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(in)sensatez

por Catarina Duarte

(in)sensatez

por Catarina Duarte

Sex | 06.07.18

Duas fatias de pão de centeio com cereais.

Catarina Duarte

As duas fatias do pão de centeio com cereais eram comidas sempre frescas.

 

Ia à pastelaria e pedia um pedaço de pão e, depois do pedido, ordenava que ele devia ser cortado em duas fatias iguais. E o filme era sempre o mesmo: os empregados raramente acertavam no tamanho correto do pão que lhes permitia cortar as duas fatias com a mesma espessura. Depois, claro que era sempre para embrulhar e sempre em papel pardo pois detestava plásticos.

 

Se podia comprar um pão inteiro, fatiar, congelar e descongelar as duas fatias todos os dias? É uma das perguntas que não ficam.

 

O rímel sujava a parte inferior do olho, onde já se apanha aquela pele fina, e solidificava e tornava-se em bolinhas pretas que dali não saiam nem por nada. No dia seguinte, reforçava-o e as bolinhas pretas eram cada vez mais, quantos mais eram os dias que existiam e que avançavam.

 

Ninguém se lembra do seu gosto pelo pão fresco, pelas duas fatias que todos os dias comia ao pequeno-almoço, nem sequer que detestava plásticos. Algumas pessoas recordam o seu rímel solidificado em torno dos olhos, mais na parte inferior do olho, onde já se apanha aquela pele fina, porque é visível, porque é físico.

 

Não deixamos mais do que finas recordações. Os nossos hábitos, esses, fogem. Nunca mais ninguém se lembrará deles.

Qui | 05.07.18

Dizem os outros.

Catarina Duarte

“Certa vez, disse-me:

- Quando alguém começa a chorar, já está a enganar. Deu por encerrado o curso dos acontecimentos. Não acredito em lágrimas. A dor é sem lágrimas e sem palavras.”

 

A Mulher Certa – Sándor Márai

Qui | 05.07.18

Madonna, juro-te que não é inveja.

Catarina Duarte

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Não, não se trata de inveja, não se trata de “uns terem e de outros não terem”, nem tão-pouco se trata de falta de noção hierárquica no que à escala de visibilidade, em Portugal e no mundo, diz respeito.

 

Todos sabemos que a Madonna é loira, que tem raízes pretas e que dá uns espetáculos de cair para o lado. Todos percebemos, porque não nascemos ontem, que a visibilidade que a Madonna dá a Portugal é boa, aliás, é óptima, para quem gosta de ver Lisboa inundada de turistas. Todos rejubilamos de alegria quando a Madonna fortifica a imagem do Benfica, do Benfica do nosso Eusébio, partilhando fotografias do clube no seu instagram.

 

Uns mais do que outros, essa é a verdade, estamos-lhe todos muito gratos por isto.

 

Trata-se, na minha modesta opinião, daquilo que li hoje no Delito de Opinião, num texto de Diogo Noivo, onde o mesmo utiliza a expressão “gente de primeira e de segunda perante o Estado (o Poder Local também é Estado)".

 

E este rótulo atribuido por quem devia defender os nossos interesses, dizendo “tu és gente de primeira e tu de segunda”, não é pelo facto de ela ser loira, de ter raízes pretas ou de dar espetáculos de cair para o lado. E não tem a ver também com o facto de ela dar boa visibilidade a Portugal ou ao meu Benfica.

 

Trata-se antes disto:

 

- Se eu quiser pagar os 720€ por mês para ter 15 estacionamentos, dão-me essa possibilidade?

- Porque é que só são atribuídos 3 dísticos de residente ao cidadão comum em Lisboa e à Madonna foram atribuídos 15 (quinze!!!) lugares de estacionamento?

 

E, por último:

 

- Se o objectivo é tirar os carros em Lisboa... porque é que não lhe dão desconto na Gira? (bem apanhado, Catarina!)

 

Eu, nascida e criada em Lisboa, com vida profissional e pessoal nestas quatro paredes (imaginem, ok?), se quisesse, se pudesse, se tivesse 15 viaturas para estacionar todos os dias, não me davam essa possibilidade. É aqui, aqui neste ponto, quando começamos a compartimentar as gentes como umas sendo de primeira e outras de segunda, que a porca torce o rabo.

 

E, não, não é inveja. É só, arrisco-me a dizer (e corrijam-me se estiver errada, por favor), completamente inconstitucional este compartimentar de cidadãos.

Qua | 04.07.18

Sugestões de Leitura – Férias.

Catarina Duarte

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Como já vem sendo habitual, aqui estou eu para vos recomendar 3 óptimos livros para lerem nas férias. O objectivo, como sempre, é sugerir 3 livros muito diferentes entre eles. Espero que gostem e que depois, após os lerem, partilhem a vossa opinião!

