que não temos tanto poder sobre a nossa vida como aquele que julgamos ter: na verdade, lá vamos fazendo o nosso melhor, desenhando, como sabemos, a nossa sorte, mas há sempre coisas que nos fogem ao controlo. 

 

Não sei como se pautava a vida anterior à vida actual destas pessoas que se passeiam encurvadas nas ruas empedradas de Lisboa, mas assusta-me, pela noção do real, pela noção do efémero, que poderão ser pessoas como eu (como nós) cuja vida orientada se desenhava perfeita e que, por situações que lhes foram totalmente alheias, se viram na situação de repescar restos de comida onde habitualmente colocamos os nossos lixos.

 

Há uns anos, um senhor, com os seus 70 anos, vendia línguas da sogra nos semáforos da Praça de Espanha (creio que também o vi, um par de vezes, na Costa da Caparica). 

 

Não sei o que lhe sucedeu mas, o que é certo, é que nunca mais o vi. 

Ainda hoje não sei se o fazia por necessidade ou para passar as horas mas, o seu olhar cansado e o passo a arrastar, sempre me fizeram tender mais para a primeira opção. 

 

Num certo dia ameno, baixei o vidro e dei-lhe € 2,00. Disse-lhe que não queria as línguas da sogra mas que podia ficar com o dinheiro. 

 

Olhou-me, chocado, indignado até, com a minha postura. Ele tinha razão. Não estava a pedir, mesmo que precisasse de o fazer. Perante o seu olhar ríspido, meti a viola no saco, a língua da sogra sobre meu colo e segui caminho. 

 

Ele tinha razão. Não estava a pedir. 

 

Dom | 09.07.17

Bons filmes - procuram-se!

Catarina Duarte

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Ontem vi o filme "The Accountant", com Ben Affleck. Vou-vos poupar a um texto sobre a minha opinião sobre o dito, não saberia - isto é certo - o que escrever. A minha tendência é sempre falar sobre filmes ou livros que gosto o que, bom, não foi, de todo, o caso. Tenho-me vindo a afastar do cinema, é cada vez mais raro ver um filme que goste verdadeiramente. Não sei se a idade me trouxe exigência, se já vi tanta coisa que agora só aprecio caso seja algo mesmo muito diferente. O meu tempo é escasso e a paciência já não é muita para o triângulo "filme americano - lugares comuns - descobrem que são irmãos no final", num conceito cada vez mais comum e previsível que me faz remexer no sofá, de forma impaciente, à espera que acabe. Fico sempre com a ideia que já vi aquela expressão, aquele diálogo, aquele plano, aquela história noutros filmes, não há espaço para o efeito novidade, nem me sinto a crescer enquanto espectadora. Bons filmes - precisam-se. Sugestões?

Sex | 07.07.17

Somos seres básicos.

Catarina Duarte

As nossas necessidades básicas continuam a ser aquilo que – verdadeiramente - nos move.

 

Na verdade, eu acredito que sim, anda tudo, mais ou menos, atrás do mesmo.

 

Claro que há alturas em que lá nos distraímos (acontece a todos): olhamos para a esquerda, vemos uma borboleta (que gira!), entretemo-nos com ela durante um pedaço, afinal a nossa prioridade é mesmo o nosso sucesso profissional, aquele carro reluzente topo de gama ou aquele pedaço em Erasmus que vale tudo, e vamos pondo, caminho por caminho, umas coisas à frente das outras.

Assim, motivações que, diga-se de passagem, de prioritárias nada têm, vão ganhando terreno, enquanto ondulamos pela maré dos nossos dias.

 

Achamos que as nossas prioridades são todas diferentes. As minhas, as tuas e as tuas. Mas não: andamos todos atrás do mesmo.

 

Em última análise, por muitas voltas que se dê, por muitos caminhos secundários que se apanhe, por muito camuflado que esteja o nosso destino, por muitos distraído que esteja o nosso cérebro, em última análise,  as nossas necessidades básicas continuam a ser aquilo que - verdadeiramente - nos move.

 

E ainda bem. Adoro que sejamos seres básicos (mesmo que seja, para nós, fácil a distração).

 

Torna tudo mais fácil.

Sex | 07.07.17

Não somos todos humoristas.

Catarina Duarte

Se há profissão que aprecio é a de humorista (quando comecei a escrever este texto, no lugar da palavra “humorista”, tinha colocado a palavra “comediante” – ainda se usa esta palavra?).

 

Provavelmente, vão-me responder que há profissões mais dignas, como a de bombeiro ou a de médico. Nem sempre é fácil mas tento não estar sempre a comparar tudo. Sim, ser bombeiro ou médico é bom; humorista, à sua maneira, também.

