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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Qua | 14.02.18

Dia dos Namorados. Vamos lá!

Catarina Duarte

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Eu tenho um lado pouco dado a corações cor-de-rosa e mensagens de “amo-te muito até à eternidade” e, esse mesmo lado, transforma-me, todos os anos, na maior hater do dia dos namorados. É tudo de uma bimbalhice nunca antes vista – aliás – minto - foi vista, pela última vez, no 14 de fevereiro do ano anterior.

 

O meu lado mais sensato diz que é um desperdício de dinheiro pagar fortunas por um jantar que é, geralmente, de má qualidade e num presente com elevado grau de azeitice que, à primeira oportunidade, se esconde num qualquer armário refundido da nossa casa de férias.

 

O meu lado mais medroso diz que é suicídio sair de casa, nesta noite, para jantar, sob pena de sermos atropelados por uma avalanche de casais apaixonados. Na verdade, conheço formas mais incríveis de morrer.

 

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Mas, depois, o meu lado mais sonhador, diz que o que é preciso, neste mundo, para além de pipocas doces e praias de areia quente, são oportunidades para nos agarrarmos às pessoas que amamos, não interessa a forma que escolhemos: pirosa ou mais abrutalhada.

 

Na verdade, tanto faz o formato, e, se calhar, é mesmo boa ideia se substituirmos os corações berrantes por bons livros e um jantar-menú-especial-namorados por um jantar tranquilo em nossa casa. E, garanto-vos, é mesmo saudável e quente e acolhedor se abrirmos o melhor vinho da nossa garrafeira e servimos uma sopa XPTO que vimos num qualquer programa de televisão, porque, no final do dia, serve o propósito que se quer: ajuda-nos a continuar a entender que ainda somos namorados e que, contas feitas, o seremos sempre, pelo menos, enquanto este dia for festejado.

 

Feliz Dia dos Namorados, à vossa maneira - que é sempre a melhor!

Ter | 13.02.18

Segunda-feira de Carnaval.

Catarina Duarte

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Sou a primeira a fugir dos lugares-comuns desta vida, das frases feitas e das histórias previsíveis. Mas este pôr-do-sol tem tanto de normal como de inesperado. Acreditem que, às vezes, tanto nos esforçamos para ver um ângulo totalmente diferente e concretamente trabalhado, tanto queremos dar ao mundo uma nova forma de criar, que acabamos por nos encontrar no que de mais trivial existe. E a única verdade é que há, indiscutivelmente, uma tranquilidade nisto que não tem explicação. 

 

Neste dias, estou mais pelo Instagram aqui -> @catarinalduarte

 

Até já!

Qui | 08.02.18

Sobre a memória mal direcionada: tenho algo a dizer.

Catarina Duarte

São números atrás de números mas acho que já os decorei a todos: o meu número contribuinte, o do meu irmão, os dos meus pais, o meu número de telemóvel, o número de telemóvel do Ricardo, os códigos postais, o telefone da empresa, o número de telefone de casa, os códigos dos alarmes e os códigos pins.

 

Porém, a concentração que me falta, no geral, origina que, em particular, os baralhe quando mos perguntam.

 

Pedem-me o meu número contribuinte e eu respondo o meu número de telefone, pedem-me o telefone da empresa e respondo o número contribuinte do meu irmão.

 

Isto quando não é pior: quando me pedem o meu número contribuinte e digo metade do meu número contribuinte e metade do contribuinte do meu pai.

 

Sim, eu sei números contribuintes que não me pertencem e, sim, não me orgulho disso. Tenho uma enorme capacidade em decorar números mas depois esqueço-me do nome das pessoas. E das suas caras. Também decoro números que depois não sei a que dizem respeito, o que é triste porque, depois, ficam a baloiçar na minha memória como se fossem importantes – mas não são, caso contrário, lembrava-me, claro.

 

Também decoro matrículas mas isso já é mais normal, não é? E somo também, quando estou no trânsito, os números que nelas constam. Não tenho provas mas acho que isto tem ajudado no meu cálculo mental.