 

O Talentoso Mr. Ripley, de Patricia Highsmith – Cá estou eu a falar novamente deste livro mas ele é tão, mas tão bom! Não entendo como é que não é mais falado. Como sugeri há uns tempos, após a sua leitura, recomendo que vejam o filme (com Matt Damon, Gwyneth Paltrow e Jude Law). É um livro ideal para férias porque nos prende e nos enrola e nos deita e nos estende (estão a perceber onde quero chegar?).

 

- Como é Linda a Puta da Vida, de Miguel Esteves Cardoso – Podem ler a minha opinião aqui. É refrescante. Tudo no Miguel Esteves Cardoso é refrescante. A perspectiva que ele nos dá é quase sempre nova e, quando não o é, ele faz-nos o favor de esquematizar o que já desconfiávamos. É um livro de crónicas, perfeito para ler entre um mergulho e outro.

 

- O Meu Nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout – Foi uma das grandes revelações, ao nível das leituras, claro, este ano. Podem ler a minha opinião aqui. Escolhi-o para recomendação de leitura de férias porque requer alguma disponibilidade mental para assimilar a mensagem que pretende transmitir. Disponibilidade, essa, que, tipicamente, obtemos quando estamos estendidos na toalha. É um livro pequeno, fácil de transportar, perfeito para levar debaixo do braço.

 

E agora sou eu quem pede ajuda! Já marquei a minha viagem para o Verão (a tarde a más horas, podem dizer) e também vou querer ideias de leitura! Quais têm para a troca?

 

Quanto a estes, já leram algum deles? Gostaram?

 

Boas leituras!

Qua | 04.07.18

Dizem os outros.

Catarina Duarte

“Somos seres humanos, e tudo o que acontece na nossa vida vem filtrado pela razão. Sendo pela razão que os nossos sentimentos e paixões se tornam suportáveis, ou nos parecem insuportáveis. Amar não é suficiente.”

 

A Mulher Certa – Sándor Márai

Qua | 04.07.18

Opinião – Hotel Vale do Gaio – Alentejo

Catarina Duarte

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Sempre que conseguimos ou, por outras palavras, sempre que não temos nenhum jantar, casamento ou batizado, tentamos passar o fim-de-semana fora de Lisboa, com o objectivo concreto de recarregar energias.

 

O último local escolhido foi o Hotel Vale do Gaio, no Alentejo, que fica a 1h30 de Lisboa, a distância perfeita para se passar 2/3 dias.

 

Nunca tinha escrito, aqui no blog, sobre nenhuma estadia minha, mas tive tantas, mas tantas questões sobre este local, pelas fotografias que ia partilhando no instagram (podem seguir aqui), que resolvi trazer este tema. Se gostarem, deixem nos comentários porque começo a escrever mais sobre os locais onde fico, no âmbito destas escapadinhas.

 

Bom, antes de mais, dizer que tivemos imensa sorte porque, nos dias em que por lá andamos, o hotel esteve praticamente por nossa conta. Estamos em Julho, é certo, mas as previsões de tempo não são propriamente animadoras e julgo que isso teve mesmo muita influência.

 

É um pequeno hotel, com 14 quartos, perto de Alcácer do Sal e do Torrão. Tem vista para a Albufeira do Vale do Gaio e é sobre ela que todo o hotel é desenhado.

 

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Ainda pensamos em sair do Hotel, para almoçar ou jantar numa das localidades mais perto mas depressa desistimos da ideia. Possivelmente, se tivéssemos lá ficado mais tempo, teria sido, seguramente, uma opção. Como não foi o caso, resolvemos usufruir de toda a tranquilidade que aquele hotel nos proporciona. Aliado a isso, o hotel tem um restaurante, de qualidade satisfatória, que nos fornece todas as condições para dali não sairmos.

 

 

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O Hotel tem um deck por cima da Albufeira, com toda o conforto necessário para nos envolvermos num bom livro. Aqui não há qualquer distração, para além dos passarinhos e do gado que, lá ao fundo, se ouve a pastar.

 

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O Hotel tem uma zona interior, com vista para a Albufeira, o que me leva a concluir que no Inverno também deve ter a sua piada. Mas a piscina, aquela piscina, perfeitamente encaixada na vegetação, é maravilhosa e deve ser aproveitada nesta altura do ano :)

 

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É também possível fazer alguns desportos, tal como a canoagem, mas não fizemos. O objectivo, desta vez, foi mesmo parar e ler e comer e dormir. Objectivo cumprido :)

 

Conseguem obter mais informações no site do Hotel aqui.

Eu recomendo imenso, especialmente, para quem precisa de desligar durante uns dias.

 

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Para mais fotografias sobre este paraíso, é só verem no meu instagram.

❤︎

 

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