 

O meu carinho por alguém que escreve piadas (e que até as interpreta) prende-se, em primeira instância, por reconhecer a dificuldade que existe em fazer alguém rir. Mas vai muito além disso: eu gosto (e, pelo meio, sinto alguma inveja por não o poder fazer também) do olhar desprendido, quase infantil, que os humoristas utilizam na realidade do dia-a-dia.

 

O ângulo de abordagem usado pelos humoristas que, de tão trabalhado, já lhes sai de forma (praticamente) natural, é apenas tolerado a quem faz disso profissão: no meu dia-a-dia mais engravatado, não há espaço intelectual para olhar para o lado B das coisas. É despropositado.

 

Fazer humor quando não se está para humor é outra característica que me faz ter algum fascínio por esta profissão. Podemos ser advogados, contabilistas ou mecânicos e exercer o nosso ofício de forma (minimamente) exemplar mesmo quando não estamos felizes. Porém, escrever ou dizer piadas quando não se está para ai virado (sim, todos temos dias maus), parece-me complicado porque representa trabalhar no confronto de dois sentimentos totalmente opostos: sinto-me triste mas vou fazer os outros rir.

 

A parte mais técnica de fazer uma boa piada, de aceitar que há pessoas que se podem dar ao luxo de ter olhar diferente das coisas e que, quase de certeza, situam, 3 pontos acima do comum dos mortais, o seu nível de inteligência, leva-me a ler as suas entrevistas, a tentar descortinar o seu raciocínio e a procurar seus pontos de vista.

 

Encontrei estes vídeos do Gregório Duvivier e do Ricardo Araújo Pereira, no âmbito do Unibes Cultural. Vale a pena ver:

 

Gregório Duvivier e Ricardo Araújo - Sensacional [Unibes Cultural - Pt. 1] 

Gregório Duvivier e Ricardo Araújo - Sensacional [Unibes Cultural - Pt. 2]

 

(era capaz de jurar que havia um vídeo completo mas agora não o encontro)

 

Ter | 04.07.17

O livro que vou ler a seguir (desde 2010).

Catarina Duarte

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Comprei este livro em 2010. É sempre "o livro que vou ler a seguir". Mas, nunca o é, verdadeiramente. Tenho imensa pena dele, sempre renegado para segundas núpcias, para aquelas que nunca surgem. Estou a meio de um livro bom mas (algo) pesado. Preciso de o intercalar com um mais leve e rápido. Acho que chegou a hora, sete anos depois, deste "Os Homens que Odeiam as Mulheres". Vamos lá ver isto.

Ter | 04.07.17

Sobre blogs #3: Dinamizar um blog.

Catarina Duarte

Dinamizar um blog.png

 

Vamos lá continuar a falar sobre blogs.

 

Depois da criação de um blog, é necessário dinamiza-lo.

 

(Reforço que estes textos onde abordo os temas dos blogs procuram transmitir a minha experiência pessoal, de quem já anda nisto há muito, muito tempo. Apenas isso. No final deste texto, vou deixar os links para os outros posts sobre o assunto.)

 

Fazer um planeamento - A primeira (e, talvez, mais importante dica) para qualquer que seja o blog, caso se queira publicar com o mínimo de regularidade, é fazer um planeamento.

 

Obrigo-me a planear a minha vida de forma a publicar praticamente todos os dias. O meu (básico) planeamento resume-se a isto: vou tirando, ao longo dos dias, apontamentos sobre o que quero falar, qual o ângulo que quero abordar, e começo, inclusive, a escrever o texto, mesmo que saiba que ele vai ser mudado. Quando me sento para o limar e o rever, posso não saber exactamente se vai sair na próxima quinta-feira ou no próximo sábado, mas já tenho muito trabalho adiantado. Depois é só torna-lo "bonito", orientar-me e enquadra-lo na agenda.

 

Criar uma rotina de escrita – Digo sempre isto nos Workshops de Escrita Criativa que dou: é fundamental haver uma rotina de escrita, tanto para quem quer desbloquear a escrita, como para quem quer profissionalizar um blog.

Somer­set Maugham (autor da Servidão Humana e do Fio da Navalha) dizia:

 

"Eu escrevo só quando a ins­pi­ra­ção bate à porta. Feliz­mente, ela bate à porta todas as manhãs às nove em ponto.

 

Obviamente que a inspiração não lhe aparecia à frente, todas as manhãs, às nove horas, mas ele escrevia, quer ela lá estivesse, quer não. E isto é fundamental: criar uma rotina.

 

(Eu - mesmo que assuma interiormente que nem todos os dias vou conseguir cumprir - escrevo todos os dias. Criarmos estes compromisso connosco, é meio caminho andado para conseguirmos - mesmo que não se consiga ser tão rigoroso quanto se quer.)