 

São demasiados números agrupados, aos pontapés aqui dentro, e a minha memória que insiste em estar direcionada para o que não interessa.

 

Aos 33 começamos a questionar tudo e é, esta idade, só mais um número para decorar: a idade que insisto em estranhar.

Qui | 08.02.18

Alma velha.

Catarina Duarte

No sábado passado, apercebi-me que, a alma velha onde estou fechada, justifica muitas das minhas escolhas.

 

Dando alguns exemplos concretos: emprego muito mais do meu tempo livre em livros e filmes do que no facebook, rodeio-me mais de copos de vinho tinto, quando estou entre amigos, do que por vodca limão e é cada vez mais difícil afastar-me do meu sofá, mesmo se estiver com fome ou com vontade de ir à casa de banho.

 

Mas justifica, principalmente, o facto de, no Inverno, não abdicar de meias térmicas: sim, sou eu e as velhinhas da Avenida de Roma.

 

Sabes, porém, que bates no limite da tua velhice, quando já não pensas em ténis sem meias a serem usados com calças rasgadas (porque, não sei se sabem, pelo rasgão dessas calças, entra um frio que não se aguenta) e reservas todos os teus desejos para a promoção do Mini Preço (onde te diriges propositadamente), onde adquires 4 pares, leve 2 pague 1, de meias térmicas.

 

Aquela coisa de sofrer para ser bela, quando mete frio à mistura, não é mesmo para mim.

Qua | 07.02.18

Opinião: Três Cartazes à Beira da Estrada.

Catarina Duarte

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Iniciei, oficialmente, a viagem por entre os filmes nomeados para os Óscares deste ano. Porém, apercebi-me, logo no início desta aventura, que vai ser uma viagem curta. Não há muitos filmes que, à partida, tenham a ver comigo. Na verdade, só há dois que quero mesmo ver e um deles despachei-o já neste domingo gelado que passou.

 

O filme “Três Cartazes à Beira da Estrada” tem, na minha perspectiva, muita coisa boa e algumas coisas menos boas: as boas chegam-me para reconhecer que é um bom filme; as menos boas levam-me a concluir que vai ser um filme que não vai deixar marcas.

 

O que gostei?

 

Gostei muito da interpretação da Frances McDormand, nomeada para o Óscar de Melhor Actriz: gostei dos gestos e dos seus silêncios, fiquei maravilhada com as suas expressões (recordo uma, logo ao início do filme, quando estava no carro, com um dedo a raspar nos dentes, um movimento que nos é normal e que chega a ser anormal reproduzi-lo com aquela naturalidade), gostei também da forma como trabalhou a sua postura masculina, a sua forma de andar e falar, enfim, toda a sua caracterização, tão dura, tão rude, convenceu-me.

 

Também gostei da forma como conseguiram contrabalançar a dureza do filme com algumas cenas de humor, permitindo, deste modo, aligeirar a sua solidez.

 

Ando particularmente atenta aos arcos das personagens e as suas evoluções, neste filme, são notórias. Gostei de todas: bem construídas, fortes, com um claro desenvolvimento ao longo da trama.

 

O que faltou?

 

Faltou um final e uma mensagem clara. Há uma cena, lá pelo meio, que me pareceu ter sido colocada às três pancadas. Depois, mais tarde, vemos que essa cena tem ligação com o final do filme, porém, de forma meio atabalhoada. Sou sincera: não adorei o seu desfecho, não me passou nada, o que é pena.

 

Vejam mas, na minha opinião, não será um filme para a vida.

 

Já agora: qual será o outro filme que tenciono ver assim que conseguir?

Sex | 02.02.18

Dançar sós.

Catarina Duarte

 

Não conhecia a música. E é tão, mas tão bonita.

Ouçam - não se vão arrepender.

 

"Habitualmente dançamos sós
Dança-se e fica-se só
Frequentemente vivemos a sós
Contigo, sem ti, mas comigo
Habitualmente"

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