 

Bons Conteúdos - Criar conteúdos relevantes, escritos numa voz muito nossa, característica, própria e que "obrigue" as pessoas a regressar ao blog, procurar um ângulo diferente de abordagem, uma análise mais fora, sempre acompanhado por um escrita cuidada (sem erros ortográficos), é fundamental.

 

Conteúdos actuais - Falar sobre a actualidade origina o crescimento de laços entre quem escreve e quem lê: as pessoas tendem em identificar-se, partilham e as interações crescem.

 

Boas fotografias (boa imagem) - Uma imagem vale mais do que mil palavras. As imagens são bons suportes para os posts. Num blog que se caracteriza mais como sendo de escrita (como é o caso deste), embora as fotografias sejam importantes, não as considero assim tão fundamentais (mas, sim, muitas vezes, como já referi, a sua ausência, deve-se mais à falta de tempo para as tirar, do que a outra coisa qualquer).

 

Uma dica que considero importante é: por exemplo, no âmbito de um texto com o propósito de dar uma opinião sobre um livro, em vez de se tirar uma imagem da capa do livro da internet, fica mais giro e mais apelativo, colocar uma fotografia tirada por nós.

 

Dinamização dos próprios posts - É sempre vantajoso, colocar links para outros posts do blog, uma vez que faz com que se crie tráfego interno (confesso que, muitas vezes, me falta a paciência para isto :) );

Outra dica: olhar para os jornais/revistas digitais e ver como estão organizados - colocar as frases mais apelativas, dos nossos textos, a bold, fomenta a curiosidade (tal como acontece nesses jornais/revistas).

 

Procurar forma de criar tráfego - Através de passatempos, concursos ou perguntas. Ter a iniciativa de falar com marcas, propor parcerias, procurar relações win-win.

 

Criar uma comunidade - Bom, talvez eu não seja assim a melhor pessoa para falar disto mas reconheço a importância de uma comunidade de bloggers. Há alguns que sigo com bastante frequência (diariamente) tais como o João Farinha, a Cláudia, a Maria das Palavras, a Leonor, a Cristina e a Rita. Não digo que tenha interação muito recorrente com estes bloggers mas é importante criarem-se iniciativas para fomentar o crescimento dos blogs.

 

E foram estas as dicas de como dinamizar um blog.

Têm mais para a troca?

 


O primeiro texto da saga "Sobre Blogs" (sobre a Dimensão das Coisas) está aqui.

O segundo texto da saga "Sobre Blogs" (sobre como Começar um blog) está aqui.

O quarto texto da saga "Sobre Blogs" (sobre como Dinamizar um blog) está aqui.

Seg | 03.07.17

Carpe Diem? Isso já o fazemos!

Catarina Duarte

Há coisas que damos por garantidas.

 

E não me venham com as tretas do Carpe Diem, desta expressão que nos prossegue desde sempre, que nos obriga a verbalizar que a estamos a seguir, que estamos a sentir tudo com intensidade, que nos abriga a aproveitar todos os segundos como se, caso não o façamos, sejamos as pessoas mais mal-agradecidas do mundo. Calma, podemos ser só pessoas tranquilas.

 

À nossa medida, à nossa altura, nós aproveitamos os nossos momentos - somos o Carpe Diem inteiro e, raramente, nos soltamos em metades: nós mergulhamos no mar, lemos clássicos, compramos bilhetes de avião e visitamos mosteiros; nós apreciamos bom vinho, aproveitamos a nossa família e festejamos com os nossos amigos; nós vemos exposições e filmes de culto; nós fazemos desporto e apreciamos o pôr-do-sol. 

 

À nossa medida, à nossa altura, utilizamos este termo, impingido em latim, imposto e entornado sobre os nossos dias sem qualquer piedade e com total veemência. 

 

Vincamos sempre o verbo "aproveitar" quando estamos, de facto, a aproveitar.  Mas, apesar de tudo, continuamos a dar tudo por garantido. Nunca nos pomos numa posição de "nunca mais vou ver isto"; é, para nós, difícil assumir que pode ser a última vez que bebemos um copo de vinho ou que mergulhamos com golfinhos.

 

Essa posição, chata e corrosiva, é difícil de alcançar mas é também muito útil quando, de facto, consciencializamos que há coisas que não são assim tão garantidas: pela sua fragilidade, pelo seu tempo, pela sua essência e pela sua vontade. 

 

À nossa medida, à nossa altura, Carpe Diem? Isso já o fazemos!

Mas, bolas, não é isso que nos prepara! Há todo um outro Universo por explorar.

 

Por muito Carpe Diem que façamos, não estamos preparados para a fragilidade dos nossos dias.

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